



 Um conto rabe
   The Sheikh's virgin bride
   Penny Jordan
   Noites rabes 1
    
    
    Uma doce descoberta...
    
    Petra foi prometida pelo av ao rico e cobiado sheik Rashid. Mas a inteno dela  evitar a qualquer custo o casamento, nem que seja preciso prejudicar a sua 
prpria reputao para que o sheik no a aceite como esposa. Petra, ento, pede ajuda a Blaize, um homem extremamente charmoso e atraente que est hospedado no mesmo 
hotel que ela.
    Blaize concorda em fingir que  namorado de Petra, com isso, ajud-la a manter o sheik Rashid a distncia e a livrar-se de um casamento indesejado. Mas a situao 
se complica quando Petra no resiste aos encantos masculinos de Blaize e se entrega a ele... para logo fazer uma descoberta surpreendente: Blaize , ningum mais, 
ningum menos, que o homem que ela deveria desposar... o sheik Rashid!
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    CAPTULO I
    
    E ento, j falou com aquele professor de windsurf de quem eu lhe falei?
    - Falei! Ele at ficou de passar no meu quarto mais tarde.
    Imagine s, ele disse que devemos tomar cuidado, parece que est com medo do sheik Rashid, um dos donos do hotel, que proibiu os funcionrios de se enturmar 
com os hspedes.
    - E pelo jeito voc est fazendo mais do que isso, no ?
    - Mais, bem mais.
    Sentada em uma mesa confortvel, desfrutando a vista da cobertura do Restaurante Marina, Petra pde ouvir perfeitamente a conversa das duas moas na mesa ao 
lado. Entretidas Com os dotes sexuais do professor, as duas tinham acabado de se levantar da mesa. O chapu de uma delas cara no cho e Petra gentilmente abaixou-se 
para apanh-lo.
    Quando se afastaram, Petra sorriu maliciosamente para si li murmurou:
    - Muito obrigada! - Sem saber, as duas haviam acabado de lhe dar uma dica perfeita para conseguir o que ela mais queria nos ltimos dias!
    Levantou-se da mesa, cobriu os olhos ofuscados pelo sol com o chapu e acenou para o garom.
    - Por favor - disse quando ele se aproximou. - Voc pode me dizer onde ficam os professores de windsurf?
    Meia hora mais tarde Petra tomava sol numa espreguiadeira, cuidadosamente posicionada pelo atencioso funcionrio de modo a poder admirar a estonteante vista, 
e de onde tambm podia,  claro, apreciar o professor de windsurf de quem ouvira falar no almoo. As moas tinham razo para tanto entusiasmo!
    Petra conhecia bem aquele tipo de homem machista bronzeado e musculoso que julgava a si mesmo um presente dos deuses para o sexo feminino. Freqentara uma universidade 
americana e, desde que os pais morreram num acidente quando ela tinha dezessete anos, seu padrinho, um diplomata ingls aposentado, a levara diversas vezes para 
passear na Europa e na Austrlia.
    Mas este, em especial, era realmente um presente dos deuses!
    Ele bem que poderia, se quisesse, ganhar a vida como modelo de alguma grife de shorts e sungas, pensou Petra enquanto sentia um estranho calor dentro de si.
    Mas  medida que prestava mais ateno nele, via-se forada a admitir que ele tinha algo diferente, algo a mais.
    O professor apanhava algumas pranchas de surf espalhadas na areia e, mesmo com a distncia que os separava, Petra sentia a virilidade que aflorava daquele corpo.
    Admirava os msculos dos braos iluminados pelo sol e os cabelos negros e volumosos emaranhados pela brisa. Todas as mulheres da praia deviam estar olhando para 
ele, e quem sabe at suspirando do mesmo jeito que ela. Ele era exatamente o que procurava. Quanto mais olhava para ele, mais se convencia disso.
    Protegida pela distncia que os separava, o seguia com os olhos compulsivamente.
    
    Mais tarde, Petra voltou para sua luxuosa sute com a cabea fervilhando de idias. Ao passar pelas lojas, parou um instante pura admirar um arteso confeccionar 
habilidosamente uma pea de metal.
    No era de admirar que o hotel fosse aclamado mundialmente. A decorao aconchegante e ao extremo, os ptios internos repletos de flores, as inmeras lojas chiques 
e a rea de recreao com atividades tpicas da regio, o envolviam numa aura de magia estonteante.
    Da janela de sua sute podia avistar um trecho da praia. O atraente professor de windsurf desaparecera no meio da tarde depois de embarcar numa lancha no cais, 
e a ltima imagem que ficara dele fora o sol brilhando em seus espessos cabelos.
    Agora, com a praia j deserta, ele voltara e estava recolhendo as pranchas e os acessrios de recreao espalhados pela areia.
    Era a oportunidade perfeita para ela fazer exatamente o que queria desde que ouvira a conversa das duas moas durante o almoo! Antes de perder a coragem, Petra 
apanhou uma jaqueta e abandonou o quarto.
    O crepsculo tomara conta da praia, e a brisa fria lembrava que, apesar do calor diurno, ainda era inverno naquela parte do mundo.
    Por alguns instantes Petra pensou ter chegado tarde demais, a praia estava deserta.
    Ela se encontrava perdida nos prprios pensamentos, contemplando o belo ancoradouro, quando se assustou com a repentina aproximao de uma sombra s suas costas.
    O dono de seus pensamentos encontrava-se parado a sua frente, to perto que seus corpos quase se tocavam, deixando-a sem flego.
    Instintivamente Petra quis se afastar, mas num sbito mpeto de orgulho decidiu no se mover.
    Ergueu a cabea, respirou fundo, e sentiu seu olhar inevitavelmente atrado para a curva dos lbios dele.
    O que diziam mesmo sobre homens com lbios inferiores carnudos? Que eles eram muito sensuais... que conheciam todos os prazeres que uma boca como aquela podia 
proporcionar a uma mulher?
    Sentia-se atordoada. No percebera que ele era to alto. De onde ele seria? Itlia? Grcia? Seus cabelos eram muito pretos e espessos, e sua pele, como j observara 
durante o dia, tinha um tom dourado. Ele vestia uma camiseta branca e cala jeans, e era exatamente esse traje casual que o deixava mais atraente e masculino.
    A noite se aproximava, minsculas luzes se acenderam lentamente por toda a baa, e Petra pde notar-lhe o brilho nos olhos quando ele a fitou, passando do desinteresse 
que ela jurava ter percebido no incio para uma intensa concentrao que a deixou quase paralisada.
    Apesar de vestir uma roupa pouco insinuante, era como se ele pudesse v-la nua atravs do jeans e da blusa. Tais sentimentos eram novos para ela e a deixavam 
atordoada.
    - Se voc est querendo uma aula particular, creio que chegou um pouco tarde.
    O cinismo evidente daquela declarao pegou Petra de surpresa, fazendo-a corar.
    - Na verdade, eu no preciso de aulas - replicou, recobrando o orgulho. Quando adolescente aprendera windsurf e, mesmo que no interessasse a ele, atingira um 
estgio quase profissional.
    - No? Ento, do que voc precisa? - O tom levemente pretensioso atingiu-a como um tapa.
    Petra entendia agora por que as mulheres ficavam to fascinadas! Ele possua uma aura sexual que lhe abalava os sentidos.
    Sua postura extremamente segura indicava que ele conhecia seu poder de seduo e que sabia que podia domin-la, se quisesse.
    Aquele era o homem de que Petra precisava, constatou.
    - Eu tenho uma proposta a lhe fazer - Petra declarou, ignorando seus sentimentos e fitando-o com firmeza.
    Ele afastou-se um pouco e Petra pde ver-lhe o rosto nitidamente. Agora podia notar suas feies, ele parecia um deus grego!
    - Uma proposta? - O desinteresse contido na voz dele a fez corar. - Eu no vou para a cama com quem me faz propostas - retrucou, com desprezo. - Gosto de escolher 
minhas prprias presas, e no de ser uma delas. Mas se voc estiver muito desesperada, posso lhe indicar um lugar onde voc certamente ter mais sorte.
    Petra sentiu seus punhos se cerrarem, mas decidiu que deveria agir da maneira mais feminina possvel. Controlou a vontade de esbofete-lo, pois assim seus planos 
nunca iriam se concretizar. Pelo menos reconhecia nele a figura do predador sexual, no aquele tipo de homem que procurava a mulher da sua vida, com quem pudesse 
se casar. E isso era perfeito para seus planos.
    - No  esse tipo de proposta - retrucou.
    - No? O que  ento? - ele quis saber.
    - Do tipo que d dinheiro sem ser ilegal - informou, esperando cativar a ateno daquele homem.
    Neste momento ele deu um passo para o lado, e Petra percebeu que era a sua vez de mostrar o rosto na claridade das luzes do cais.
    No era vaidosa, mas sabia que os homens a consideravam uma mulher atraente. No entanto, se aquele homem pensava assim, ele definitivamente no demonstrava o 
menor interesse.
    Petra fugiu  fria avaliao dele recuando para a penumbra, e cruzou os braos.
    - Parece timo - disse ele, lacnico. - O que eu preciso fazer.
    - Aborde-me e depois me seduza. Na frente de todo mundo - Petra explicou, j mais calma.
    Por um segundo ela pde saborear o ar de surpresa que toIIIOU conta do rosto do professor.
    - Seduzir voc? - ele repetiu, e Petra ficou desapontada com o tom de voz repentinamente frio.
    _ No  para valer - ela apressou-se a esclarecer. - Eu preciso que voc finja que me seduziu.
    _ Fingir? Por qu? - perguntou sem entender. - Voc tem um namorado e quer deix-lo com cime?  isso? - continuou com certo desprezo.
    Petra arregalou os olhos.
    _ No, no  nada disso. Eu quero que voc me ajude a prejudicar minha... reputao.
    Seguiu-se um momento de silncio. Petra olhou para ele e no conseguiu decifrar o que ele pensava.
    _ E posso saber por que voc quer fazer isso?
    _ Voc pode querer, mas eu no pretendo lhe contar.
    _ No? Bem, neste caso, eu no pretendo ajudar.
    Ele deu-lhe as costas e Petra sentiu um forte calafrio.
    _ Eu posso lhe pagar mil dlares - ofereceu.
    _ Cinco mil dlares, e ns talvez... quem sabe faamos um negcio - ele disse devagar, virando-se.
    Cinco mil dlares. Petra sentiu a cabea girar. Seus pais haviam lhe deixado uma herana considervel, mas o dinheiro s poderia ser resgatado quando ela completasse 
vinte e cinco anos. Dessa forma, a nica maneira de conseguir uma quantia to alta era com a aprovao de seu padrinho que, na verdade, era um dos motivos de sua 
trama.
    Petra balanou a cabea desolada.
    Ele virou-se e continuou a andar lentamente, j atingia o fim da praia. Em poucos segundos ele desapareceria.
    Com um gosto amargo de derrota na boca, Petra sentou-se na areia.
    
    
    CAPTULO II
    
    Enfrentando a tentao de observ-lo partir, Petra fixou os olhos no mar.
     primeira vista, poder-se-ia supor que ela possua sangue espanhol ou italiano correndo nas veias. A pele era sedosa, os cabelos espessos e lustrosos. No entanto, 
os olhos verdes e o nariz afilado, combinados com seu estilo exuberante, denunciavam sua descendncia escocesa proveniente da famlia do pai.
    A brisa brincava com seus cabelos, o frescor causava um leve arrepio em sua pele, mas quando percebeu uma mo masculina repousar em sua nuca, um pequeno calafrio 
percorreu-lhe toda a coluna.
    - Mil dlares, ento... e o motivo - uma voz familiar sussurrou-lhe ao ouvido.
    Ele voltara! Petra no sabia o que dizer!
    - E nem tente pechinchar! - emendou em seguida com uma voz de seda. - Mil e o motivo, ou sem acordo.
    A garganta de Petra secou. No queria contar a verdade a ele, mas afinal, que opo tinha? E afinal, que mal ele poderia fazer?
    - Pois bem.
    Por que a voz dela soava to trmula? Seria porque ele ainda estava com a mo em sua nuca?
    - Voc est tremendo - ele murmurou, como se adivinhasse os pensamentos dela. - Por qu? Voc est com medo? Excitada?
    Enquanto as palavras lhe escapavam da boca, seus dedos escorregaram devagar pelo pescoo de Petra de modo que pde sentir os batimentos de seu corao.
    Lutando valentemente contra seus desejos, Petra libertou-se de seu toque e disse decidida:
    _ No  nada disso! Eu estou com frio.
    Ela percebeu uma sutil crueldade no sorriso estampado no rosto dele.
    _  claro _ o rapaz concordou. - Mas ento, voc quer que eu a aborde e depois a seduza,  isso? Por qu? Me conte.
    Petra respirou fundo.
    _  uma histria muito longa - ela avisou.
    _ Tenho tempo.
    Petra fechou os olhos por um momento, tentando compor seus pensamentos de maneira lgica, abriu-os em seguida e comeou a falar:
    _ Meu pai foi um diplomata americano. Ele conheceu minha me aqui em Zuran quando trabalhou aqui. Eles se apaixonaram, mas o pai dela no aprovava esse amor. 
Ele tinha outros planos para ela, pois acreditava que uma filha tinha o dever de ajudar a fortalecer o imprio financeiro da famlia. -  medida que falava, Petra 
percebia a raiva na voz, por causa da dor profunda que sentia com o que acontecera a sua me e se passava com ela naquele momento. - Meu av renegou minha me depois 
que ela fugiu com o meu pai, e proibiu o resto da famlia de manter qualquer contato com ela. Mas ela me contou tudo. Como ele foi cruel! Meus pais eram muito felizes, 
mas morreram em um acidente quando eu tinha dezessete anos. Eu fui viver em Londres com o meu padrinho, que tambm  diplomata. Tudo ia bem. Terminei a faculdade 
e depois fui viajar pelo mundo com ele. Arrumei um emprego na minha rea e estava me preparando para a minha ps-graduao. Mas ento... pouco tempo atrs, meu tio 
foi at Londres, procurou meu padrinho e disse que meu av queria me ver. Eu queria distncia dele. Minha me nunca perdeu a esperana de que eles se reconciliassem 
um dia. Mas ele nunca respondeu s suas cartas. Ele nem me procurou quando meus pais morreram. Meu av ignorou sua morte e nenhum dos seus parentes foi ao enterro. 
Ele no permitiu!
    Lgrimas de dio deslizaram pelo rosto de Petra, que as secou com rancor.
    _ Meu padrinho implorou para que eu reconsiderasse a situao. Ele me disse que era isso exatamente o que meus pais queriam... ver a famlia reconciliada. Disse 
tambm que meu av era um dos maiores hoteleiros dessa regio e que deveriamos vir at aqui para nos conhecermos. Eu quis recusar, mas...
    - Ela fez uma pausa e balanou a cabea. - Achei que deveria fazer isso por minha me. Mas se eu soubesse o verdadeiro motivo do convite!
    - O verdadeiro motivo? - Havia uma rispidez em sua voz mscula que a abalou.
    - Sim, o verdadeiro motivo - ela reiterou com amargura.- No dia em que cheguei, meu tio veio me visitar com a esposa e o filho, meu primo Saud. Ele s tem quinze 
anos, e... eles disseram que meu av no estava bem para me visitar, que tinha srios problemas no corao e que o mdico lhe recomendara repouso. Eu a.creditei. 
Mas quando ficamos a ss, Saud, acidentalmente, deixou escapar a verdadeira razo. Ele no tinha a menor idia de que eu no sabia de nada!
    Petra balanava a cabea negativamente e sua voz estremecia.
    - Meu av no queria apenas me ver, ele queria me casar com um de seus parceiros comerciais para reparar o erro que cometera com meus pais! E, acredite se quiser, 
meu padrinho concorda com a idia.
    - Mesmo que no comeo ele tenha tentado me dizer que interpretei mal o que Saud disse, meu padrinho acha que a idia no  de todo m. Ele viajou para o exterior 
numa misso diplomtica, est incomunicvel e alm do mais levou meu passaporte com ele!
    - Apenas conhea-o, Petra - ela imitou a voz do padrinho.- No h nenhum problema em fazer isso, no  mesmo? Quem sabe? Voc pode descobrir at que gosta dele. 
Veja o exemplo da nobreza inglesa, toda composta de casamentos arranjados e com resultados muito bons. Essa histria de amor  besteira. Nem sempre d certo, sabia? 
Seu av quer que voc case com um parceiro comercial para que se estabelea uma nova relao diplomtica e ento se criem novos negcios?  isso que voc est me 
dizendo? _ o professor interrompeu abruptamente o discurso inflamado de Petra.
    Ela percebeu uma cnica incredulidade em sua voz, mas no conseguiu culp-lo por seu sarcasmo.
    - Bem, meu padrinho quer que eu acredite que essa  a nica inteno de meu av, mas  claro que ele no  to altrusta assim - concluiu em tom severo. - Pelo 
que pude descobrir com Saud, meu av quer me casar com esse homem no s porque ele  seu scio neste complexo hoteleiro, mas tambm porque ele faz parte da famlia 
real de Zuran. Antes de fugir com meu pai, a  mo de minha me estava prometida para um parente deste homem com quem devo me casar. Meu av sempre achou que isso 
lhe traria muitos benficios. Eu at imagino o que se passa pela cabea dele. J que no conseguiu casar minha me para atingir seus objetivos, agora sou eu que 
devo cumprir esse papel de vtima!
    _ Essa herana cultural muito diferente incomoda voc?- A pergunta inesperada abalou Petra.
    _ Se isso me incomoda? - ela retrucou cheia de orgulho._ No! Por que deveria? - desafiou. - Sou feliz por ser fruto do amor de meus pais.
    _ Voc no entendeu. Eu me referi  extrema diferena causada pela combinao de sangue anglo-saxo com sangue beduno, a tradio guerreira somada  compulso 
dos nmades em desbravar o mundo. Voc no se sente dividida por possuir um pouco de cada lado ao mesmo tempo que  alheia a esse mundo?
    Aquelas palavras resumiam to bem os sentimentos que atormentavam Petra desde que os descobrira dentro de si que a fizeram calar-se. Como ele sabia que ela se 
sentia assim? Sentiu-se estremecer, como se estivesse diante de uma fora incompreensvel... um poder e uma intuio to mais desenvolvidos que os seus que a encheram 
de admirao.
    - Eu sou o que eu sou - afirmou com convico, lutando para ignorar as emoes que ele despertava nela.
    - E o que  voc?
    - Sou uma mulher independente, moderna e no vou me sujeitar s vontades egostas de um velho - tornou Petra com raiva.
    - Se voc no quer se casar com esse homem, porque simplesmente no diz isso ao seu padrinho?
    - No  to fcil assim - Petra admitiu a contragosto -  claro que eu disse a ele que no h a menor possibilidade de eu conhecer este homem, muito menos me 
casar com ele. Foi ento que ele viajou para a China e levou meu passaporte com ele. Assim, eu teria tempo para conhecer meu av e redescobrir o meu passado, como 
se fosse a coisa mais normal do mundo.Mas eu sei o que ele pretende. Ele acredita que me prendendo aqui, fazendo com que eu dependa de meu av, eu me sentirei pressionada 
a fazer o que ele quer. Meu padrinho se aposenta no ano que vem e espera ver seu trabalho, inclusive o de arranjar este casamento de alta classe com o sheik Rashid, 
recompensado com um ttulo de nobreza que ser anunciado no final do ano. E o pior de tudo, segundo o que o Saud contou,  que toda a minha famlia pensa que eu 
deveria estar cheia de orgulho porque este... este homem est se preparando para se casar comigo - Petra concluiu amargamente.
    - Como na maioria dos casamentos deste tipo - ele retrucou, quase entediado. - Eu entendo as ambies de seu av, mas e esse seu possvel marido? Por que esse...
    - Sheik Rashid - completou, amarga. - O mesmo sheik Rashid que no aprova como voc... se comporta com as hspedes.
    O olhar severo dele fez com que Petra rapidamente completasse: 
    - Eu escutei duas moas comentando hoje de manh. - Ela parou. - E, quanto aos motivos dele para querer se casar comigo... - Petra suspirou profundamente. _ 
Ambos temos heranas culturais diferentes, a me dele  estrangeira. Mas o mais importante  que a famlia real de Zuran acha o casamento uma boa idia. Meu padrinho 
disse que se ele recusar ofenderia a corte e a mim. No entanto, pelo pouco que conheo da cultura local, sei que uma recusa da parte de qualquer um de ns representaria 
uma ofensa imperdovel, mas tambm sei que se ele tiver algum motivo para acreditar que no sou uma pessoa respeitvel ele pode cancelar o casamento com o aval da 
famlia real.
    - Voc est se prendendo a um monte de conjecturas _ ele comentou secamente.
    - Est querendo me dizer que tudo isso  fruto da minha imaginao? Ento no h mais motivo para ns perdermos nosso tempo um com o outro! - Petra explodiu, 
com raiva.
    - Pois bem! Eu entendo seus motivos, mas por que voc escolheu a mim? - Ele tentou acalm-la.
    - Como eu disse, escutei duas mulheres falando sobre voc, e pelo que disseram  bvio que... - Petra replicou, cnica.
    - O qu? - ele desafiou quando ela fez uma pausa.
    - Que voc tem fama de se envolver com as hspedes. E que, alm disso - ela emendou, fingindo indiferena _ voc j foi repreendido pelo... pelo sheik Rashid, 
e corre o risco de perder seu emprego!
    _ Eu entendo... O que voc quer ento?
    _ Eu no quero nada! - Petra percebeu a expresso de deboche no rosto dele e defendeu-se: - Eu no quero nada com um homem at quando...
    _ Encontrar algum que atenda as suas altas expectativas?- ele completou com desdm.
    Petra balanou a cabea, irritada.
    _ No ponha palavras na minha boca. O que eu ia dizer  que eu quero encontrar um homem a quem eu ame e respeite...algum com quem possa me envolver de verdade, 
em todos os sentidos. Foi assim com meus pais - disse apaixonadamente. _ E  esse tipo de relacionamento que quero para mim, e quem sabe, para meus filhos.
    _ Um tanto incomum hoje em dia - ele respondeu com sarcasmo.
    _ Pode ser, mas acho que vale a pena tentar - Petra afirmou com convico.
    _ Voc no tem medo que esse homem possa ficar desapontado com sua reputao?
    - No. Porque se ele me amar ir aceitar e entender meus valores. E, alm disso... - Fez uma pausa quando percebeu que estava perto de contar a ele que ainda 
no conhecera esse homem e que ainda era virgem. - Por que voc est me fazendo todas essas perguntas? - ela questionou-o com rispidez.
    _ Por nada - ele respondeu evasivo.
    Na penumbra, Petra pressentiu que ele a analisava.
    _ Ento - ele disse afinal- voc quer me pagar mil dlares para eu abord-la e seduzi-la publicamente, e assim arruinar sua reputao.
    _ Para fingir que isso acontece - Petra corrigiu-o imediatamente.
    _ O que h de errado? - perguntou em tom de escrnio.
    - Voc est indecisa?
    _  claro que no! - Petra indignou-se, e logo em seguida ficou sem flego quando ele se aproximou e tomou-a nos braos.
    _ O que voc est fazendo? - balbuciou, trmula.
    Ele exalava um odor msculo da pele e o corpo de Petra cedeu quela masculinidade. A cabea dele se aproximava lentamente de seu rosto, encobrindo a luz, e o 
brilho daqueles olhos a hipnotizaram, deixando-a imvel.
    - Ns fizemos um pacto! - ele murmurou de encontro aos seus lbios. - E agora ns devemos sel-lo. Muito tempo atrs, aqui no deserto, os pactos eram selados 
com sangue. Quer que eu perfure sua pele e recolha seu sangue para mistur-lo com o meu, ou isso aqui vai bastar?
    Antes que pudesse protestar, a boca sensual estava colada a sua e roubava o ar de seus pulmes.
    Um breve gemido subiu-lhe pela garganta quando seu corpo vencido respondeu quele beijo maravilhoso. Ela estava certa em temer aqueles lbios carnudos. Havia 
uma aspereza suave naquele rosto que roava no seu de um jeito instigante, e lutou contra o instinto de acariciar aquela face masculina. Quando ele afastou seus 
lbios, sentiu uma vontade inexplicvel de grudar-se a eles. Antes que pudesse evitar, seu instinto fez com que ela avanasse e mordesse fortemente o lbio inferior 
dele.
    O gosto chocante de sangue em sua boca paralisou-a.
    Sentiu o corpo enrijecer quando ele desvencilhou os lbios e envolveu seu pescoo esguio com as mos.
    - Ento... voc prefere selar nosso pacto com sangue. H mais coisas do deserto em voc do que eu imaginava.
    Antes que pudesse se mover, os lbios dele colaram-se aos dela novamente num beijo como nunca havia experimentado. Sentia o gosto de sangue, a lngua spera 
junto a sua e o toque em sua garganta, quente como o sol do deserto escaldante.
    Abruptamente ele se afastou dela, ergueu a cabea e por um instante, iluminado pela luz, Petra pde ver, pela primeira vez, o rosto inteiro daquele homem.
    Ele mantinha os olhos bem abertos, e ela descobriu que no eram, como imaginara, castanho-escuros, mas sim, de um puro e suave tom prateado.
    
    - Ns temos a manh inteira a sua disposio, Petra. Talvez voc queira fazer umas compras. H um shopping excelente aqui perto, com inmeras lojas estonteantes, 
e...
    Foi com tremendo esforo que Petra conseguiu se concentrar no que a tia lhe dizia.
    Ela telefonara na noite anterior a fim de combinar um passei~ pela cidade e suas lojas. Apesar de ciente das intenes do av, gostava de sua tia, mesmo ela 
tendo procurado Petra justamente no dia em que seu padrinho viajara.
    _ Seu av sabe o quanto voc deve estar desapontada por no poder receb-Ia ainda, Petra, e, assim, providenciou um... amigo da famlia que... que ter o maior 
interesse em gui-Ia' pelo hotel e mostrar as belezas da cidade. Voc ir adorar Rashid. Ele  muito charmoso e um homem muito educado.
    Petra mordeu a lngua de raiva quando descobriu exatamente quem era esse tal Rashid, graas s revelaes inocentes de Saud!
    Ela permanecera acordada praticamente a noite inteira, revendo mentalmente os acontecimentos da praia, perguntandose como pudera ser to estpida em permitir 
que eles ocorressem, e seus olhos fecharam-se com pensamentos irrequietos.
    A combinao desses acontecimentos e a ansiedade que a invadia a deixaram exausta. No estava com nenhuma disposio para fazer compras. Alm disso, e se ele 
tentasse entrar em contato com ela? Ser que faria isso, ou esperaria que ela o procurasse na praia e flertasse vergonhosamente com ele, como no comentrio daquelas 
hspedes? Esses pensamentos lhe embrulhavam o estmago. No, o acordo era que ele deveria tomar a iniciativa. Abord-la e seduzi-la, uma voz dizia perigosamente 
em seu ouvido...
    Seduzi-la. Um tremor percorreu-lhe o corpo a ponto de a tia perguntar-lhe se estava com frio. .
    _ Frio? Com quase trinta graus? - Petra riu.
    _ Seu av espera melhorar muito em breve para poder v-Ia _ a tia continuou. - Ele espera ansiosamente por isso, Petra. Ele no pra de perguntlilr se voc se 
parece com sua me...
    Petra procurava manter-se indiferente s palavras gentis da tia.
    _ Se ele realmente quisesse me conhecer o teria feito h muito tempo, quando minha me ainda estava viva - Petra disse, contendo sua mgoa.
    Era muito tentador contar  tia que sabia o verdadeiro motivo de sua vinda para Zuran, mas no quis criar problemas para o primo.
    _ O que voc acha do complexo? - a tia perguntou, mudando imediatamente de assunto.
    Petra divertiu-se com a idia de ser completamente irnica, mas sua conscincia a impediu de agir assim.
    - ...  fantstico - admitiu. - Ainda no conheo tudo,  claro. Isso  como uma pequena cidade. Mas pelo que eu j vi...
    Particularmente, gostava muito do design tradicional do hotel e seus anexos, todos com seus jardins privativos repletos de plantas e frutas, o som musical das 
fontes que a faziam lembrar da arquitetura moura no, sul da Espanha, e de imagens que sua me mostrara de palcios rabes.
    - Quando Rashid lhe mostrar todo o hotel voc deve dizer isso a ele. No entanto, infelizmente, ele s o poder fazer daqui a uns dias. Ele avisou seu av que 
estar em viagem de negcios a pedido da famlia real... Em um outro projeto que ele est construindo no deserto.
    - Ele trabalha? - Petra sequer se esforou para conter sua surpresa. Pelo que Saud lhe contara, seu prometido era muito rico e bem relacionado para fazer algo 
to mundano.
    Ah, claro quem sim - a tia assegurou. - Ele no s investiu nesse complexo como tambm o projetou. Ele  um arquiteto muito qualificado e com ampla clientela. 
Ele estudou em Londres.
    Um arquiteto! Petra franziu a testa, mas no tinha a menor inteno de demonstrar interesse por um homem a quem ela decidira detestar.
    - Parece que ele  um homem muito ocupado _ disse  tia.- Ele no precisa perder tempo para me mostrar o hotel. Sou perfeitamente capaz de fazer isso sozinha.
    - No. Voc no deve fazer isso - a tia protestou.
    - No? Ento talvez Saud possa me acompanhar. _ Petra no pde deixar de provoc-Ia.
    - No! No...  melhor que Rashid acompanhe. Afinal, ele desenhou tudo o que existe aqui. Ningum melhor que ele para lhe mostrar tudo.
    - E a esposa dele? - Petra perguntou, inocente. _ Ela no vai se importar se ele perder seu tempo precioso comigo? 
    - Oh, no, ele no  casado - a tia garantiu logo em seguida. - Voc vai gostar dele, Petra - ela continuou entusiasmada. - Vocs dois tm muito em comum e... 
- ela foi interrompida pelo toque de seu celular.
    A tia procurou o telefone na bolsa e Petra percebeu-lhe a ansiedade no rosto quando a escutou falando rapidamente em rabe. 
    - O que foi? - indagou logo que a ligao terminou.-  o meu av? Ele...
    Furiosa com sua preocupao inesperada, Petra parou de falar e mordeu o lbio.
    _ Era seu tio - a tia informou. - Seu av sofreu uma recada. Ele sabe que deve descansar, mas se recusa! Eu preciso ir embora, Petra. Desculpe-me.
    Por um instante Petra sentiu-se tentada a pedir para acompanh-la, que lhe permitissem ver o av, a pessoa de seu sangue mais prxima que ele tinha, mas rapidamente 
abafou os sentimentos fracos e indesejados. Seu av no significava nada para ela. Como poderia, se obviamente ela no significava nada para ele? No deveria esquecer 
o passado e os planos que ele tinha para ela. No, ela certamente no seria a pessoa que imploraria para v-lo. Sua me j havia implorado e sofrido o desgosto de 
ser ignorada e rejeitada. De maneira alguma permitiria que o av fizesse o mesmo com ela!
    Petra dirigiu-se para o lobby depois que o txi a deixou na frente do hotel. Com o resto do dia livre, havia vrias coisas que poderia fazer. O complexo possua 
seu prprio shopping, cheio de artesos confeccionando e vendendo todo o tipo de objetos regionais. Ela tambm poderia deixar o hotel e dar um passeio de gndola 
pelos canais do complexo, ou andar tranqilamente pelos jardins. Sem falar,  claro, que poderia simplesmente relaxar em alguma nas maravilhosas piscinas ou em alguma 
das praias particulares.
    As piscinas e praias podiam ser acessadas por um pequeno tnel que saa do lobby.
    Chegando l, como Petra descobrira, um prestativo funcionrio lhe daria uma toalha e a instalaria no lugar que ela escolhesse, arrumaria uma cadeira e um guarda-sol 
e chamaria um garom que lhe serviria uma bebida caso sentisse vontade.
    O complexo e seus funcionrios estavam preparados para atender todos os desejos dos hspedes, quaisquer que fossem.
    Petra j havia viajado pelo mundo todo com os pais, com o padrinho e at mesmo sozinha, e em nenhum outro lugar havia encontrado um estabelecimento onde seus 
empreendedores e funcionrios fossem to atenciosos e prestativos como ali.
    Mas no se encontrava ali de frias, apesar de suas amigas terem-na arrastado para um dia de compras antes da viagem a fim de equip-la com um elegante guarda-roupa.
    Tendo em vista sua modstia inerente, e a razo por que iria viajar, Petra recusou toda e qualquer sugesto de suas amigas entusiasmadas para que levasse algo 
extravagante.
    Em vez disso, optou por uma linha discreta de mais, alm de alguns trajes para a noite, incluindo um irresistivel terninho de cetim cor creme, que a vendedora 
e suas amigas insistiram que ela deveria usar apenas com o blazer de um boto.
    - Veja s como ficou bom - a vendedora exclamou e as amigas prontamente concordaram. Petra no se convenceu, e acrescentou um colete de seda com motivos dourados 
s suas compras.
    Um sorriso de arrependimento brotou em seu rosto quando lembrou a tentativa de sua amiga mais espevitada em faz-la comprar um top tomara-que-caia rendado que 
fazia conjunto com uma cala de seda, cujo corte revelava seu umbigo, um pequeno detalhe que cairia perfeitamente bem na terra da dana do ventre.
    O sorriso de Petra se intensificou quando tocou instintivamente a barriga lisa com a ponta dos dedos. Escondido atrs de sua roupa, preso ao umbigo, estava um 
pequeno piercing com um diamante na ponta, colocado recentemente.
    Ningum, nem mesmo suas amigas, souberam de sua atitude negligentemente desafiadora de colocar um piercing em seu umbigo no mesmo dia em que seu padrinho a convencera 
a vir at Zuran.
    Secretamente, Petra sabia que a maneira como o diamante refletia os raios de luz trazia em si um significado perigosamente libertino, no entanto ningum iria 
v-lo.
    Pensou no av. Seu problema no corao seria muito grave?
    A maneira calma e quase indiferente com que o tio se referiu ao assunto no dava margens a maiores preocupaes.Estaria ele to doente como a tia parecia acreditar? 
Ou era tudo simplesmente uma farsa cujo nico objetivo era manipul-la? 
    Petra estava decidida a no ceder um milmetro em seus sentimentos a respeito daquele homem, um dspota que causara tanto mal a sua me e que fazia um jogo de 
gato e rato, usando uma suposta doena para faz-Ia cair em sua rede. Esse comportamento a obrigava a ficar em um estado permanente de alerta. E se, porm, ela estivesse 
enganada? E se seu av estivesse realmente muito doente?
    Apesar de ser impossvel no ficar tocada emocionalmente pela calorosa receptividade de seus tios, e da preocupao deles com uma possvel decepo de Petra 
com a impossibilidade de conhec-Io, a antipatia de Petra por seu av fora intensificada pela manipulao emocional que ele promovia e que s fazia aumentar seu 
desgosto.
    Ela tinha todo o direito de desconfiar e de no gostar dele, dizia para si. Ento por que se sentia abandonada e rejeitada, excluda do crculo familiar que 
o rodeava, protegendo-o? Por que sentia tamanha ansiedade em se inteirar dos fatos? Por que aquela sensao de medo e perda?
    Petra sabia que os tios lhe telefonariam se fosse necessrio, mas nada se comparava  presena nsica, participar dos acontecimentos,  aceitao total.
    Uma famlia passou por ela no saguo do hotel em direo  sala de msica, trs geraes unidas e felizes. Petra se viu invadida por uma angstia intensa, e 
tentou ocultar seus sentimentos com um dbil sorriso. Sempre fora extremamente vulnervel a tais sensaes. Sua herana celta era culpada por isso! Contra sua vontade, 
percebeu que lembrava como se sentia quando criana, sabendo que era diferente, sentindo a dor da me sem nada poder fazer para alivi-Ia, invejando as outras crianas 
que sempre falavam de seus adorveis avs.
    Estava deixando os sentimentos minar seu bom senso, disse a si mesma. Seu av a trouxera para aquele lugar por um nico motivo, e no era por gostar dela! Para 
ele, Petra era apenas uma pea valiosa no complexo jogo com que manipulava a vida das pessoas, usando-as para seu prprio e exclusivo bem.
    Mas se ele estivesse doente... seriamente doente... Se algo acontecesse antes que ela tivesse a possibilidade de conhec-Io...
    Petra caminhou at o elevador sentindo a garganta seca.
    Subiria at o quarto e pensaria no que fazer durante o resto do dia.
    A sute que a famlia reservara para ela, enorme e luxuosa, comportaria toda uma fanu1ia. No s possua um banheiro imenso, com um chuveiro e uma banheira como 
nunca havia visto igual, mas tambm um quarto de vestir e um dormitrio com uma cama de dimenses gigantescas e um amplo terrao com vista para o complexo do hotel.
    Ao entrar na sute, Petra caminhou at a cmoda e l pousou sua bolsa. Neste instante, deu uma rpida olhada no espelho e congelou quando viu nele o reflexo 
da cama, ou melhor, do homem que estava deitado nela, seu sedutor e cmplice! Ele mantinha as mos entrelaadas na nuca enquanto a observava, o corpo coberto com 
nada mais que uma toalha envolta nos quadris. 
    Minsculas gotas em seu corpo revelavam que ele acabara de sair do chuveiro... o seu chuveiro, Petra disse para si, incapaz de conter o choque de v-lo ali.
    Sua sute, como todas as demais do mesmo andar e as maiores situadas nos ltimos andares, s podia ser alcanada por um elevador privativo cujo uso dependia 
de um carto de segurana!
    Mas para um homem como aquele tudo era possvel, Petra suspeitava.
    Como que em transe, Petra observou-o girar o corpo e pr-se de p.
    E se aquela toalha presa to precariamente  cintura casse...
    Nervosa, molhou o lbio superior com a lngua. Repentinamonte, deu-se conta de que agora sua boca possua uma pequena e sensual cicatriz.
    Hipnotizada, ela tentava olhar para outro lugar...
    Teria algum desligado o ar-condicionado?, perguntou-se atordoada. De repente, o quarto parecia to quente...
    Ele vinha em sua direo, em poucos segundos ele... Automaticamente ela recuou.
    
    
    CAPTULO III
    
    Petra ouvia a prpria voz como se esta no lhe pertencesse, grave e evidentemente assustada, indagando:
    _ O que voc est fazendo aqui?
    Podia jurar que seu nervosismo o divertia. Havia um brilho especial nos olhos dele quando respondeu:
    _ Esperando voc,  claro.
    _ Mas aqui... E desse jeito? - ela perguntou, a voz trmula. _ E se algum estivesse comigo? Minha tia...
    _ Assim voc teria atingido seu objetivo, no  mesmo? ele replicou, dando de ombros, despreocupado. - Alm do mais, precisamos conversar, e eu precisava de 
um banho, por isso fez sentido juntar as duas coisas.
    Ele parecia to  vontade em sua sute que ela se sentia como uma intrusa, e desistiu de perguntar como ele conseguira entrar ali.
    _ Voc poderia ter tomado banho em seu prprio quarto esbravejou. - E eu estava planejando ir para a praia mais tarde, como combinamos.
    _ Depois eu no vou poder. Hoje  meu dia de folga. E a respeito do meu quarto - prosseguiu, cnico -, voc acha mesmo que o pessoal do hotel tem acomodaes 
to boas como esta?
    _ Como conseguiu me achar? Eu no falei meu nome e voc no me falou o seu.
    _ No foi difcil. Seu av  muito conhecido por aqui.
    _ Voc o conhece? - Petra espantou-se.
    Ele franziu a sobrancelha em sinal de zombaria.
    _ E por acaso um mero funcionrio conhece algum milionrio?
    _ E seu nome ? - pressionou-o.
    Seria apenas impresso ou ele hesitou mais que o necessrio?
    -  Blaize - disse.
    - Blaize?
    - Algo errado? - perguntou.
    Petra balanou a'cabea.
    - Nada,  que eu imaginava que voc fosse italiano, ou... espanhol ou grego. Mas seu nome...
    - Minha me era da Cornualha - ele informou quase bruscamente.
    - Cornualha? - Petra repetiu estupefata.
    - Sim - ele confirmou levemente entediado. _ E de acordo com a minha me, seus antepassados eram todos piratas!
    Piratas. Sem dvida seu tom de pele e seu tipo perigoso revelava essa descendncia, concluiu Petra, lembrando que os piratas da Cornualha saquearam os navios 
da coroa espanhola, roubando no s seu ouro como as damas da mais alta nobreza espanhola que viajavam com seus maridos.
    Blaize. Combinava com ele. Blaize.
    - Bem, agora que j nos conhecemos, talvez possamos falar de coisas prticas. Esse seu plano...
    - Eu no quero falar sobre isso agora - interrompeu-o. _ Por favor, vista-se e saia.
    Sentia um mal-estar progressivo, uma agitao diretamente relacionada  seminudez dele.
    - O que est errado? - ele indagou, rspido. _ Mudou de idia? Por acaso sua famlia a convenceu a conhecer este homem, afinal? Enfim, existem coisas bem piores 
do que casar com um homem rico...
    - No que eu saiba - Petra retrucou. _ Eu no consigo imaginar nada pior do que... um casamento sem amor _ defendeu com paixo.
    - Voc j se apaixonou alguma vez? - Blaize quis saber, respondendo ele mesmo a pergunta: - No,  claro que no, Porque...
    Havia um brilho em seus olhos que fazia o corao de Petra bater mais forte. Ela ainda estava chocada por t-lo encontrado ali, e seus sentidos reagiam com intensidad 
 figura recostada na parede de modo msculo e arrogante, os braos cruzados sobre o peito, os msculos retesados atraindo o olhar fascinado de Petra.
    _ Meu passado amoroso no tem nada a ver com nosso...nosso acordo comercial - Petra disse com veemncia.
    - Quando voc vai conhecer Rashid?
    _ Eu... eu no sei! - tornou ela, o cenho franzido. - At agora eles acham que eu no sei dos planos de meu av. Minha tia deu apenas pequenas dicas sobre quem 
 Rashid, fingindo que ele  apenas um bom amigo da famlia que se ofereceu para... mostrar-me o hotel, mas...
    Quando Blaize arregalou os olhos, Petra defendeu-se:
    _ Parece que ele projetou todo o hotel. De acordo com minha tia, ele  um arquiteto experiente.
    lntranqila, Petra se perguntava se Blaize percebia o tom ofegante de sua voz. Em caso positivo, esperava que o motivo fossem as qualidades de seu pretendente 
e no os msculos dele!
    - E quando ele vai lhe mostrar o hotel?
    Petra deu de ombros.
    _ Eu no sei. Segundo a minha tia, o sheik Rashid est em viagem de negcios.
    _ E voc, sem dvida, est esperando perder sua reputao antes que ele volte? Bem, se  assim, ns no temos tempo a perder - Blaize concluiu sem esperar resposta. 
- Hoje  noite todos da alta sociedade de Zuran vo sair de suas casas para ver e ser vistos, e o lugar da moda hoje em dia  o restaurante The Venue. O chef  excelente, 
e alm do mais tem pista de dana. Acho que devemos fazer nossa primeira apario l. Os trajes so formais, e existe um controle sobre o que se veste, mas como 
voc  mulher e hspede do hotel no vai haver problema!
    - Parece caro - Petra hesitou.
    _ E . Mas com certeza isso no  um problema, no  mesmo? Voc me disse que sua famlia est pagando suas despesas, e como convidada deles pode debitar a conta 
junto com a do seu quarto.
    _ No! Eu no poderia fazer isso - Petra negou a idia imediatamente, incapaz de distinguir se estava chocada ou repugnada. 
    Longe de parecer comovido, Blaize parecia divertir-se.
    _ E por que no? Voc precisa comer, no  mesmo?
    _ Sim, eu preciso comer - Petra concordou. - Mas no posso esperar que minha fanu1ia pague...
    Quando fez uma pausa e procurou as palavras certas para, expressar seus sentimentos, Blaize disse abruptamente:
    - Ou voc no est levando a srio essa idia, ou  apenas um impulso infantil do qual voc est se arrependendo. Em ambos os casos, voc est perdendo o seu 
tempo e o meu.
    - Eu estou levando a srio - Petra interrompeu-o prontamente.
    - Muito bem, ento. Ns jantamos l, hoje. Eu a encontro no hall s nove e meia... a no ser que voc queira que eu suba at seu quarto um pouco antes para que 
ns...
    - No - Petra recusou com firmeza, o rosto em chamas quando percebeu o sorriso dele.
    - Voc parece uma virgem assustada. Voc  uma, por acaso?
    Petra corou ainda mais e esbravejou:
    - Voc no tem o direito de me fazer tal pergunta!
    - Quem diria? - Blaize riu, sacudindo. a cabea. - Agora voc me surpreendeu! Uma virgem histrica que quer parecer completamente disponvel. Voc no quer mesmo 
este casamento!
    - Eu s disse que no estou preparada para discutir minha... Minha vida pessoal com voc...
    - Mesmo assim voc espera que eu convena a todos que fao parte de sua vida particular? - disse calmamente.
    O olhar de Blaize fez Petra estremecer, indignada. Como ele ousava zombar dela? Ele encontrara uma forma de inverter a situao e agora assumia o controle. Um 
calafrio percorreu sua pele avisando-a do perigo de se envolver em uma situao que fugia de seu domnio. Entretanto, antes que pudesse analisar seus sentimentos 
a campainha da sute tocou, deiXando-a em pnico.
    - Est tudo bem - Blaize a tranqilizou. -  o servio de quarto. Eu pedi alguma coisa para comer.
    - Voc pediu... - Petra encarou-o, e em seguida olhou furiosa para a porta do quarto quando a campainha tocou novamente. - Voc no... - interrompeu-se ao notar 
que Blaize ria mansamente.
    - Sabe de uma coisa - ele disse -, acho que vai ser engraado. Voc sabe o quanto  tentador chocar voc, minha princesa?
    Ainda rindo, inclinou-se para frente, envolveu o rosto dela com a mo, colou por um instante sua boca na dela e desapareceu no banheiro. A porta do quarto se 
abriu e a refeio pedida foi posta sobre a mesa.
    - O medo passou?
    Automaticamente Petra olhou na direo de Blaize quando ele saiu do banheiro, com o corpo ainda enrolado na diminuta toalha e esfregando o rosto recm-barbeado. 
Ela desviou o olhar, pois parecia que seu corao dera trs voltas antes de voltar com fora  posio normal.
    O que estava acontecendo com ela, afinal? Ele estava s se barbeando. E da?
    E da?, bradou dentro dela uma voz de indignao feminina, ele fazia algo muito ntimo... barbeava-se em sua sute... em seu banheiro...
    _ Hum... Eu vou acabar me acostumando - disse com gosto enquanto examinava o carrinho recm-chegado. - Quer me servir um caf, por favor? - pediu enquanto voltava 
para o banheiro. - Preto e forte, sem acar.
    Servir um caf! Quem ele pensa que ?
    _ Ah, a propsito - ele comeou, aparecendo na porta do banheiro. _ Eu reservei uma mesa no The Venue para hoje  noite e voc pode colocar a despesa na conta 
de seu quarto. Ns tivemos sorte. Eles estavam quase lotados. Por que ns no resolvemos logo essa situao? Eu poderia me mudar para c...
    -No!
    A recusa de Petra manifestou-se por meio de um som repleto de indignao e pnico que, em vez de embara-lo, s aumentou-lhe o prazer.
    _ Sabe de uma coisa, eu adoraria tornar essa histria real, se voc quiser - ele brincou, apoiado ao vo da porta.
    _ No _ ela repetiu, mais veemente dessa vez, os olhos arregalados quando completou com a voz rouca: - Nunca.
    _ Ah, sim! Eu tinha esquecido que voc est se guardando para o homem de seus sonhos! Bem, tome cuidado para que ele no acabe se transformando em um pesadelo... 
Esse  meu caf? _ emendou calmamente enquanto ela enchia uma xcara, insegura.
    Furiosa com sua atitude automtica diante do pedido dele, puxou a xcara para si.
    _ No, no . Este  meu. Sirva-se voc mesmo.
    Sem se perturbar, ele deu de ombros e apanhou a jarra de caf enquanto Petra digeria sua pequena vitria com a bebida que ele pedira.
    Com ar meditativo, observou Blaize avanar na refeio com extremo apetite. No era isso que ela planejara quando o procurou. 
    Pensara apenas em um flerte evidente na praia, talvez alguns pequenos encontros pblicos e, quem sabe, um almoo.
    - Sente-se comigo e coma um pouco. H o suficiente para ns dois.
    - Eu vi - Petra concordou visivelmente irritada.
    Era um absurdo permitir que sua famlia pagasse por qualquer coisa a mais que Blaize colocasse no trato. Por sorte ela viajara com vrios traveller's checks 
e com seu carto de crdito, uma vez que seu padrinho, sem dvida movido pela culpa, havia depositado uma quantia bem generosa em sua conta antes da viagem.
    - Eu sou um homem em servio - Blaize disse com entusiasmo.
    - Ainda bem que voc me lembrou. E, por falar em trabalho, voc no deveria...
    - No se preocupe - assegurou. - Eu tenho vrias horas extras, por isso eu tirei uma folga. Assim estou livre para fazer tudo o que voc quiser. Se Rashid no 
presenciar a coisa toda, acho que vai ser bem dificil convenc-Io. Ento, eu e voc precisamos ter certeza de que est dando certo. Voc tem certeza de que no quer 
que eu me mude para c? - provocou-a olhando descaradamente para o quarto a sua volta.
    - Absoluta - Petra rangeu os dentes. - E eu ficaria muito grata se voc se vestisse e fosse embora assim que terminar.
    - Embora? To cedo? No podemos passar mais algum tempo juntos, para nos conhecermos melhor?
    Para humilhao de Petra, sua expresso de desconsolo a traiu, e ele comeou a rir. .
    - Voc vai ter de fazer muito melhor do que isso se espera convencer algum de que somos namoradps - Blaize avisou depois de parar de rir.
    - Acho que a sua reputao basta para convencer por ns dois.
    - Voc parece suada e desconfortvel- ele constatou, ignorando o comentrio e a ira de Petra. - Eu lhe recomendo o chuveiro. E se voc quiser...
    _ No! No se atreva... - Petra interrompeu com as faces Coradas.
    _ Atrever-me a qu? - tomou Blaize, fingindo inocncia.
    _ Eu s ia dizer que poderia alterar a altura do chuveiro se voc quisesse.
    Petra disparou um olhar fulminante.
    _ Muito obrigada, mas sou perfeitamente capaz de fazer isso sozinha.
    Ela se arrependia amargamente de ter deixado escapar a verdade sobre sua virgindade e era bvio que Blaize considerava o fato muito divertido e sem dvida continuaria 
a provoc-la. A menos que descobrisse um meio de pr um fim nisso!
    
    Petra ficou tensa ao ouvir o telefone tocar. Olhou-se rapidamente no espelho, estava praticamente pronta e vestia o terninho creme novo. Afobada, atendeu o telefone. 
Era a sua tia.
    _ Eu queria ter ligado antes - desculpou-se. - Tudo bem com voc? Eu me sinto to culpada por deix-la sozinha.
    Aps garantir que estava bem, Petra aguardou sua tia marcar uma data para finalmente visitar a famlia e o av. Em vez do esperado convite, um silncio embaraoso 
por parte da tia foi seguido por uma explicao no convincente e apressada. Devido a assuntos de famlia, no poderiam lhe fazer companhia no dia seguinte.
    _ Ao menos seu av est se sentindo melhor, mas mesmo assim o mdico diz que ele precisa descansar. Ele est ansioso para v-la, Petra, e...
    A voz da tia soava cada vez menos convincente, Petra refletiu amargamente.
    _ Ela mentiu dizendo que tambm estava ansiosa para v-lo.
    No tinha idia de como ele pretendia conseguir alguma coisa agindo assim. A menos que imaginasse que, deixando-a isolada e solitria, cairia nos braos de seu 
pretendente em sinal de gratido.
    _  uma pena que minhas irms e seus filhos estejam fora do pas, no momento - prosseguiu a tia. - Mas to logo Rashid volte...
    _ Voc no precisa se preocupar comigo, tia - Petra a tranqilizou. _ Sou perfeitamente capaz de cuidar de mim. Por falar nisso... - fez uma pausa, pensando 
no que iria dizer, mas era evidente que a tia no a escutava, pois a interrompeu dizendo:
    - Existem diversas excurses que saem do hotel e que voc pode aproveitar bastante enquanto espera Rashid voltar. A vila de ouro, por exemplo. Oh, preciso ir. 
Seu av est me chamando.
    Mal houve tempo para Petra despedir-se antes que a tia desligasse.
    Virou-se para o espelho para passar o batom e percebeu quanto suas mos tremiam.
    Era porque estava com raiva, tentou convencer-se, e no devido  ansiedade que a idia de passar a noite com Blaize provocava. Sentia raiva da tia, pois sabia 
que ela no estava sendo sincera.
    Mentalmente tentava imaginar a figura do av. As descries feitas pela me ainda estavam claras em sua memria. Alm disso, observara alguns homens extremamente 
arrogantes vestidos com o manto tpico circularem pelo hotel. Ele deveria ter barba,  claro, o nariz aquilino e a expresso severa, quem sabe at rancorosa, quando 
se encontrasse com ela, o resultado de um casamento contra o qual lutara com tanto empenho.
    Era impossvel para Petra imaginar o que teria passado pela cabea de um pai, antes protetor e carinhoso, e que depois se recusava a mencionar o nome da filha 
simplesmente porque ela se casara com o homem que amava.
    Observava sua imagem refletida no espelho. Em sua casa na Inglaterra freqentemente sentia-se diferente, pois o corpo delicado e moreno dava-lhe um ar extico. 
Em contrapartida, ali, na terra de sua me, sentia-se como uma escocesa.
    Sua me! O que ela pensaria sobre o rumo dos acontecimentos? O que acharia de Blaize?
    Apanhando a bolsa, Petra recusou-se a permitir que esses pensamentos atordoantes a dominassem.
    
    Nunca vira o hall do hotel to lotado. Um grande grupo de mulheres elegantes acompanhadas de seus parceiros encontrava-se de p diante da entrada do piano bar, 
e Petra espantou-se com as jias que usavam.
    Provocou olhares discretos nas mulheres e cheios de admirao nos homens, mas Petra, alheia ao impacto que causava, procurava Blaize ansiosamente.
    _ A est voc. Estava quase subindo para apanh-la.
    Petra deu meia-volta e examinou Blaize de cima a baixo. Ele vestia um elegante terno italiano que certamente custara uma fortuna. No era de espantar que algumas 
das mulheres cobertas de diamantes o encarassem com tamanho desejo!
    Ele no teria condies de comprar aquele tipo de roupa com o salrio que ganhava, Petra concluiu, o que significava...
    No gostava da sensao desagradvel que a invadia, ou da idia indigesta de que ela certamente no fora a primeira mulher a pagar pelos servios de Blaize, 
apesar de que, evidentemente, os servios que contratara eram bem diferentes dos pagos por suas benfeitoras.
    _ Algo errado? Voc parece que engoliu algo extremamente horrvel.
    A intuio dele deixou-a em estado de alerta.
    _ Eu s estava imaginando qual ser o cardpio - respondeu com calma.
    Ele  apanhara desprevenida  tarde, mas agora seria diferente. Dessa vez deixaria perfeitamente claro que ela estava no comando da situao!
    _ Hoje Zuran  um lugar renomado pela variedade e qualidade de seus restaurantes, como voc logo vai perceber.
    Enquanto falava, Blaize a conduzia pelo vestbulo com a mo protetoramente encostada ao cotovelo dela. Sentiu uma vontade imensa de afastar aquela mo, de manter-se 
distante dele, mas o grande nmero de pessoas que lotavam o saguo impediu a separao, e afinal, Petra reafirmou para si, encontrava-se ali para ser vista com ele!
    Entretanto, em vez de conduzi-la  sada como esperava que fizesse, Petra percebeu que ele a levava em direo a uma das grandes portas de vidro que davam para 
o jardim, o qual se conectava por meio de canais a todo o complexo do hotel.
    _ Pensei que fssemos jantar - ela comentou diminuindo o passo para que dois homens uniformizados abrissem as portas para eles.
    _ Ns vamos _ Blaize informou, enigmtico. - Qual  o problema? _ ele provocou. - Voc acha que eu a trouxe at aqui para uma pequena reunio ntima antes de 
enfrentarmos o pblico?
    Ele esboou um leve sorriso e segurou o brao de Petra, puxando-a para junto de si enquanto caminhavam envoltos no calor da noite escura.
    - No jardim? Onde todos podem nos ver. Ah, no... _ ele prosseguiu. - Se essa fosse a minha inteno eu a teria levado para bem, bem mais longe...
    - Como o seu quarto, por exemplo? - Petra desafiou-o, determinada a no deix-lo pensar que suas palavras a afetavam.- Voc me lembra uma gatinha arisca com 
garras afiadas.
    Tome cuidado para que eu no me sinta tentado a ensin-la a ronronar de prazer e usar essas garras s para o bem...
    - Ns no estamos em pblico ainda - Petra conseguiu responder, agradecendo  penumbra que ocultava seu rosto corado. - Portanto, guarde seu charme para quando 
estivermos!
    Eles cruzaram o jardim e pararam em frente ao canal onde Blaize acenou para um gondoleiro que aguardava alguns metros adiante.
    - Este no  o caminho mais curto at o restaurante, mas com certeza  o mais... relaxante - Blaize murmurou quando a gndola se aproximou.
    Ele ajudou-a subir na gndola e ela inevitavelmente pensou se poderia haver algo mais romntico... ou trivial!
    Uma iluminao adequada envolvia o resort numa aura de magia e mistrio, transformando-o num local projetado para mexer com os sentidos. Ao passarem pela rea 
de lazer, um malabarista apresentava-se para um pequeno grupo de adolescentes e um arteso guardava seus pertences sobre um camelo, fazendo o corao de Petra acelerar.
    Uma coisa que gostaria de fazer durante sua viagem em Zuran era passear pelo deserto. Sua tia at poderia falar com entusiasmo sobre os shoppings e as vilas 
de ouro e diamante, mas era o deserto que mais atraa Petra, como um chamado hipnotizador dos seus antepassados.
    Imersa em pensamentos, Petra teve um sobressalto quando Blaize tocou-lhe o brao. A gndola atracou em um deck ornamentado de onde um tapete vermelho conduzia 
a um edifcio de estilo parisiense que arrancou de Petra um olhar estupefato.
    Diversas pessoas estavam agrupadas em frente ao restaurante e quando sentiu Blaize colocar as mos em seus quadris a fim de ajud-Ia a sair, sentiu o corpo enrijecer, 
como que rejeitando tamanha intimidade diante de estranhos.
    _ No faa isso! - protestou quando Blaize inclinou a cabea para frente, fazendo sua respirao roar de leve o rosto dela, e estendeu a mo para ajeitar-lhe 
os cabelos. - As mulheres que pagam as suas roupas podem at gostar de ser apalpadas em pblico, mas eu no.
    No instante que parou de falar, Petra sentiu que fora longe demais. O repentino enrijecer do corpo dele e a frieza em seu olhar deixaram isso claro.
    Seria intil explicar que o medo diante da reao instintiva de seu corpo motivou aqueles insultos. Alm do mais, seu, orgulho no permitiria tal explicao. 
Petra estava tensa e abaixou a cabea como se procurasse um esconderijo.
    _ Para seu governo, nenhuma mulher nunca... Nunca... Pagou pelas minhas roupas. E a respeito de seu comentrio sobre apalpar... graas a sua inocncia voc est 
livre das conseqncias de tais palavras, por enquanto!
    Em silncio, mas com a cabea erguida, Petra fixou o olhar no tapete vermelho. Por nada neste mundo admitiria, nem para si mesma, o quanto o calor protetor da 
mo de Blaize em seu cotovelo era agradvel. Petra observava, com uma inveja secreta, a elegncia dos casais bem vestidos que entravam abraados.
    _ Mais vinho? - Blaize ofereceu quando o garom solcito se aproximou com a garrafa. Petra recusou com um gesto de cabea e cobriu seu copo meio cheio com a 
mo. A refeio estava divina e a cada bocado ela lembrava-se de seu primeiro jantar em Paris, durante a comemorao do aniversrio de casamento de seus pais. Tudo 
na decorao e na ambientao do local, at mesmo o perfume sutil das velas nas mesas, era uma rplica dos mais fins restaurantes de Paris, e Petra sabia que no 
seria difcil encontrar algum falando francs ali.
    _ Caf, ento? - Blaize perguntou ao mesmo tempo que sinalizava a recusa para o garom.
    Concordando com a cabea, Petra alertou-se mentalmente sobre os perigos de se deixar levar pelo clima de seduo, pois Blaize representava com perfeio o papel 
do namorado carinhoso e solcito. Mas ele, com certeza, j tinha muita experincia nessa rea, lembrou contrafeita.
    Horrorizada, Petra imaginou o rombo que o custo daquele jantar causaria em seu carto de crdito, mas de maneira alguma ela permitiria que a conta fosse debitada 
junto com as dirias.
    Enquanto aguardava o caf, ela subitamente percebeu que era observada por um grupo de trs casais sentados em uma mesa ao lado.
    A chegada do garom prendeu sua ateno por um momento, e quando olhou novamente para eles, Petra pde jurar que percebeu um aceno negativo de Blaize para um 
dos homens que se levantava, como se ele estivesse vindo at sua mesa.
    - Quem  esse... - Petra ia perguntar quando o garom se afastou.
    - A quem voc se refere? - Blaize quis saber, um tanto intrigado.
    - O homem para quem voc olhou. Ele estava vindo para c, mas voc...
    - Eu no olhei para ningum - Blaize negou.
    - Sim, olhou - Petra insistiu. - Eu vi voc...
    - Voc est vendo coisas. De quem est falando? Aponte-opara mim.
    Irritada, Petra obedeceu, mas quando Blaize olhou deliberadamente na direo do homem, este percebeu a situao e desviou o olhar. .
    Com um olhar irnico, BIaize deu de ombros e Petra corou.
    Ela estivera evidentemente enganada, mas de maneira alguma admitiria isso e ele!
    - Quer danar um pouco, depois que terminar o caf? _ ele perguntou. - Afinal, precisamos representar o papel de namorados, apesar de sua aparncia virginal...
    Petra cerrou a boca e colocou a xcara na mesa desajeitadamente.
    - J basta! - disse com veemncia. - Daqui em diante, sempre que voc mencionar a palavra virgem eu vou descontar cinco dlares de seu pagamento! Eu lhe pago 
para me ajudar a escapar de um casamento que eu no quero. No para... para trazer  tona um assunto que no tem nada a ver com nosso acordo!
    - No? Eu discordo - Blaize afirmou calmamente. _ Eu preciso passar a impresso de que estou seduzindo voc. Quem vai acreditar nisso se voc insiste em olhar 
para mim com esse ar de...
    - Cinco dlares - Petra alertou-o.
    _ De uma mulher que no sabe o que  a paixo de um homem - ele concluiu com suavidade.
    Ela terminou o caf e Blaize acenou para o garom e pediu 8 conta.
    Nesse instante Petra apanhou a bolsa com a inteno de pegar seu carto de crdito.
    - O que voc est fazendo? - Blaize indagou secamente.
    _ Eu no posso dixar minha famia pagar por isso. Isso seria... Imoral.. - explicou.
    _ Imoral... Deixar eles pagarem um jantar? Mas no  nada imoral fazer com que eles acreditem que voc est dormindo comigo... Um homem que voc achou na praia...
    - Eu fao o que quiser com o meu corpo - Petra sussurrou, furiosa, enquanto o garom entregava a conta. Ela segurava o carto de crdito nas mos, porm Blaize 
foi mais rpido e apanhou-a:
    - Eu cuido disso - ele avisou com frieza. - Depois voc me reembolsa.
    Voltando-se para o discreto garom, murmurou algo que Petra no pde entender, entregou-lhe a conta, aps o que o rapaz se afastou depressa.
    Alguns minutos mais tarde, ao se dirigirem para a pista de dana, Petra pressentia que todos no restaurante olhavam em sua direo. Mas isso,  claro, era exagero 
de sua parte. Sem dvida eram as mulheres que olhavam para Blaize, pensou consigo mesma.
    Quando ouviu a msica provocante e sensual e reparou no jeito de as pessoas danarem na pista escura, automaticamente estancou. Aquilo no era dana. Aquilo 
era... puro sexo, e de maneira alguma permitiria que Blaize a segurasse daquela forma. 
    No ousaria permitir que ele a abraasse assim.
    Por que no? Apesar de ach-lo extremamente sensual, reconheceu irritada,  embora se mostrasse encantador e romntico, ele no sentia nada por ela. Estavam 
ali a negcios, e to logo isso tudo terminasse ela estaria livre para voltar para casa.
    Segundos mais tarde, envolta em seus braos, com o rosto colado ao ombro dele e sentindo o calor daquela mo em sua cintura, Petra percebeu que confiara demais 
em sua capacidade de controlar seu corpo.
    Ele era um sedutor nato, dizia para si, indefesa. Um homem" que aperfeioara sua tcnica com inmeras mulheres diferentes...
    - Relaxe... Lembre-se que somos namorados agora...
    - Eu estou relaxada - Petra afirmou, tensa.
    - No, voc no est! - corrigiu-a. - Voc est com medo de que eu faa algo assim com voc...
    Assim que terminou de falar, Blaize deslizou a mo pela nuca de Petra e gentilmente roou-lhe o pescoo com os lbios e subiu lentamente at o lbulo da orelha. 
A respirao de Blaize fazia o corpo de Petra estremecer de prazer.
    - Voc tem idia do quanto eu desejo voc?
    Aquelas palavras roucas embaralhavam os sentidos de Petra, ento ela se lembrou que ele estava apenas representando...
    Fazendo justamente aquilo que ela pedira.
    - Posso lev-l at seu quarto e mostrar o quanto a desejo? Tirar suas roupas lentamente, despir esse seu corpo sexy e beij-la inteira antes de...
    Petra sufocou um grito quando ele apanhou sua mo e disse sem rodeios:
    - Sinta o que voc est fazendo comigo...
    Ela tentou se soltar, mas era tarde demais. Blaize j colocara a mo dela de encontro a seu corpo e Petra pde sentir o corao dele pulsar fortemente.
    - Fique mais perto de mim - pediu, abraando-a com mais intensidade. - Mais perto! To perto que eu possa imaginar voc nua em meus braos, sua pele de seda 
em contato com a minha...
    Petra sabia que o calor que a invadia no era conseqncia do ar abafado do recinto, no entanto recusava-se a admitir o verdadeiro motivo das sensaes inflamadas 
que a invadiam, to fortes que ela temia no conseguir resistir.
    - Eu quero ir embora - ela pediu, rouca, afastando-se dele com esforo. 
    - J? Mas ainda  meia-noite!
    Petra sentia um medo crescente. Se ele continuasse ali abraando-a daquela maneira por mais tempo... Estava muito claro em sua mente que ele apenas representava, 
mas seu corpo parecia no conseguir distinguir fico de realidade... Ela correspondia s suas caricias como se... Como se... realmente o desejasse!
    - Hoje foi um dia longo, e minha tia provavelmente vai me ligar amanh cedo para informar o estado de sade de meu av!
    - Pensei que voc no estivesse interessada na sade dele.
    - E no estou - Petra negou de pronto. -  que...
    Blaize afastou-se um pouco e encarou-a com severidade. Instintivamente Petra quis esconder-se, fugir de seus sentimentos, fugir dele, e proteger-se de uma sensao 
que crescia rapidamente dentro dela e que poderia marcar sua vida para sempre! Por que ele a deixava to abalada? Afinal, ele no era o primeiro homem com quem danava 
to intimamente, muito menos o primeiro a quem desejara! Ela nunca tivera um relacionamento ntimo, mas sabia muito bem o que era desejar algum. Ela vivera todos 
os acontecimentos normais na vida de uma adolescente, envolvera-se com alguns rapazes e at se apaixonara algumas vezes, mas aquela era a primeira vez que tais sensaes 
tomavam propores que receava no poder controlar!
    - O qu? - Blaize insistiu, invadindo seus pensamentos.
    - Eu no quero falar sobre isso - Petra respondeu balanando a cabea obstinadamente.
    - Muito bem, ento. Se voc tem certeza de que quer ir embora, e que isso no  uma desculpa para escapar dos meus braos porque voc tem medo de gostar...
    Petra encarou-o, invadida por um misto de raiva e descontentamento diante de seu comentrio. Ele certamente apenas a provocava e testava, disse para si mesma. 
E armal, ele no poderia saber como ela se sentia... Ou poderia?
    - Ah, eu no faria isso - ela reagiu com firmeza, sorrindo confiante. - Alm do mais, nunca gostei muito de espaos apertados!
    Esperava que suas palavras bastassem para cal-Io, mas em vez disso ele continuou:
    - O que voc quer dizer?
    - Quero dizer que o espao entre seus braos est ocupado pelas inmeras mulheres que j estiveram a - disse com sinceridade.
    - Eu tenho trinta e quatro anos. Naturalmente existiram...relacionamentos... - Blaize retrucou, dando de ombros, despreocupado.
    Petra quase disse a ele que no se referia a relacionamentos, mas sim s muitas outras mulheres que suspeitava terem entrado e sado constantemente de sua vida. 
Em vez disso, porm, simplesmente balanou a cabea e afastou-se.
    Ele a seguiu at a porta, aberta por um funcionrio uniformizado com tantas mesuras como se eles pertencessem  realeza, Petra pensou ao pisar no tapete vermelho 
que conduzia ao estacionamento e aos canais.
    - Eu prefiro voltar de carro - Petra afirmou impaciente.
    No queria, vulnervel como estava, dividir com ele a intimidade de um passeio de gndola  luz da lua!
    Ao contrrio do que ela imaginou, Blaize nada comentou e simplesmente acenou para um dos carros do hotel.
    A volta silenciosa para o hotel foi, de alguma forma, mais desconcertante do que os momentos compartilhados na pista de dana. No conseguia entender como um 
homem na posio de Blaize, que se comportava de tal maneira e que afinal estava sendo pago por ela, podia ser to arrogante!
    - Quanto mais bvio for nosso comportamento em pblico, melhor - ele comentou j dentro do hotel, aps chamar o elevador. - Por isso eu sugiro que amanh ns 
nos concentremos nesse objetivo. Existem diversas excurses que podemos fazer juntos.
    - Excurses? - Petra interrompeu-o, intrigada. - Mas no  suficiente nos exibirmos apenas para os turistas.  necessrio que sejamos vistos por gente que conhece 
Rashid.
    - Zuran  uma cidade pequena. Tenho certeza de que... nossa amizade... vai chegar logo aos seus ouvidos - Blaize afirmou assim que o elevador chegou.
    Ele entrou junto com ela e apertou o boto referente a seu andar.
    - Voc no precisa subir comigo - Petra protestou, mas as portas j haviam se fechado e o elevador estava em movimento.
    - Do que voc tem medo? - ele zombou. - De que eu a beije, ou de que no a beije?
    - Nenhum dos dois! - Petra negou com veemncia.
    - Mentirosa! - ele provocou. - Afinal, voc  uma mulher, e  evidente que voc quer...
    - O que eu quero - Petra interrompeu-o com raiva, j em frente a sua sute -  que voc se lembre que est sendo pago para agir como meu namorado em pblico, 
e isso  tudo!
    Enquanto falava, ela procurava a chave na bolsa, e, por sorte, achou-a rapidamente.
    A mo de Blaize estava na maaneta e ela suspirou profundamente quando ele abriu a porta para ela. O que ela faria se ele insistisse em entrar no quarto? E se 
ele insistisse em fazer bem mais do que isso? Seu corao comeou a bater muito rpido, e Petra ps a mo no peito como que para conter a pulsao descontrolada.
    Mantendo a porta aberta, Blaize acendeu as luzes da sute.
    Petra tinha a boca seca, seu corpo estava mole, e o sangue corria quente em suas veias. Fechou os olhos e abriu-os novamente quando escutou a porta se fechar.
    Deu meia-volta com inteno de pedir a Blaize que sasse, mas deparou-se com o quarto vazio.
    Blaize se fora. Ele no entrara em seu quarto! Ele simplesmente fechara a porta e partira. Era exatamente isso que ela queria... no  mesmo?
    
    
    CAPTULO IV
    
    Petra terminou o caf de manh e o garom levou o carrinho, deixando uma garrafa de caf fresco e o jornal que havja pedido.
    Degustara o desjejum no terrao, sob o calor agradvel do sol matutino, e deveria estar completamente tranqila.
    Mas no estava!
    Seu celular comeou a tocar e ela apanhou-o sobre a mesa.
    - Petra?
    O som inesperado da voz do padrinho tirou-a de sua introspeco.
    - Como esto indo as coisas com seu av? - quis saber.
    - No esto - Petra informou, desanimada. - Ainda no estive com ele. Parece que ele no est bem de sade.
    - Petra, no estou conseguindo ouvir - interrompeu o padrinho, cuja voz mal se distinguia. A linha vai cair. Preciso desligar. Vou estar incomunicvel nas prximas 
semanas. Assunto de governo...
    Uma srie de rudos distorceu-lhe a voz de tal forma que Petra no pde entender o que ele dizia; no entanto, pareceu-lhe algo como "eu te amo". Antes que ela 
pudesse dizer alguma coisa a ligao foi cortada.
    Triste, ela fitou o visor em branco. No havia sentido em tentar retomar a ligao, pois no sabia onde ele se encontrava e no possua nenhum nmero para contato.
    Infelizmente no conseguira implorar para que o padrinho lhe mandasse o passaporte! Agora s podia contar com a ajuda de Blaize para escapar a esse casamento.
    Uma rpida onda de excitao passou perigosamente pelo corpo de Petra, avisando-a para tomar cuidado. Como pde permitir que Blaize manobrasse a situao e a 
levasse para jantar num restaurante carssimo quando, na verdade, seu intento seria atingido com maior facilidade se eles flertassem na praia?
    Olhou para o celular. Quem sabe deveria ser educada e ligar para saber a respeito da sade do av. Nervosa, Petra discou o nmero da casa dos parentes.
    Uma voz desconhecida atendeu deixando Petra confusa. Hesitante, indagou por sua tia, e perguntaram seu nome. Vrios segundos mais tarde, ela deu um suspiro de 
alvio ao ouvir a voz conhecida.
    Um tanto sem jeito, perguntou sobre o av:
    - Ele passou bem a noite - a tia informou. - Mas ainda est muito fraco. Ele insiste em ir  missa de manh, mesmo no podendo. Infelizmente pediu ao seu secretrio 
para lev-Io e quando me dei conta ele no estava mais aqui. Eu estou to contente por voc ter ligado, Petra. Ele ficar muito feliz com sua preocupao.
    A sinceridade na voz da tia fez com que Petra sentisse mais desconforto e culpa, apesar de tentar convencer-se de que no havia motivos para arrependimentos., 
    - Voc est sendo maravilhosamente compreensiva - continuou a tia. - Eu prometo que em breve poder v-lo. Eu ia telefonar para convidar voc para passear na 
feira de artesanato amanh cedo e depois almoar.
    - Eu... Parece interessante - Petra aceitou, insegura. Sentindo-se ainda mais culpada, ela rapidamente encerrou a ligao.
    Precisava encontrar Blaize, pensou decidida, para reafirmar que ela estava no comando da situao. Ele disse que a procuraria, mas sentia-se fortemente dominada 
por uma ansiedade inexplicvel.
    Ela queria... precisava ver Blaize imediatamente!
    Meia hora mais tarde encontrava-se na praia, lutando contra a frustrao de explicar ao salva-vidas e ao jovem instrutor de windsurf o que queria. Porm, eles 
no reconheceram Blaize pela descrio de Petra, deixando-a desolada.
    Que poderiam fazer se no o conheciam? A culpa era dela por no ter como encontr-Io. Agradeceu aos dois funcionrios muito eficientes e solcitos e voltou para 
o hotel.
    Era hora do almoo, mas no sentia fome. O vazio que lhe invadia o corpo no podia ser preenchido com comida! Ela ficara enfurecida com as brincadeiras de Blaize 
sobre sua virgindade, e extremamente atordoada com sua reao desmedida.  claro que ela no quis de fato ser beijada por ele, estava apenas supondo que, se ele 
o fizesse...
    Rapidamente Petra apertou o boto do elevador, torcendo para que ningm notasse seu rosto corado ou o intenso tremor involuntrio que lhe percorria o corpo.
    O que estava acontecendo, afinal? Petra sentia-se desprezvel dentro do elevador que subia tranqilamente. Ela era virgem, mas isso no significava que era reprimida 
sexualmente, to ingnua e vulnervel que o simples olhar de um homem experiente e predador bastaria para excit-la!
    Mas, se Blaize a tivesse beijado... Se ele o fizesse, Petra certamente teria tido o bom senso de rejeit-lo e mand-lo s favas, garantiu para si. Eles tinham 
uma relao comercial e era assim que as coisas deveriam permanecer!
    O elevador parou. Ela caminhou at seu quarto e abriu a porta prendendo a respirao. Dessa vez no havia nenhum homem nu deitado em sua cama. Que alvio!, disse 
para si mesma.
    Meia hora mais tarde ainda tentava decidir o que faria durante o resto do dia. Deu uma volta a esmo no terrao. No estava com nimo para ir  praia. O guia 
que comprara sugeria diversas caminhadas pelos pontos tursticos da cidade. Folheou-o rapidamente, na certeza de que logo encontraria algo interessante.
    Um dos passeios levava s construes antigas da cidade, incluindo a casa de um de seus fundadores que foi transformada em um museu destinado  preservao da 
memria cultural e religiosa da regio.
    Decidida, Petra disse a si mesma que lhe faria muito bem se ocupar com algo que no fosse seu av ou os problemas que ele representava. Aps vestir uma cala 
leve de linho  uma confortvel blusa de algodo, Petra deixou o quarto.
    O sol da tarde obrigou-a a usar culos escuros, que procurou em sua bolsa enquanto um funcionrio providenciava um txi.
    Pelo canto do olho viu uma reluzente limusine preta estacionar a alguns metros dela. .
    Reparou com curiosidade num bando de funcionrios se apressando a abrir as portas e vrios homens de aparncia importante sarem do veculo. Observou-os discretamente 
e por um instante assustou-se, mas logo relaxou balanando a cabea tristemente. 
    Por um segundo imaginou que um dos homens de manto fosse Blaize! Que ridculo! No era s por causa do av que precisava espairecer, disse para si com ironia 
ao caminhar em direo do txi que a aguardava.
    
    Petra passou tanto tempo no museu que no percebeu que j escurecera. Ela deixou o prdio antigo inspirando profundamente o ar da noite, a cabea fervilhando 
com as imagens que vira no seu interior.
    No era apenas o passado de Zuran que estava l dentro, mas tambm a histria de sua famI1ia, motivo pelo qual ficara to entretida. Dentro do museu ela pde 
sentir pela primeira vez suas razes bedunas. Pela primeira vez em sua vida sentiu a necessidade de conhecer mais sobre aquele pas, no apenas pela memria da 
me, mas pela sua prpria.
    O sutil aroma da brisa fez com que Petra virasse a cabea na direo do deserto. Naquela brisa estava a essncia de seu passado, de seu destino. Ela fazia parte 
de um povo orgulhoso que percorreu aquelas terras nos tempos de Clepatra e quando Marco Plo realizou sua pica jornada pela estrada de seda.
    Sem pensar no que fazia, Petra encheu a mo de areia e observou os gros escorrerem lentamente pelos vos de seus dedos. Seu pas...
    Seus olhos se encheram de lgrimas que ela espantou ferozmente.
    Um grupo de pessoas passou apressado, e o esbarro acidental com seu corpo quebrou o encanto. O cu escurecera completamente e ela tinha fome. Acenou para um 
txi e deu-lhe o endereo do hotel.
    
    No saguo do hotel, Petra olhou hesitante ao seu redor. Reservara uma mesa no restaurante italiano, e o fato de ser a nica mulher desacompanhada quase a fez 
mudar de idia. Zuran, porm, era um pas extremamente cosmopolita e seguro, pensou com coragem, e afinal, o hotel estava preparado para satisfazer todas as necessidades 
dos turistas, mesmo as de uma mulher sozinha como ela.
    Naquela noite vestira algo menos sofisticado, um vestido de linho preto abotoado na frente. O decote recatado ressaltava os ossos delicados na base do pescoo 
e a pulseira de ouro no pulso evidenciava seu brao esguio. A pulseira pertencera a sua me, e Petra a tocou em busca de confiana.
    No estava habituada a jantar sozinha em um restaurante, mas recusou-se a comer solitariamente em sua sute!
    O recepcionista do hotel informou-a de que o restaurante italiano ficava no trio perto dali e que poderia ser alcanado a p ou de gndola.
    A gndola seria perigosa demais, pois poderia trazer lembranas da noite anterior e, principalmente, de Blaize! Uma sombra passou-lhe sobre o rosto. A expectativa 
"de v-lo outra vez a deixara tensa o dia todo, mas ele no a procurou. Teria ele arranjado algum mais lucrativo para passar o tempo, financeira e sexualmente? 
Pelo que percebera, havia diversas mulheres querendo sua companhia.
    Parada na escada, Petra afirmou para si mesma que o curioso aperto em seu peito nada tinha a ver com cime. Ela?
    Com cime das outras mulheres de Blaize? Ridculo!
    
    O funcionrio acertara ao dizer que o restaurante no era distante. Petra dobrou uma esquina e se encontrou no trio que ele mencionara.
    O jardim era repleto de fontes com jatos de gua realizando complexos desenhos no ar. De repente, um jorro fortssimo jogou a gua para muito alto arrancando 
o aplauso de um grupo de crianas.
    Sorrindo, Petra caminhou at o restaurante.
    Pela experincia da noite anterior, no restaurante francs, esperava que este fosse to autntico quanto o outro e certamente era, a musica tpica dominava o 
ambiente e um garom genuinamente italiano a conduziu a uma mesa e entregou-lhe o menu.
    Meia hora mais tarde, quando Petra tranqilamente bebia uma taa de vinho e petiscava a entrada de frutos do mar que pedira, a porta do restaurante se abriu 
e deu passagem a um grupo de jovens rapazes extremamente barulhentos.
    A reao dos garons a fez perceber que no estavam satisfeitos com a atitude dos recm-chegados. Para ela, acostumada ao comportamento de certos homens na Europa, 
estava claro que haviam bebido. Sua atitude com os funcionrios era quase agressiva, e mesmo que nenhum garom aparentasse medo, eles eram muitos e transmitiam uma 
sensao de imprevisibilidade e perigo.
    Em ingls eles ordenavam que lhes arrumassem uma mesa grande o bastante para todos, recusando-se a ouvir o maitr explicando que todas estavam reservadas.
    - No me vem com essa, parceiro - um deles retrucou.- Eu posso ver muito bem que existem vrias mesas vazias.
    Discretamente, Petra fingiu no perceber o que acontecia quando o garom retirou o prato vazio a sua frente e serviu a refeio principal. Porm, quando agradeceu, 
escutou um dos homens dizer:
    - Hei, olhem aquela princesa sentada sozinha. Ns vamos sentar ali, parceiro - avisou, apontando para a mesa vazia ao lado de Petra.
    Ela estremeceu. Percebeu que o maitre tentava convenc-los a partir, mas obviamente eles no estavam dispostos a atend-lo. 
    Procurou no demonstrar desconforto quando eles se aproximaram e sentaram em trs mesas a sua volta, to perto que se viu praticamente cercada.
    Eles pediram mais bebidas enquanto faziam comentrios vulgares e olhavam deliberadamente para ela, esperando que se voltasse em sua direo.
    Petra no estava exatamente apavorada, pois, afinal, vivera em Londres e se considerava relativamente acostumada a isso. Mas em Londres ela nunca estaria jantando 
sozinha ou em uma situao que a deixasse to vulnervel.
    Notou, preocupada, que os clientes de duas outras mesas, casais com crianas, levantaram e partiram, enquanto o comportamento do grupo a sua volta tomava-se 
mais desagradvel.
    Apesar de no ter acabado seu jantar, Petra considerou impossvel ficar ali. Aparentemente, os recm-chegados no tinham inteno de comer nada e se tomavam 
cada vez mais turbulentos. Uma fatia de po voou por cima de sua cabea, seguida por outra quando dois dos homens sentados em mesas diferentes comearam uma pequena 
guerra.
    - O primeiro que acertar uma dentro do vestido dela ganha uma rodada grtis! - um deles gritou.
    Foi o bastante para Petra.
    Levantou-se o mais calmamente possvel, mas para seu horror, em vez de deix-la passar eles a cercaram fazendo comentrios sexuais explcitos sobre ela, enfurecendo-a.
    Percebeu que o gerente estava ao telefone e o maitr fazia o possvel para ajud-la, implorando para que os homens se afastassem.
    - Quem de ns voc vai querer, meu anjo? - o mais bbado grunhiu para Petra. - Ou ns devemos escolher para voc? Quem vai ser o primeiro? - gritou para os amigos.
    - Por favor, meus senhores, tenho que pedir que saiam _ protestou o maitr.
    - Ns no vamos a lugar algum, parceiro - retrucou o que perturbava Petra.
    - Ah, mas vocs vo sim...
    A voz de Blaize interrompeu a gritaria, sua apario um choque maior para Petra do que para o bando.
    Instintivamente, ela virou-se em sua direo, um misto de surpresa e medo em sua expresso. .
    - Na verdade, eu posso dizer que vocs no vo s deixar o restaurante, como vo deixar o pas.
    Um deles comeou a rir.
    - Corta essa, parceiro. Voc no pode fazer nada com a gente! Voc est sozinho contra todos ns e alm do mais... Ns estamos aqui pra isso, percebe?
    - O gerente acabou de chamar a policia - Blaize informou, imperturbvel. - Temos leis neste pas que condenam tal atitude com mulheres.
    Petra ouviu a chegada da polcia, que tambm no passou desapercebida ao grupo de desordeiros.
    Repentinamente, eles se calaram. Blaize estendeu a mo para ela e Petra passou no meio do grupo e foi ao seu encontro.
    Neste instante a porta do restaurante se abriu e diversos policiais uniformizados adentraram o recinto.
    - Venha - Blaize chamou Petra, tomando-a pelo brao. _ Vamos sair daqui...
    Petra no podia estar se sentindo melhor. Estava feliz em ter aquela mo firme e protetora amparando-a e conduzindo-a de volta para o hotel.
    Observou-lhe a expresso sria, e a maneira que mantinha a boca cerrada dava-lhe um ar austero e severo.
    Uma vez dentro do hotel, Petra pensou t-lo visto acenar com a cabea para o recepcionista, mas ao caminharem depressa at o elevador se convenceu de que tudo 
no passava de fruto de sua imaginao.
    O elevador subia e Petra suspirou, aliviada.
    _ Voc no sabe como estou feliz em v-lo - ela comeou, mas Blaize interrompeu-a com uma expresso severa.
    _ Que diabos voc estava fazendo? - indagou com fria.- Por que no foi embora? Voc deve ter percebido que...
    A dureza de suas palavras fez Petra calar-se.
    O elevador parou e ambos saram. As pernas de Petra estavam bambas e ela sentia-se levemente enjoada.
    Em frente ao quarto tentou abrir a bolsa para apanhar a chave, mas suas mos tremiam tanto que ela a deixou cair.
    Quando se abaixou para apanh-la, Blaize a impediu, pegou a bolsa e a abriu. Distrada, Petra reparou como ela era pequena nas mos dele. Blaize mantinha as 
unhas bem-aparadas, imaculadamente limpas, e seus dedos eram longos e finos.
    Uma pequena parte dela reconhecia que provavelmente estava em choque, mas essa conscincia era muito tnue e vaga, de modo que no pde compreend-la. No entanto, 
aceitava o fato como uma explicao para os tremores que percorriam visivelmente seu corpo e para a dor aguda que lhe travava a garganta e a impedia de se defender.
    _ Voc tem idia do que poderia ter lhe acontecido se o gerente no...
    _ Eu tentei ir embora - Petra disse com dificuldade. Mas eles no deixaram.
    Encontravam-se na sute e a porta estava fechada. Seu estado de choque intensificou-se de repente e lgrimas encheramlhe os olhos e seu corpo tremia violentamente.
    - Petra!
    A voz de Blaize j no estava carregada de raiva.
    - Petra!
    Quando repetiu seu nome, a voz de Blaize pareceu-lhe um sussurro, algo semelhante a um gemido, e ento ele a tomou nos braos.
    Petra conteve suas lgrimas com valentia. Podia sentir as mos de Blaize afagando-lhe os cabelos. Inclinou a cabea para trs, encarou-o por alguns segundos, 
mergulhando no brilho metlico daqueles olhos. Sua boca abriu-se ligeiramente e ento sua cabea repousou no brao que a envolvia.
    - Petra...
    Pde sentir quando ele abaixou a cabea e o calor agradvel de seu hlito roou seus lbios. Desejara isso desde o dia em que entrou naquele quarto e o encontrou 
deitado em sua cama, admitiu atordoada, enquanto inspirava profundamente e sentia a presso da boca dele na sua.
    Paixo! Essa era a palavra que resumia tudo o que sentia, tudo de novo que vivia, a emoo que latejava dentro dela quando a boca dele se movia contra a sua, 
transportando-a para um mundo de prazer proibido.
    Nada a alertou quando todas as barreiras que erguera para defender-se dele desmoronaram. Nada havia que impedisse o delrio que a dominava, o clamor pela liberdade 
de expressar seus desejos que percorria seu corpo.
    - Voc est em choque, Petra, e isso no ... - ele murmurou, movendo os lbios em direo ao seu ouvido.
    Freneticamente, Petra ignorou o que ele tentava dizer, acariciou-lhe o queixo e tornou a cobrir-lhe os lbios com sua boca, mostrando com avidez o que desejava.
    Ela sentiu a rigidez do corpo dele e sua respirao pesada, repentinamente consciente da hesitao dele. Quando Petra se aconchegou a ele, o corpo trmulo de 
receio que ele a abandonasse, encarou-o e percebeu o olhar faminto e viril e sentiu um sabor doce de vitria.
    Beijou-o devagar, parou, e olhou fixamente para seus lbios.
    Como se estivesse num sonho, percorreu as curvas do rosto dele com a ponta dos dedos e, ao senti-lo estremecer, instintivamente mordeu o prprio lbio.
    - Isso no  uma boa idia - Blaize murmurou enquanto lhe tomava a mo e a beijava com sensualidade. O olhar dele passeava pelo seu rosto e seu corpo, acelerando 
seu corao e aquecendo o sangue em suas veias.
    - Por que no? - ela murmurou, provocante.
    - Porque - ele qisse com firmeza - se eu tocar em voc agora... Aqui... desse jeito...
    Petra estremeceu quando a mo dele apalpou com delicadeza seu seio e a ponta de seu polegar maliciosamente acariciou-lhe o mamilo.
    _ Ento - Blaize prosseguiu com a voz rouca. - Eu vou ter que fazer isso de novo, e depois de novo, e ento eu vou ter que...
    Petra sentia-se arder, e Blaize fazia com que ela desejasse cada vez mais sentir-lhe as mos... o corpo... contra seu prprio corpo nu.
    O gemido que escapou da garganta de Petra foi abafado pelo beijo ardente de Blaize. Os sons de suas respiraes dominaram o quarto e ento, abruptamente, o som 
do fax interrompeu o encanto. Automaticamente eles estancaram. Blaize soltou-a e deu um passo para trs.
    _ Isso no pode acontecer - Petra ouviu-o dizer enquanto voltava as costas para ela. - Isso no faz parte de nosso acordo.
    No faz parte do acordo! Desprezo, vergonha e humilhao, todos esses sentimentos a invadiram como uma onda de gelo que a trazia de volta  realidade.
    Mecanicamente ela se dirigiu ao fax, mais com a inteno de fazer algo do que ler a mensagem que acabara de chegar.
    Quando finalmente conseguiu focar as letras no papel, descobriu que era apenas o folheto de uma empresa de turismo que oferecia uma de suas promoes.
    Enquanto fixava o olhar na folha de papel, lutando para no se virar e encarar Blaize, ouviu o barulho da porta de sua sute abrir e fechar em seguida.
    Apesar de continuar com os olhos presos na mensagem, Petra sabia que Blaize se fora.
    Algum dia, talvez, ficaria feliz por isso ter acontecido, disse para si friamente. Ela se alegraria por terem sido interrompidos e por ele a ter deixado! Algum 
dia. Mas no agora!
    
    
    CAPTULO V
    
    Infeliz, Petra empurrou para longe o desjejum intocado e concentrou-se na paisagem ensolarada atravs das janelas da sala de caf da manh.
    Decidira comer l naquela manh porque esperava que a agitao das pessoas a sua volta prendesse sua ateno, e assim conseguisse pensar em algo que no a noite 
passada e, acima de tudo, em Blaize.
    Blaize! Sempre que pensava nele, e isso ocorria com tanta freqncia que j no tinha paz de esprito, ela era invadida por sentimentos contraditrios de desejo 
e autocensura, combinados a uma sensao de perplexidade e incredulidade por ter se envolvido em tal situao. Como pudera desej-Io?
    De sua mesa, Petra admirava desconsolada o saguo do hotel que parecia estar, naquela manh, mais cheio de funcionrios uniformizados do que de costume.
    O garom se aproximou para limpar sua mesa. A fim de passar o tempo enquanto aguardava a tia, Petra caminhou at um cartaz que divulgava os passeios promovidos 
pelo hotel. Um deles chamou sua ateno e ela leu os detalhes da excurso seguidas vezes.
    Um passeio pelo deserto, uma noite em um resort situado em um osis onde se tem a possibilidade de sentir de perto a magia do deserto.
    O deserto... Antes que pudesse mudar de idia, Petra entrou no escritrio, de onde saiu dez minutos mais tarde com sua reserva nas mos. Uma noite inteira longe 
de Blaize llie daJja tempo para absorver os danos que sua reao instintiva causara em seu moral, e assim colocar sua cabea de volta no devido lugar.
    Tinha tempo suficiente para subir at sua sute e trocar de roupa antes de encontrar a tia. Petra sorriu para o grupo aparentemente nervoso que se aproximou 
do elevador privativo da sute presidencial.
    _ Todos parecem muito ocupados hoje - ela comentou.
    _ Est havendo uma reunio l em cima entre os donos do hotel - um dos homens uniformizados comentou e suspirou.
    Os donos do hotel. O corao de Petra acelerou. Aquilo significava que Rashid tinha voltado? E se tivesse chegado, quanto tempo levaria para procur-la?
    
    _ Hum... Isso cheira maravilhosamente bem - Petra afirmou sorrindo quando cheirou o pedao dourado de incenso que sua tia lhe estendia. Elas se encontravam no 
mercado de especi'arias, onde a tia procurava com muito empenho algumas essncias e as apresentava a Petra. Maravilhada, Petra examinava a pedra dourada em sua mo.
    Era extremamente instigante viver no novo milnio e manusear algo familiar a civilizaes to antigas. Havia algo de especial naquele pas, Petra pensava consigo 
mesma ao devolver a pedra ao vendedor.
    _ Eu tenho timas notcias para voc - comunicou a tia, aps convid-la a tomar um suco. - Seu av est muito melhor e convidou-a para visit-Io esta tarde - 
prosseguiu, entregando-lhe um copo, radiante.
    Petra quase derrubou a bebida. Seria apenas coincidncia que seu av a convidara justamente quando o sheik Rashid voltara a Zuran? Seu corpo ficou tenso, numa 
reao de defesa.
    _ Me desculpe, mas no vai ser possvel. Eu... eu tenho outros planos. - Petra sentiu-se orgulhosa por conseguir aparentar calma, mesmo evitando o olhar da tia.
    O silncio que se seguiu revelou-lhe que sua resposta no era a esperada pela tia, por isso sentiu-se culpada e desconfortvel. A ltima coisa que queria era 
desagradar ou preocupar aquela mulher que sempre fora extremamente gentil com ela, mas afinal, lembrou-se, conhecia os verdadeiros planos de seu av.
    Sua tia sorria, mas Petra sabia que era um sorriso forado.
    _ Seu av vai ficar desapontado, Petra - a tia disse em voz baixa. - Ele espera com tanta ansiedade por esse momento, mas se voc est ocupada...
    - Eu... eu programei uma viagem at o deserto amanh _ Petra explicou, na defensiva. - E eu preciso fazer algumas coisas antes...
    A tia ouviu a explicao de Petra com expresso grave. Insistiu em acompanhar Petra at o hotel, mas uma vez l, recusou o convite para uma xcara de caf.
    Ela estava prestes a entrar no txi quando um impulso inexplicvel fez Petra correr at o carro e avisar que havia mudado de idia.
    Atordoada com sua fraqueza, Petra enterrou os dentes em seu lbio inferior quando a tia aprovou sua deciso e lhe deu um abrao carinhoso.
    - Eu sei que no  fcil para voc, Petra, mas garanto que seu av no  nenhum monstro. Ele gosta muito de voc. .
    Um leve.arrepio percorreu a coluna de Petra quando ouviu as palavras inconscientemente sinistras da tia, mas j era tarde para mudar de idia.
    - Seu av descansa depois do almoo, mas eu providenciarei para que um carro venha busc-la. Quatro e meia est bem para voc?
    Petra no pde fazer nada a no ser concordar com um gesto de cabea.
    
    Petra tinha esperanas de que Blaize a procurasse, pois, afinal, ainda no lhe pagara nada, mas no havia mensagens para ela.
    Petra dizia a si mesma que a sensao de aperto em seu peito devia-se simplesmente a sua ansiedade em discutir com ele os acontecimentos do dia e decidir qual 
ao deveria ser tomada. Era natural, obviamente, que ela sentisse um misto de ansiedade e pressa uma vez que o sheik Rashid estava de volta. E sobre a noite passada, 
bem, o que era um beijo, afinal?
    Somente ela sabia o quanto sua reao fora exagerada! Ela no era to ingnua a ponto de enganar-se e dizer que o beijo significara algo para ele. .
    Ento, por que ele no a procurou? E por que ela no insistiu para que ele a procurasse?
    Eram mais de duas horas, e apesar de no ter comido nada o dia inteiro ela no sentia fome. A perspectiva de encontrar o av fazia seu estmago contrair-se. 
Seu nervosismo era aguado por pontadas desagradveis causadas pela volta de Rashid e pela ausncia de Blaize.
    Petra hesitou em frente ao seu guarda-roupa. O conjunto de vestido e blazer de linho seria uma boa escolha, modesto, porm moderno, ou quem sabe devesse usar 
o vestido de cambraia...
    Ou... Sua mo tremeu levemente quando retirou uma cala preta lisa do armrio. De corte simples, aquela pea preta sempre seria especial para ela. Fora presente 
da me semanas antes de sua morte, um presente que lhe daria sorte nas entrevistas pr-universitrias.
    Mas Petra no a usou nas entrevistas, e sim no enterro de seus pais. Quando, contudo, tocava o tecido macio, no era do momento fnebre que se lembrava, e sim, 
do carinho de sua me quando entrou na butique e disse que iria lhe comprar um presente, a felicidade e o orgulho em seu rosto quando insistiu para que Petra provasse 
praticamente todas as peas da loja antes de escolher a melhor.
    Aquela cala tinha um apelo mocional muito forte para Petra, e s vezes podia jurar que sentia o cheiro de sua me impregnado na roupa.
    A cala ainda servia, e na verdade, examinando sua imagem no espelho podia dizer que ela estava um pouquinho larga na cintura.
    Eram quase quatro e meia, hor de descer para o saguo.
    Seu traje formal atraiu diversos olhares discretos em seu trajeto at a sada. Mais uma vez havia um tapete vermelho em seu caminho at o estacionamento onde 
estavam paradas diversas limusines pretas e reluzentes.
    Enquanto aguardava a chegada do motorista, Petra examinou com discreta curiosidade os veculos enormes, mas sua ateno desviou-se completamente quando um carro 
parou a sua frente e seu primo Saud saiu com imenso sorriso estampado no rosto.
    Ao abra-Io, Petra percebeu vagamente uma agitao entre os motoristas e em seguida um grupo trajando mantos tpicos saiu pela porta da frente. Mas foi Saud 
quem olhou diretamente para o grupo, segurando o brao de Petra, agitado.
    _ Aquele  Rashid com seu tio-av.
    _ O qu? Onde? - Seu corao teve um sobressalto, mas quando olhou na direo em que Saud apontava os homens j tinham entrado na limusine. .
    - Voc j o conheceu? - o primo indagou quando os carros partiram. 
    - Ele  legal, no  mesmo?
    Petra escondeu seu desapontamento. Era evidente que o primo idolatrava seu pretendente. , - No, ainda no - ela informou ao entrar no carro. ' medida que o 
veculo se distanciava do hotel um pensamento .' repentino invadiu-a. 
    - Ento Rashid estava usando um manto?
    - Isso mesmo - Saud confirmou.
    - Apesar de sua formao ocidental?
    - Sim - ele concordou, um tanto confuso. - Ah, entendi!- ele sorriu em seguida. - O tio-av de Rashid foi como...Como um padrinho para Rashid quando seus pais 
morreram num acidente de avio no deserto. Eu no me lembro disso porque no tinha nem nascido nessa poca, mas uma vez escutei uma conver.sa entre meu pai e meu 
av. Rashid foi estudar na Inglaterra, mas seu tio-av sempre o tratou como se ele fosse seu prprio filho.  uma grande honra para a nossa famlia que o tio-av 
apie seu casamento com Rashid.  bom voc ser uma pessoa simples, minha prima, porque Rashid no aprova o comportamento de algumas turistas que vm aqui para Zuran.
    - Ele no aprova? - Petra replicou com um cinismo sutil.
    - E o comportamento dele? Ele ...
    - Rashid  um homem muito srio, todos que o conhecem sabem disso. Ele tem valores muito arraigados. Zara, minha amiga e prima de segundo grau, diz que sente 
vergonha de seu sexo quando v o jeito que algumas mulheres se aproximam dele. Ele  muito rico, voc sabe, e quando elas vm aqui para o hotel e encontram com ele, 
fazem de tudo para atrair sua ateno. Mas ele no se interessa por elas. Zara diz que  porque... - Ele fez uma pausa e olhou diretamente nos olhos de Petra, mas 
ela estava to furiosa com suas ingnuas revelaes que no prestou muita ateno nele. - Rashid  um homem muito orgulhoso e nunca permitiria que algum prejudicasse 
o nome de sua famlia - Saud continuou em tom solene.
    Naquele momento eles chegaram  manso da famlia, e Petra deu um suspiro quando o automvel estacionou em frente  entrada.
    Seu av insistia em viver na casa que pertencera  famlia desde os tempos em que Zuran fazia parte da rota comercial do oriente e seus parentes prosperavam 
nos negcios. No entanto, como a tia lhe explicara, poucos anos atrs o tio de Petra convencera o av a ampliar a manso e conferir-lhe um estilo moderno. Na parte 
antiga da casa, entretanto, ainda estavam de p os tradicionais moinhos de vento.
    A famlia no mantinha mais o costume de reservar s mulheres uma parte separada da casa, como na poca em que sua me vivia ali, mas sua tia prontamente lhe 
explicou, assim que conduziu Petra a um salo muito bem-decorado, que seu av ainda mantinha uma rea privativa para si.
    _ Kahrun, seu secretrio, vai lev-la at ele - informou-lhe a tia. - Ele esteve muito doente, Petra - continuou hesitante. _ e eu gostaria de pedir para que 
voc... faa concesses... ao modo de vida dele. Ele amava muito a sua.me, e a morte dela...
    A tia fez uma pausa balanando a cabea, desconsolada, enquanto Petra viu-se forada a engolir sua mgoa e calar-se.
    Uma criada trouxe um caf que exalava um aroma forte e marcante. Sua me nunca perdera a paixo por essa bebida, e s seu cheiro bastava para trazer-lhe boas 
lembranas dela. , Alguns minutos depois, quando Petra recusou uma segunda xcara, um empregado aproximou-se com uma reverncia e pediu-lhe que o acompanhasse.
    Com o corao batendo forte e a cabea erguida, Petra o seguiu.
    Eles percorreram diversos corredores antes que o funcionrio parasse em frente a uma grande porta de madeira entalhada.
    A sala era fresca e sombreada, suas janelas estreitas davam para um jardim interno de onde vinha o som de gua que tanto agradava aos habitantes do deserto. 
A sala cheirava a incenso e sndalo, que. lhe trazia  memria a pequena caixa em que a me guardava suas mais preciosas lembranas.
    Como as emoes embaaram-lhe temporariamente a viso, no conseguiu distinguir as feies do homem deitado em um div a poucos metros de distncia.
    _ Chegue mais perto para que eu possa v-la - Petra ouviu-o pedir. - Meu mdico proibiu-me de fazer muito esforo, por isso preciso ficar deitado neste div 
para no desagrad-lo.
    Petra escutou a leve risada irnica que se seguiu quela frase e controlou a emoo.
    A descrio do av feita pela me formara na mente de Petra a imagem de um homem forte e obstinado, um homem que oprimiu os sentimentos de sua me, e agora que 
podia v-Io pessoalmente esperava encontrar essas caractersticas em seu' semblante. No entanto, o homem a sua frente possua uma aparncia frgil. Sua mo achava-se 
apoiada ao encosto bordado do div e Petra pde perceber em sua postura todo o orgulho ao qual a me sempre se referia. Ela, porm, no conseguia ver naqueles olhos 
que a examinavam minuciosamente a rejeio e a raiva que tanto feriram a me.
    - Eu no me pareo muito com minha me - Petra disse friamente.
    - Voc no precisa parecer com ela. Voc  parte dela e isso  suficiente. Filha de minha filha! Sangue do meu sangue! Eu esperei muito tempo at voc vir a 
mim, Petra. Algumas vezes cheguei at a temer que voc no viesse a tempo e que eu nunca fosse conhec-la pessoalmente. Entretanto, sempre conheci voc com meu corao. 
Mas voc est enganada - ele acrescentou abruptamente, o tom de voz mais forte. - Voc  como minha Mirna. Ela era minha filha do corao, minha filha mais nova.
    A me dela era minha terceira esposa.
    Petra desviou o olhar com raiva.
    - Voc no aprova minha atitude. No precisa negar, eu vejo em seus olhos. Eu vejo como eles brilham e queimam com as emoes. Voc  igual a sua me.
    Petra no conseguia falar palavra alguma.
    Estava chocada com seu aspecto extremamente frgil. Sabia que ele era velho, ele tinha quarenta anos quando sua me nasceu, mas de alguma forma ela se convencera 
de que ele ainda era o homem forte e impiedoso que sua me conhecera.
    No essa pessoa envelheci da, de barbas brancas cujos olhos escuros transmitiam uma compreenso que a perturbava.
    De alguma forma as palavras secas que gostaria de dizer, as indagaes sobre seu repentino desejo em v-Ia, e o cinismo que pretendia mostrar recusaram-se a 
sair.
    Em vez disso...
    Petra ergueu o brao e a luz refletiu em sua pulseira de ouro.
    Imediatamente seu av estremeceu.
    - Voc est usando o bracelete de Mirna! _ Ele suspirou.
    - Foi meu ltimo presente para ela... Eu tenho uma fotografia em que ela o usa.
    Para o espanto de Petra ele apanhou um lbum de fotografias que ela no tinha notado ao seu lado, e pediu que se aproximasse.
     medida que seus dedos frgeis viravam as pginas o corao de Petra acelerava em seu peito. Todas as fotografias do lbum eram de sua me e algumas delas...
    Seus olhos encheram de lgrimas quando ela reconheceu uma delas. Era uma foto dela recm-nascida no colo da me. Seu pai tinha uma exatamente igual em seu escritrio!
    Imediatamente ela colocou a mo sobre o lbum impedindo que ele virasse a pgina, e indagou com a voz trmula:
    - Essa fotografia, como...
    - Seu pai enviou para mim - ele contou. - Ele mandou vrias fotografias suas, Petra, e muitas cartas tambm.
    - Meu pai! - Esse fato era novo para Petra, e ela precisou de alguns minutos para assimil-Io. Para ela era dificil aceitar tal atitude do pai, principalmente 
porque no lhe contara nada. E sua me, ela saberia? Petra ficou gelada. Com certeza no.
    O que poderia ter motivado seu pai se ele sabia exatamente como seu av magoara sua me?
    Quando seus olhares se encontraram, Petra sabia que o av podia ler os seus pensamentos.
    Sem jeito, ele acenou para que ela se aproximasse.
    - H uma caixa ali. Eu gostaria que voc a trouxesse para mim - ele pediu, quando ela hesitou.
    A caixa estava em cima de uma mesa de madeira habilmente entalhada, a superficie lisa e quente ao toque. S6 em olh-Ia Petra sabia que era muito antiga.
    - Isso pertenceu ao meu av - ele contou quando apanhou a caixa das mos de Petra. - Ele era um mascate e essa caixa o acompanhava a todos os lugares. Ela foi 
feita por um arteso a pedido de um sulto do grande Imprio Otomano. - O av esboou um breve sorriso. - Ele era um grande contador de histrias, e muitas vezes, 
quando eu era criana, eu me sentava a seus ps para ouvir seus contos, fossem eles verdicos ou no!
    Enquanto falava, apanhou um pesado molho de chaves, buscando no meio delas a que lhe servia.
    Seus dedos, evidentemente enrijecidos pela idade, lutaram para enfiar a chave na minscula fechadura e quando ele abriu sua tampa, Petra pde sentir os aromas 
de sndalo e rosas qu emanavam de seu interior. . .
    Ela no conseguia ver o que havia dentro da caixa, mas esperou pacientemente o av remexer em seu contedo at encontrar o que procurava.
    - Leia isso - ele ordenou bruscamente, estendendo a ela um envelope. -  uma carta de seu pai, contando-me de seu nascimento.
    Petra apanhou o envelope com hesitao. No sabia se estava.
    pronta para ler o que o pai escrevera. Sempre o considerara um home1n de slidos valores morais e de grande honra. E se lesse algo que abalasse sua crena...
    - Leia - o av insistiu com impacincia.
    Petra respirou fundo.
    
    Para aquele que  o pai de minha amada Mirna, eu tenho o prazer em informar que agora sou pai de um lindo beb.
    Quando Mirna entrou em minha vida acreditei que no haveria espao em meu corao para amar outra pessoa, mas eu estava errado. Eu lhe escrevo para contar como 
foi maravilhoso o nascimento de Petra e para lhe dizer que agora ns dividimos a mesma situao, ambos somos pais, e que ns recebemos a ddiva de sermos pais de 
duas mulheres.  na qualidade de pai que eu lhe escrevo implorando para que reconsidere sua deciso de excluir Mirna de sua famlia. Eu me casei porque eu tenho 
certeza de que posso dar a Mirna todo o amor de que ela precisa. Ns nos amamos, amamos nossa filha e nossa vida est repleta de amor e alegria. Mas e voc?
    Voc virou as costas para a sua prpria filha, negando o amor que ela sente por voc.
    Mais uma vez eu lhe imploro para que reconsidere sua deciso e ponha seu orgulho de lado. Eu sei o quanto significa para Mirna ouvir uma palavra sua, especialmente 
neste momento.
    Qualquer que seja sua deciso, eu prometi a minha filha que voc, seu av, e o resto da famlia ficaro informados sobre sua vida.
    
    A carta continha a assinatura oficial de seu pai, mas Petra via aquelas letras com dificuldade, pois suas mos tremiam e seus olhos estavam marejados de lgrimas. 
Mesmo que por um segundo, sentia vergonha por ter duvidado de seu pai.
    Aps apanhar a carta de sua mo e coloc-Ia novamente na caixa, o av disse, rspido:
    - Seu pai era um homem bom, no entanto no era o homem que eu escolhi para a minha Mirna.
    - Meu pai era uma pessoa maravilhosa. Um homem muito especial - Petra corrigiu-o com orgulho.
    Sua me saberia que o marido tinha escrito tal carta? Mesmo que soubesse, nem ela nem seu pai haviam lhe contado! De repente, apesar dos planos secretos do av, 
sentia-se feliz por ter vindo a. Zuran!
    - Ele entendeu meus sentimentos de pai - o av recoriheceu.
    Petra fechou os olhos para conter a intensidade das emoes que estremeceram seu corpo.
    - Voc diz isso agora! Voc afirma que amava minha me, mas nunca a procurou para... - Petra recusou-se a dizer a palavra "perdoar", pois de acordo com seu entendimento, 
era sua me que tinha o direito a tal presente, no seu av! - Voc deveria saber o quanto significava para ela ouvir uma palavra sua!
    Era impossvel para Petra esconder seus sentimentos, ou sua dor por mais tempo. Sabia que o av deveria ouvir toda a mgoa guardada em seu peito. .
    - Quando ela foi embora voc disse que nunca mais permitiria que seu nome fosse pronunciado nesta casa. Voc disse que ela estava morta para voc e para toda 
a famlia, voc os proibiu de ter qualquer contato -com ela. Voc a deixou morrer pensando que voc no a amava mais! Como pde fazer isso? - Petra explodiu, soluando 
como uma criana.
    Enquanto ela procurava controlar-se, percebia a dor invadir os olhos do av. De repente o corpo daquele homem contraiu-se um pouco e ele parecia mais velho e 
frgil do que quando entrou na sala.
    - No h nada que eu possa dizer para aliviar a sua dor.
    Nenhuma palavra ir diminuir seu sofrimento, ou o meu - ele disse com sobriedade. - Ainda  muito cedo. Talvez com o tempo... Mas na minha idade o tempo no 
 mais um aliado. Desculpe por minha desateno com voc, Petra, mas agora que meu mdico parou com todo o seu alarde intil, eu darei instrues para que um quarto 
seja preparado para voc. Ns dois temos muito que  conversar.
    Como, por exemplo, sobre sua vontade de me ver casada com o homem de sua escolha?, Petra suspeitou, e abruptamente psse na defensiva; ele poderia parecer frgil 
e arrependido agora, mas ela no iria se esquecer da esperteza e falsidade de que sempre fora capaz.
    E uma vez que estivesse morando ali, embaixo de seu teto, ela seria como uma prisioneira. Sem o passaporte no tinha como deixar o pas Isso significava que 
deveria manter o seu plano de fazer com que Rashid se recusasse a aceit-Ia como esposa.
    Mesmo que isso significasse ver Blaize novamente e enfrentar os riscos deste encontro?
    Sem meios para encontrar uma resposta verdadeiramente racional para suas dvidas, Petra quis mostrar ao av sua firme determinao de permanecer independente.
    - Eu fiz uma reserva para uma viagem at o deserto amanh, por isso...
    - O deserto! - Para sua surpresa, os olhos dele se arregalaram de prazer e aprovao. -  uma boa idia que voc se interesse pelo pas que faz parte de sua 
herana cultural. Eu gostaria muito de poder acompanh-la! Mas voc pode me contar tudo o que viu depois! Eu informarei no hotel que Kahrun ir busc-Ia quando voc 
voltar.
    Ele parecia estar cansado, mas instintivamente Petra sentia que seu orgulho era grande demais para que ele admitisse qualquer fraqueza. Quaisquer que tenham 
sido as suas mentiras, Petra percebia agora que ele realmente estivera doente. A pele acinzentada e o rosto plido denunciavam sua fraqueza. Uma emoo inesperada 
e indevida tomou conta dela: uma sensao de proximidade e os laos de sangue que os uniam simplesmente a desarmavam e ela sentia que no tinha armas para lutar 
contra essa emoo. Ele era seu av, o homem que dera vida  me que amara tanto, e a ponte pela qual pod!3ria reviver as suas mais preciosas lembranas.
    Sufocando o soluo em sua garganta, Petra levantou-se, e como o av estendeu-lhe as mos, Petra respondeu ao carinho.
    - Amada criana de minha amada filha - ele murmurou emotivamente quando a porta se abriu e Kahrun, seu secretrio, entrou para lev-la de volta ao hotel.
    Apenas aps ter chegado ao hotel Petra questionou-se sobre o porqu de no ter desafiado o av, j que conhecia suas verdadeiras intenes. Ser que as emoes 
que ele demonstrara eram realmente verdadeiras? Ou ele estava apenas tentando manipul-Ia? No seria ela boba o bastante para ser influenciada pelo seu aspecto frgil, 
por uma carta antiga de seu pai e por algumas palavras carinhosas?
    Mas a situao era muito mais complexa! Muito mais! Na presena de seu av, na casa que fora de sua me, Petra era forada a mergulhar fundo em sentimentos ocultos 
no fundo de sua alma.
    A morte dos pais a obrigara a crescer antes do tempo, a amadurecer quando ainda era jovem, e de certa forma, representar para si mesma o papel de pai e me. 
Seu padrinho, apesar de sua ateno, era um diplomata, um homem dedicado  carreira, e na realidade no tinha a menor idia das necessidades de uma garota de dezessete 
anos. Petra sabia muito bem que, se fosse uma pessoa diferente, poderia ter perdido o rumo. O estilo de vida de seu padrinho permitia a ela uma liberdade quase total, 
fazendo com que a vida lhe cobrasse decises mais adequadamente tomadas por um adulto. Dessa forma ela precisou "policiar" seu comportamento e se tomar responsvel 
por suas emoes e por sua reputao.
    Naquela tarde, na companhia do av, percebeu como era pesado o fardo que carregava e como sentia falta de algum para ajud-Ia, aconselh-Ia, gui-la e am-la! 
Ela precisava da famlia que lhe fora negada!
    Ela reconhecia que havia um grande perigo no ar. Uma vez que necessitava da aceitao de sua "famlia" a tal ponto, poderia cair na armadilha de trocar sua liberdade 
e independncia por esse reconhecimento!
    O peso de seus pensamentos fazia a sua cabea latejar.
    
    
    CAPTULO VI
    
    Petra estudava sua imagem refletida no espelho do quarto e tentava afugentar o sono. Quase no dormira na noite anterior e, alm disso, os poucos momentos em 
que conseguira se desligar foram povoados por sonhos sombrios nos quais era perseguida por um homem de tnica branca cujas feies no pde distinguir. Em seu pesadelo 
pedia ajuda a Blaize, mas ele, mesmo podendo v-Ia, a ignorava e se divertia, rodeado por um bando de mulheres. Uma vez apenas ele a fitara, balanara a cabea e 
dissera com crueldade: "V embora, pequena virgem. Eu no quero voc".
    E de manh, mesmo aps o fim da noite, Petra sentia como se uma sombra negra ainda pairasse sobre ela. No havia mais tempo para convencer Rashid de que ela 
no era uma boa esposa, e mais uma vez Blaize a abandonava.
    Lentamente saiu da frente do espelho. J preparara uma pequena mala para passar a noite e vestira um traje que esperava ser adequado para enfrentar o deserto. 
Usava uma blusa de mangas curtas, cala cqui e sapatos esportivos e resistentes. Levava tambm uma jaqueta de mangas compridas, um chapu, culos escuros e uma 
garrafa d'gua. Contudo, o esprito de aventura e o entusiasmo que haviam motivado a viagem tinham desaparecido, deixando um triste vazio em seu lugar.
    Agora ela estava com medo, Petra admitiu tremendo. E com toda razo! Seus pensamentos a deixavam atordoada! No havia sentido em acreditar que amava Blaize.
    Amar? Desde quando a palavra amor entro no jogo? Ela tentou zombar da situao.
    Apenas dois dias antes no queria admitir que estava sexualmente atrada por ele, e dois dias antes disso nem sabia de sua existncia. E nesse momento, tentava 
se convencer de que o amava! No, no era nada disso, corrigiu-se. Ela no o amava.
    O telefone tocou e ela alcanou o aparelho depressa. Era a recepcionista avisando que sua conduo chegara.
    Apanhando a mala, Petra disse a si mesma que um tempo para pensar lhe faria bem. Era uma pena viver nesses tempos modernos. 
    No passado seria simples montar num camelo e atravessar a fronteira sem precisar apresentar um passaporte...
    Um grupo de recm-chegados se aglomerava no saguo e a organizao do passeio no pde fazer nada por Petra seno apontar para o veculo que os aguardava do 
lado de fora.
    Mesmo seus culos escuros no conseguiram proteg-la da forte luz do sol que ofuscou seus olhos no trajeto at o automvel.
    Enquanto tentava se acostumar com a claridade sentiu algum tirar a mala de suas mos, e em seguida segurar sua cintura para ajud-la a sentar-se no banco da 
frente do automvel. Ouviu a porta do passageiro se abrir e logo depois o porta malas se fechar. Quando o motorista entrou no carro e ela virou-se para olh-lo, 
no pde disfarar a surpresa!
    - Blaize! - exclamou com a voz fraca. - O que voc est fazendo aqui?
    Petra quis desviar o olhar enquanto procurava recuperar o flego. O aperto no peito era to intenso que chegava a doer, e um forte calor, reao  presena inesperada, 
percorreu-lhe o corpo.
    - Voc reservou uma viagem para o deserto - ele disse enquanto punha o automvel em movimento.
    - Sim... Mas...
    - Mas o qu? - desafiou-a como se nada estivesse acontecendo. - Eu pensei que faria sentido. O deserto  um lugar extremamente sedutor, e seu pretendente no 
vai gostar nem um pouco de saber que sua futura noiva passou a noite com outro homem. E como foi o encontro com seu av? Tudo perdoado? - petulante, ele mudou de 
assunto.
    - Minha me  quem deveria perdo-lo - Petra retrucou.- Mas ela morreu acreditando que ele no a amava mais.
    Houve um pequeno silncio antes que Blaize falasse num tom estranhamente srio:
    - Ento eu imagino que seu av deve achar muito difcil perdoar a si mesmo.
    - Eu no tenho nada a ver com os sentimentos dele! _ Petra esbravejou, logo se interrompendo, pois sabia que no era verdade. - Eu pensei que ele fingia estar 
doente - contou a Blaize.
    - E ele fingia?
    - No - informou-lhe. - Mas isso no significa que ele tenha o direito de fazer o que pretende com minha vida. 
    - Talvez ele ache que esse casamento v fazer bem para voc - Blaize sugeriu. - A gerao dele ainda acredita que uma mulher precisa de um protetor, de um marido. 
Alm disso, ele manteria voc aqui, perto da famlia de sua me e a sustentaria.
    - O qu? - tornou ela, incrdula. - Como pode dizer isso depois do que eu lhe contei? Meus sentimentos... Minhas necessidades... So a ltima coisa com que ele 
se preocupa.
    - Voc acredita que seja assim! Se pudesse deixar Zuran agora, o que voc faria... Para onde iria?
    Petra olhou-o atentamente. Por que de repente ele estava bancando o advogado do diabo? Por diverso?
    - Eu iria para casa... Para a Inglaterra. Eu tenho vinte e trs anos e em breve pretendo fazer minha ps-graduao. H tanta desigualdade no mundo, pude ver 
isso quando trabalhei na rea de servio social. Eu gostaria de fazer alguma coisa para ajudar as pessoas.
    - Como esposa de um homem rico voc pode fazer bem mais do que num simples emprego.
    - Eu j lhe disse, nunca poderia me casar com um homem que eu no ame e respeite. E pelo que Saud me contou, eu deveria ador-lo como a um deus! Saud o idolatra 
e no v a hora em que eu me case para poder dizer que Rashid  seu parente. E  claro que ele no  o nico! Pelo que parece, minha famlia inteira est delirando 
de alegria com a possibilidade deste casamento.
    - Seu primo parece uma fonte preciosa de informaes - Blaize comentou com secura, deixando Petra um tanto preocupada.
    - Saud  jovem e impressionvel. Como eu disse, ele idolatra Rashid e acredita que ele no pode me causar mal algum.
    - s vezes um modelo e mentor pode ser til a um jovem.
    - Oh, eu concordo com isso. Mas se um homem simplesmente classifica as mulheres em dois grupos, boas ou ms, virtuosas ou imorais, enquanto ele pode fazer tudo 
o que quer, deixa de ser, na minha opinio, um modelo a ser seguido.
    - Se voc. olhar para a sua esquerda, poder ver os cavalos da familia real sendo exercitados - Blaize a interrompeu calmamente.
    Petra sentiu-se tentada a prosseguir com suas crticas, mas quando viu os cavalos correndo, a excitao diante de tamanha demonstrao de fora fez com que se 
calasse e aplaudisse os animais em silncio.
    - Voc ainda  totalmente contra esse casamento? - Blaize perguntou minutos mais tarde.
    -  claro que sim. Por que no seria? Nunca vou me casar com um homem que no amo.
    - Quem sabe voc comece a am-lo depois do casamento.
    Petra olhou-o com desprezo.
    - Nunca - negou com veemncia. - E mesmo que eu fizesse isso, duvido que um sheik correspondesse aos meus sentimentos. O nosso casamento significaria para ele 
um acordo diplomtico bem sucedido. Eu preciso fazer com que ele mude de idia e se recuse at em considerar essa idia.
    - Voc j parou para pensar que ele pode estar sentindo a mesma coisa? Por que no se encontra com ele e, quem sabe, discute o assunto?
    Petra lanou-lhe um olhar fulminante.
    - Ao contrrio de mim, ele teve a chance de dizer no! Afinal, com toda a sua influncia, ele poderia simplesmente no aceitar, e pronto. Mas por que voc, de 
repente, est to interessado em promover esse casamento? Voc no quer mais ganhar o que combinamos?
    Ou ser que ele a queria fora de sua vida por ter percebido como ela se sentia a seu respeito? Um homem como ele definitivamente no ia querer uma mulher apaixonada 
aos seus ps!
    Apaixonar-se? Mas ela no se sentia assim, no  mesmo?
    Petra fechou os olhos. desconsolada. Ser que ela j no tivera desiluses sentimentais suficientes em sua vida? .
    - Segure-se. Daqui a pouco ns vamos sair da estrada e entrar no deserto - Blaize avisou sem tirar os olhos da pista.
    Petra agarrou-se firme. ao banco quando eles entraram no terreno irregular e percorreram um caminho que parecia completamente indefinido. Blaize, no entanto, 
no teve dificuldade para seguir as tnues marcas de pneus no solo arenoso.
    Dentro de poucos minutos viram-se totalmente cercados por dunas de areia. Um tanto ansiosa, Petra virou-se e olhou para trs.
    - Como... Como voc sabe o caminho? - perguntou, insegura.
    - Eu sei a direo certa por causa da posio do sol - ele informou, indiferente, completando em seguida: - Alm do mais, os automveis prprios para esse tipo 
de terreno so equipados com bssola e computador de bordo. Uma tempestade de areia forte pode, alm de reduzir a visibilidade a zero, apagar todas as trilhas. V 
aquele pssaro ali? - ele apontou uma ave distante.
    - O que ?
    -  um falco - ele respondeu estendendo a mo at o console. Por um instante as pontas de seus dedos roaram o joelho de Petra. Imediatamente o corpo dela foi 
invadido por uma onda de calor, ansioso pelo toque de Blaize. Se ela se virasse para ele, tomasse sua mo e o beijasse; se o tocasse como desejava ser tocada... 
Mas era tarde demais. Ele retirou a mo quando conseguiu apanhar o binculo. Era isso que ele oferecia para ela! Binculos! Quando ela s queria uma nica coisa 
dele...
    - Olhe com ateno. Provavelmente  um pssaro treinado.
    Alguns dos moradores mais ricos de Zuran possuem um criadouro de falces onde eles so domesticados e treinados.  um costume milenar que ainda existe por aqui.
    No momento em que Petra focalizou a ave, ela subitamente mudou de direo e sumiu de sua vista, como que respondendo a algum chamado.
    - Freqentemente ocorrem demonstraes de falces no vilarejo onde vamos passar a noite. A maioria das pessoas tem medo dos pssaros, mas na verdade os camelos 
so muito mais perigosos.
    - Minha me me contou isso.
    Era desconcertante descobrir que Blaize, o garanho da praia, mostrava-se conhecedor da cultura local e sua hist6ria. Sem a inteno de parecer pedante, ela 
prontamente lhe informou que, apesar de nunca ter vivenciado essa experincia, fazia parte desse meio cultural.
    O deserto era realmente fascinante, no entanto Petra no conseguia se concentrar na paisagem, pois a presena de Blaize dominava todos os seus sentidos.
    Isso, porm, no significava que estava apaixonada por ele, disse a si mesma com convico. Seu corao estava mais acelerado que o normal. Evitava olhar diretamente 
para ele, pois se o fizesse corria o risco de no conseguir desviar o olhar...
    examinando... admirando, admitiu para si. Mas isso no significava... nada. Nada alm de uma forte atrao fisica.
    Contudo, se fosse honesta consigo mesma, reconheceria que era mais que isso...
    - Voc parece estar com calor - Blaize constatou, interrompendo o silncio. - Voc precisa beber bastante gua. O deserto  o pior lugar para se desidratar.
    Talvez Petra devesse estar satisfeita por ele pensar que o responsvel pelo calor que sentia era o sol e no os desejos sensuais que nutria por ele.
    
    
    
    Imaginava que as lembranas da me sobre suas viagens ao deserto a tinham preparado para tudo que pudesse acontecer, mas Petra vibrava de emoo a cada duna 
que venciam. Mais adiante o osis podia ser visto em meio ao calor como se fosse uma miragem. O resort montado em pleno deserto permitia aos turistas sentir na pele 
o hbito de vida dos povos nmades que vagavam entre um osis e outro.
    Diversos automveis estavam estacionados e Blaize encostou seu veculo junto a eles.
    - Espere aqui - ele pediu. - Eu vou at a recepo descobrir qual tenda foi reservada para ns.
    Ns? O estmago de Petra contraiu-se. Minutos mais tarde Blaize retomou e eles caminharam at suas acomodaes no final do acampamento. Quando atingiram a enorme 
tenda Petra apressou-se em conferir suas dependncias. O espao era dividido em trs cmodos independentes. Aquilo no era uma simples tenda, e sim, um verdadeiro 
pavilho sobre a areia. Uma sala de estar decorada com tapetes orientais e divs de seda e . dois dormitrios. Os banheiros, cujas instalaes eram modernas e confortveis, 
eram decorados com mais simplicidade e, segundo Blaize, ficavam ao lado.
    Petra mal ouvia o que ele dizia. Ela afastou o pano que servia de porta e deleitou-se com o que via.
    Diferente de sua sute no hotel, o ambiente parecia um cenrio das Mil e Uma Noites. As paredes eram cobertas de seda de vrias cores decorada com fios de ouro 
que refletiam as luzes .
    dos abajures colocados sobre cmodas de madeira entalhada. A cama estava forrada com lenis de seda, e. era cercada por um cortinado de voil que certamente 
a cobriria por inteiro quando solto. O efeito era de opulncia e sensualidade, e Petra receou que tudo desaparecesse de repente, como uma miragem.
    - Algo errado? - Blaize perguntou do lado de fora.
    - No. ...  maravilhoso...
    -  uma mistura de Mil e uma Noites com Disney World, isso sim - ele criticou, olhando a sua volta.
    -  lindo - Petra defendeu sua nova casa.
    - Esta  a sute nupcial - ele contou com um sorriso. _ Mas no se preocupe, se no houver lua-de-mel, ou se o casal brigar, h um segundo quarto.
    A sute nupcial! Por que ficariam naquele quarto? Ser que Blaize o escolhera justamente para reforar a idia de que eles eram namorados?
    - Se voc quiser dar um passeio de camelo, a hora  agora - Blaize sugeriu, claramente indiferente  sensualidade do ambiente e  tentao que invadia Petra.
    
    - Mais caf?
    Sorrindo, Petra fez um sinal negativo com a cabea e cobriu a xcara com a mo.
    Eram quase onze da noite, as mesas j estavam limpas e tudo estava pronto para o show.
    Petra percebeu a excitao dos espectadores quando os msicos mudaram o ritmo da msica. De dentro de uma tenda uma mulher estonteante vestindo um traje tpico 
saiu danando provocativamente. Seu quadril se contorcia com sensualidade.
    As jias espalhadas por seu corpo, especialmente as de seu umbigo, reluziam com o movimento frentico de seu ventre.
    Ao seu lado um grupo fumava um cachimbo que exalava uma suave fragrncia de morango, as garotas rindo, alegres, quando tragavam a fumaa adocicada. Dizia-se 
que tal especiaria provocava uma leve euforia e Petra hesitou quando o cachimbo foi passado para ela.
    - Se voc no experimentar vai ser obrigada a se levantar e danar junto com a nossa danarina - o guia turstico provocou-a.
    Petra deu uma breve tragada relaxando com a essncia de morango. Quando se virou para oferecer o cachimbo a Blaize percebeu que ele no estava ao seu lado. Ele 
conversava com o domador de falces, que mantinha sua ave pousada em seu pulso.
    Devolveu a iguaria ao guia e percebeu que no era a nica mulher que olhava para Blaize. A danarina focalizara o olhar nele e, ignorando o resto do pblico, 
ia lentamente em sua direo com gestos provocantes.
    E Blaize... Uma sensao cortante de cime invadiu-a ao perceber que ele retribua o olhar e sorria para ela.
    Petrajulgava conhecer a dor, mas percebia agora que o que sentira era apenas uma de suas muitas dimenses. Naquele momento, observar Blaize olhar para outra, 
quando o que mais queria era sua ateno somente para ela, permitiu-lhe experimentar um tipo de aflio que no conhecia at ento!
    Pensamentos, desejos, necessidades ocultas em seu ntimo, eclodiram um aps o outro e desabaram sobre sua cabea como uma avalanche. Enterraram para sempre qualquer 
tentativa de negar o que realmente sentia!
    Desesperadamente procurou refletir sobre o que acontecia.
    Um silncio lgubre se seguiu a sua tormenta interior. Sua mente ficou como que paralisada.
    Sua intensa dor deixou-a sem flego. Ser que sua me nutrira o mesmo sentimento por seu pai? Provavelmente sim. Mas as coisas tinham sido diferentes para sua 
me. Ela sabia que era amada... Ela tinha certeza de que o marido a amava com a mesma intensidade.
    O ritmo da msica se acelerava, e Petra estremeceu diante da ardente determinao da danarina em se fazer notar por Blaize, em ser escolhida por ele. Blaize 
se virara e estava de frente para ela. A garota danava cada vez mais rpido e no instante em que a msica atingiu seu pice ela se jogou aos ps de Blaize.
    Pela reao dos guias de turismo e dos homens que trajavam a tnica branca tpica, Petra pde perceber que aquele no era realmente o final usual da dana. Instintivamente 
sabia que a garota no se oferecia com tanta frivolidade para os espectadores da maneira que fizera com ele. Naquele momento, o cime dominou-a totalmente. 
    Quis correr e afastar a danarina de Blaize e dizer-lhe que ele lhe pertencia. Mas isso certamente no era verdade!
    O pblico, como fora encorajado a fazer, jogava alegremente moedas para a moa, mas esta permanecia prostrada diante de Blaize e no se dava conta da generosidade 
dos espectadores.
    O dinheiro ficou no cho at um malabarista se aproximar e recolher a soma. .
    Petra observou Blaize admirando a garota e se perguntou o que ele estaria pensando. Ele disse algo para o homem com quem falara anteriormente, e este lhe fez 
uma leve reverncia e inclinou-se para a moa.
    O que aquele homem estaria dizendo para ela?, Petra perguntou-se com cime. Que mensagem Blaize teria pedido para o homem transmitir? Teria ele dito que gostaria 
de encontr-la mais tarde? A garota ergueu-se, lanou um olhar desafiador a Blaize, virou-se e foi embora lentamente.
    Poderia um homem recusar tal convite? E por que um homem como Blaize iria sequer tentar resistir? E por que uma mulher como ela fora se apaixonar justamente 
por ele?
    A noite caminhava para o fim. Os hspedes terminavam suas bebidas e voltavam para as suas tendas.
    Petra olhou para Blaize, que conversava com o domador e um outro homem. A danarina desaparecera e Blaize no fazia , meno alguma de ir at ela ou at mesmo 
olhar em sua direo. ' Cansada, Petra levantou-se e foi para seu pavilho, apanhou seus pertences e dirigiu-se  sala de banho. Muita coisa estava acontecendo rpido 
demais para ela. Desde que chegara quele pas fora forada a enfrentar aspectos mal-resolvidos de s vida pessoal e sentimentos muito difceis de aceitar.
    Debaixo do chuveiro, Petra desejava intensamente voltar tempo e esquecer tudo o que acontecera em Zuran, um tem em que teria rido se algum lhe dissesse que 
se apaixon por um homem como Blaize.
    O acampamento estava praticamente deserto quando Po voltou ao pavilho. O brilho tnue das luzes em seu inte criava uma atmosfera de mistrio e romance.
    Algum havia colocado um prato de tmaras numa das sas de madeira e ajeitado grandes almofadas de seda na frente. Petra, no entanto, no se sentia com nimo 
para nada, uma vez que seu corao fora inundado por uma grande angstia por causa de seu amor no correspondido. Mesmo que Blaize retribusse seus sentimentos, 
que futuro poderia haver para eles?
    No era uma questo de dinheiro. Blaize poderia no ter nada e ela o amaria mesmo assim. Como no se sentir aflita por amar um homem que usava seu corpo da maneira 
que ele fazia? Isso era o que mais a machucava. Ainda mais do que imagin-Io com outra mulher? A danarina, por exemplo?
    Petra cerrou as mos. Onde ele estaria agora? Ele no se achava no quarto. O pano que cobria a entrada estava recolhido e ela podia ver o interior do aposento.
    Diferente do seu, as "paredes" do quarto dele eram feitas de um tecido mais pesado, mais grosso, ornamentado com mais ouro. 
    Havia um bonito tapete no cho e sobre a cmoda um prato com pedaos de bolo e uma jarra de caf.
    Parecia o aposento de um prncipe rabe, Petra admirou-se. O lugar perfeito para o prncipe levar a danarina que escolhesse.
    Rapidamente Petra suprimiu esse pensamento. Blaize no era nenhum prncipe, muito menos rabe, e a danarina...
    Onde ele se encontrava? O resort achava-se totalmente mergulhado' no silncio, e mesmo assim ele no aparecia.
    Agitada, Petra perambulava pela sala de estar quando a porLa do pavilho se abriu e Blaize entrou. Estava sem camisa e tinha uma toalha nos ombros. O perfume 
do deserto alastrou-se polo ambiente.
    O corpo de Petra derretia por dentro ao olhar boquiaberta para aquele torso nu.
    Na primeira vez em que o vira assim no pde reparar na perfeio de seu corpo, mas naquele momento foi capaz de sentir-lhe toda a sensualidade e masculinidade.
    De repente, reparou em um arranho em seu brao do qual ainda saam gotculas de sangue. Petra sentiu o mundo girar e foi tomada pelo cime. Ele estivera com 
a danarina e ela deixara sua marca em seu brao! 
    A marca de sua paixo!
    - Onde voc esteve? - Petra bradou antes que pudesse raciocinar e avanou para cima dele com os punhos cerrados, furiosa. - Como se eu no soubesse! Ela era 
boa? Melhor que as turistas ricas que pagam por seus favores?
    - O que...
    Na velocidade de um relmpago a expresso dele tornou-se sria e concentrada. A raiva era evidente em seu rosto.
    - Que burra eu sou! - Petra gritou, enfurecida, no se fazendo de rogada. - Eu pensei que ns estvamos aqui para convencer a todos de que somos namorados! Mas 
pelo jeito eu estava errada! Pelo visto o que importa para voc  aproveitar os favores sexuais de uma danarina do ventre! Mas  claro que vocs dois tm algo em 
comum, no  mesmo? Vocs dois trocam sexo por dinheiro e...
    Petra emitiu um som esganiado quando sentiu que era erguida. Seus braos eram como dois gravetos na mo de Blaize, que a levantou at a altura de seus olhos.
    - Voc deveria ter certeza do que diz antes de sair por a proferindo insultos a torto e a direito - ele vociferou. _ Ah, se voc fosse um homem... - desafiou-a. 
Sua voz transformouse num rosnado: - Voc no  nem uma mulher... Voc  apenas uma virgem histrica que est louca para saber como  que . No negue! Est escrito 
na sua cara e em todos esses seus olhares que voc me d, ou pensa que eu no percebo? Voc est desesperada para fazer sexo, no  mesmo? Bem, desculpe desapont-la, 
mas voc no desperta meu interesse.
    - Voc quer dizer que eu no lhe ofereci o suficiente? _ ela o insultou sem pena.
    - Dinheiro suficiente? - Para desgosto de Petra, ele soltou uma sonora gargalhada. - Ao contrrio do que voc imagina, no  o dinheiro que me atrai, que me 
faz querer uma mulher e lutar por ela com todas as minhas foras. Acordar do lado dela de manh, sabendo que meu toque ainda est em seu corpo, sentir que o cheiro 
dela  meu tambm. Mas voc no sabe nada sobre isso, no  mesmo? Voc no sabe nada sobre os desejos de um homem...A compulso que faz com que ele queira uma mulher. 
Voc quer que eu lhe mostre?  isso que voc quer?
    Petra sabia que deveria negar tudo o que ele dizia... Recusar-se a aceitar o que ele lhe oferecia. Mas tudo que pode fazer foi fit-lo indefesa e imvel quando 
ele a beijou.
    Petra no conseguiu impedir um gemido quando seus lbios se encontraram. Ela agora sentia na pele o que era realmente desejar algum como se sua vida dependesse 
disso. Nunca um nmade precisou tanto de gua em pleno deserto como ela precisava de Blaize agora!
    Ela o beijava com avidez,. abraava-o com fora, dominada pela presso da lngua dele contra a dela.
    - Por que eu estou fazendo isso? - ele perguntou de repente, afastando-se, descontrolado, antes que Petra pudesse impedi-lo. 
    - Eu devo estar ficando louco! A ltima coisa que eu quero agora ... - fez uma pausa balanando a cabea, mas Petra podia adivinhar o que ele estava prestes 
a dizer!
    A ltima coisa que ele queria era ela!
    Movida pela repentina sensao de rejeio, como que tomada por algum esprito primitivo, ela reagiu s palavras cruis e insultuosas e ergueu a mo na direo 
do rosto de Blaize.
    Quando a palma de sua mo atingiu-lhe o queixo, uma expresso de espanto cobriu-lhe a face. O corpo de Petra estremeceu violentamente, como se fosse ela a pessoa 
agredida.
    Ela sentiu quando Blaize a soltou e seus ps tocaram o cho e de repente viu-se deitada em sua cama, sozinha em seu quarto. 
    Ela tremia e s conseguia se lembrar. do estalo provocado por sua mo ao tocar a pele de Blaize.
    Como pudera cometer tal ato? Ela era contra qualquer tipo de violncia. Sentia-se enojada consigo mesma por ter agido daquela forma, e seus olhos nem ao menos 
forneciam as lgrimas que serviriam para aliviar a sua dor.
    
    
    CAPTULO VII
    
    Desolada, Petra encarava a solido de seu quarto. Fazia uns vinte minutos que Blaize a deixara, mas cada segundo naquela cama vazia parecia uma eternidade. O 
amor no correspondido que sentia por ele e o profundo sentimento de culpa por t-Io agredido encheram seu corao de tristeza.
    Por mais razes que tivesse, por maior que fosse a provocao que enfrentara, no conseguia perdoar-se por seu ato. Sua imensa dor no justificava tal atitude. 
Era como se um demnio dentro dela tivesse dado aquele tapa.
    De acordo com os ensinamentos de seus pais ela devia desculpas a Blaize. As atitudes dele no eram problema seu. Ela no poderia nunca agir de maneira a perder 
a razo.
    Desculpar-se com ele? Mesmo depois do que ele disse? Mesmo depois do que ele fez? Tendo atiado seu corpo, fazendo com que ela fervilhasse de desejo para depois 
rejeit-Ial Nunca. Nem sob tortura, Petra jurou dramaticamente para si.
    No entanto, cinco minutos depois, quando o remorso venceu o orgulho, Petra cedeu. Se esperasse mais tempo correria o risco de encontrar Blaize mergulhado no 
sonol Ansiosa, ela apanhou seu roupo e suspirou profundamente.
    Do lado de fora de seu quarto a luz tnue das lamparinas criava longas sombras.
    Seu pedido de desculpas no poderia ficar para amanh?
    Blaize j devia estar dormindo... uma voz sussurrou na mente de Petra. Ela, porm, ignorou essas palavras. Tinha cometido um erro e precisava consert-lo.
    Com um suspiro, Petra abriu a porta do quarto de Blaize.
    Enquanto seus olhos se acostumavam  escurido pde sentir as batidas do prprio corao e instintivamente colocou a mo no peito, como se quisesse silenci-lo.
    A luz da lua era suficiente para iluminar o corpo de Blaize dormindo sob os lenis. Ele estava deitado de lado, o rosto virado em sua direo, mas Petra no 
conseguiu perceber se ele estava realmente dormindo. Murmurou seu nome, mas no houve resposta. Estaria mesmo dormindo?
    Se fosse embora naquele instante ele nunca saberia que ela estivera l. Antes que pudesse sair, o orgulho herdado do av impediu que ela deixasse o quarto sem 
conferir se ele realmente dormia.
    Caminhou at a cama de cabea erguida. Hesitante, olhou para Blaize. Estaria ele dormindo? Certamente no se movia.
    Em silncio, aproximou-se e apoiou o joelho na cama para poder v-lo de perto.
    Sussurrou seu nome. Se ele no respondesse e estivesse dormindo, poderia voltar para a sua cama com a conscincia tranqila e guardar suas desculpas para o dia 
seguinte com a certeza de que fizera o possvel.
    Ele no emitia som algum. Um tanto aliviada, Petra inclinou-se para trs mas, para seu espanto, Blaize moveu-se e segurou-a pelo pulso, e perguntou de modo severo:
    - Vagando pela tenda, Petra?
    Os dedos dele queimavam-lhe a pele e apertavam seu pulso como se ele quisesse monitorar os batimentos de seu corao.
    - O sangue corre to rpido em suas veias como numa gazela que foge em uma caada.
    - Voc... Voc me assustou. Eu pensei que estivesse dormindo!
    Blaize a soltou e ela estremeceu. Movendo-se como um felino, ele afastou os lenis, acendeu a lamparina e indagou com ironia:
    - Se voc pensou que eu estava dormindo, ento o que faz aqui?
    Um novo tremor percorreu o corpo dela e a expresso no rosto de Blaize transfonnou-se repentinamente. Franzindo a testa perguntou:
    - O que foi? H algo errado? Voc est se sentindo bem? s vezes o ar do deserto pode...
    - Eu estou bem - ela garantiu. -  que... - Mordendo o lbio, lutou contra o desejo de fixar o olhar no peito nu de Blaize.
    Assim como ela, ele parecia no gostar de pijamas. No entanto, uma rpida olhadela em uma parte de seu quadril musculoso e nos plos escuros que lhe desciam 
pelo ventre rgido mostrou que ele tampouco usava short para dormir.
    - Tudo bem? - ele repetiu. - Ento o que foi...
    Pensar em pedir desculpas a Blaize deitada na prpria cama era uma coisa; agora, fazer isso sentada na cama dele consciente de sua nudez era outra muito diferente! 
E se ela no tomasse cuidado... Correria o grande risco de ignorar completamente o que fora fazer ali...
    Voltou a ateno para os arranhes no brao de Blaize. Eles no sangravam mais, mas podia perceber que ainda estavam inflamados.
    No momento em que desviou o olhar, os olhos de ambos se encontraram e Petra ficou hipnotizada...
    - Para seu governo, eles no foram causados por Shara...a danarina - comeou, com calma. - O domador de falces estava treinando uma ave jovem que ficou muito 
agitada de repente e eu fui ajud-lo. - Ele deu de ombros. _ Eu disse a ele que esse pssaro estar completamente domesticado quando ficar adulto. Eu acho que ele 
se ressentiu por estar nas mos de algum que  no  o seu dono.
    - Um falco arranhou voc?'- Petra suspirou, a face corada pela culpa. Agora devia a ele no uma, mas duas desculpas.
    Num gesto inconsciente, ela olhou novamente para o brao dele e, incapaz de se conter, inclinou-se para frente e gentilmente acariciou a ferida com os lbios.
    Quando beijou o ltimo machucado, sentiu o corpo de Blaize estremecer. Triste, virou o rosto e fitou-o nos olhos.
    - Eu vim aqui pedir desculpas - ela disse calmamente. _ Eu no devia... ter feito o que fiz.
    Houve uma pausa tensa em que Petra pde sentir o pulsar de suas emoes, como se tivessem vida prpria.
    - No faa isso, Petra! - ele murmurou, a voz rouca, e continuou em seguida, com mais firmeza: - Por que... por que voc veio at aqui? - Ela fez meno de deixar 
o quarto e assustou-se quando Blaize se inclinou, segurou-lhe as mos e as apoiou no peito nu. Ele fitou-a com intensidade e depois deixou o olhar pousar-lhe nos 
lbios, densos de sensualidade.
    - Voc sabe que no deveria estar aqui, no  mesmo, minha pequena virgem?
    Sua pequena virgem? O corao de Petra deu um sobressalto.
    - Eu...
    Eu preciso ir embora, Petra esteve prestes a dizer. Mas de repente, Blaize comeou a beij-la... Beijou-a lentamente, roando seus lbios contra os dela seguidas 
vezes, fazendo com que ela desejasse a eternidade daquele toque.
    Blaize segurava a mo de Petra de encontro ao peito, e ela podia sentir o batimento vigoroso de seu corao.
    Ele beijava a ponta de seu nariz e ela, de olhos fechados, recebia as dezenas de beijinhos por toda a face. Ento ele soltou as mos de Petra para poder tocar-lhe 
o rosto, afastar-lhe os cabelos e beij-la sensualmente na ponta da orelha.
    Petra ouvia os prprios sussurros, um som desconhecido que revelava a urgncia em saciar seus desejos. Virou a cabea, os olhos ainda cerrados, procurando o 
calor da boca de Blaize.
    Ele acariciava os ombros dela e lentamente afastou as alas de sua camisola. Completamente excitada, ela acariciava os plos no peito de Blaize.
    A luz tnue da lamparina permitia que ela visse seu reflexo no espelho. Sua pele clara contrastava com o tom moreno de Blaize e ela podia ver a imagem de seus 
seios enrijecidos.
    Se ele os tocasse agora, os envolvesse em sua mo e afagasse seu mamilo... Seu corpo estremeceu com seus prprios pensamentos. Como se lesse seus pensamentos, 
Blaize cobriu-lhe um dos seios com a mo e beijou-a com uma delicadeza provocante, fazendo com que ela entreabrisse os lbios com sofreguido.
    Sensualmente, Petra correu a ponta de sua lngua nos lbios dele at que ele a capturou sutilmente entre seus dentes e fez a prpria lngua escorregar para o 
interior da boca macia de Petra.
    Quando um gemido de prazer escapou da garganta de Petra, ela o sentiu afastar-se bruscamente.
    - No, Petra! - ele disse, atordoado. - Isso no ...
    Como no queria escutar o que ele estava prestes a dizer, Petra silenciou-o com os dedos, beijou avidamente seu rosto e murmurou em sua orelha: 
    - , sim... Eu quero!
    Ento ela afastou os dedos e o beijou com fora, apertando seu corpo contra o dele. Ela era virgem, mas isso no significava que ela no sabia o que era paixo... 
e desejo por ele!
    Ao deslizar as mos pelo corpo dele, incapaz de controlar-se, Petra sentiu-o enrijecer e estremecer. A pele dele era quente e macia e Petra sabia que nunca se 
cansaria de acarici-lo. Beijava-lhe o pescoo, provocava-o com a lngua, desafiando-o com seu xtase.
    Ele permanecia imvel, e ela mergulhou os dedos nos plos espessos de seu corpo.
    - Petra, voc  virgem - ouviu-o protestar. - Eu no posso...
    Ignorando suas palavras, os lbios dela percorreram o caminho de plos que lhe descia pelo estmago. Sua lngua rondava lentamente seu ventre e Petra se viu 
tomada por uma ousadia que antes a teria chocado. Nunca imaginara que na primeira vez que fizesse amor seria ela quem tomaria a iniciativa, fazendo movimentos to 
audaciosos e provocativos que, ao mesmo tempo, a escandalizavam e excitavam.
    - Eu no quero... - ela escutou Blaize grunhir.
    - Ah, sim, voc quer - ela retrucou, confiante, as pontas dos dedos j explorando a rigidez de seu membro.
    Aquele msculo que pulsava, rgido, a fascinava e a impelia.
    Pecaminosamente, ela o percorreu com a boca, to imersa em sua onda de prazer que foi pega de surpresa quando ele a agarrou e colocou-a de costas na cama segurando-a 
enquanto admirava seu corpo esguio, seus seios, a cintura estreita. Notou-lhe a expresso grave quando ele descobriu o pequeno diamante preso a seu umbigo.
    - Quem lhe deu isso? - ele indagou bruscamente.
    Confusa, Petra tocava a pedra com a ponta do dedo.
    - Quem foi ele, Petra? - ele continuou com tamanha selvageria que a fez sentir um arrepio por todo o corpo. Ele estava com cime! Por um instante, fantasiou 
a idia de dizer que ele tinha um rival, que um outro homem olhara para seu corpo e colocara sua marca nele. Mas a honestidade inerente a ela descartou a idia.
    - Eu o comprei! - contou, sincera. - Umas amigas minhas me disseram que eu no era o tipo de pessoa que usaria algo assim, ento eu... - ela deu de ombros.
    - Esse  o tipo de presente que s um homem pode dar a uma mulher - Blaize insistiu, o olhar sombrio e quente de desejo.
    - No nos dias em que vivemos - Petra contradisse.
    - Ento que outros adornos voc colocou? - Blaize indagou com suavidade enquanto a acariciava.
    Agora era a vez dele de provoc-la. Beijou-a com extrema destreza, a boca deslizando rapidamente do pescoo at o trmulo ventre.
    Da mesma forma que ela fizera, ele beijou seu umbigo e, com a lngua, brincou com o diamante enquanto uma das mos explorava o sexo de Petra, fazendo o corao 
de Petra girar dentro do peito numa excitao indescritvel.
    - Em nenhum outro lugar - ela suspirou, mesmo sabendo que suas palavras eram inteis porque Blaize j havia descoberto que no havia nenhum outro tipo de enfeite 
escondido em seu corpo!
    Ele se afastou um pouco e a fitou para sentir em sua expresso o efeito que seu toque produzia naquele corpo.
    - Eu quero voc - ela disse, a voz rouca. - Eu quero voc agora, Blaize.
    Mas quando ela quis abra-lo, ele afastou-se ligeiramente.
    - Espere! - pediu ao abrir a gaveta da cmoda ao lado da cama. - Eu s espero que quem planejou esse ninho de amor tenha tomado as devidas precaues - ele murmurou.
    Desnorteada, tentou espiar o que ele procurava e quando viu o que ele tinha na mo sua face corou ligeiramente.
    At aquele momento, tudo que ouvira sobre "sexo seguro" era problema das outras pessoas!
    Mas Blaize certamente era mais experiente que ela, e em pensamento agradeceu por ele ser to consciente!
    Sua excitao cresceu por saber o que ele estava fazendo e o que aconteceria em seguida! Quando ele ficou pronto e se virou para ela tomando-a nos braos, Petra 
estremeceu em delrio.
    Ela pensava que sabia o que era desej-lo! Mas estava errada!
    Desde sempre, pelo que ouvira dizer e lera em diversos artigos de revistas ou livros, ela carregou consigo a convico de que a primeira vez nunca  boa. Novamente 
ela se enganara!
    No sabia que poderia ser assim to natural, de maneira que ela instintivamente o tocava e desejava que ele tambm a tocasse, convidando-o, at que estremeceu 
com a indescritvel sensao de receb-lo lentamente no interior de seu corpo...
    Agora ela sabia.
    Todos os suspiros que ele deixava escapar enquanto a possua e completava representavam a vida em seu maior esplendor.
    E quando Petra pensou que tinha se acostumado completamente com a sensao daquele corpo junto ao seu, ele alterou o ritmo de seu corpo, intensificando os movimentos, 
penetrando-a com vigor, como se a avisasse que seu corpo estava pronto para o amor.
    E como estava!
    Sem pensar, Petra envolveu-o com as pernas para permitir que ele investisse com mais fora, para que a intimidade que compartilhavam fosse to intensa e docemente 
insuportvel que lhes proporcionaria todas as nuances do prazer at que atingissem a paz dourada que os aguardava.
    
    _ Hum... _ Sonolenta, Petra desenhou um pequeno corao no ombro de Blaize com a ponta do dedo. Ainda no amanhecera, ele dormia e ela observava seus longos 
clios pretos iluminados pela luz suave da lamparina. Ela prpria estivera dormindo at poucos minutos antes, mas era como se seu corpo no quisesse perder nenhum 
momento junto a Blaize. Preferia ficar acordada, admirando-o, tocando-o... amando-o.
    Agora ela tinha conscincia de seu amor! Admitia isso! Mas ser que o aceitava?
    Fechou os olhos, testando as palavras dentro de sua cabea.
    Eu o amo. Eu amo Blaize.
    Sim, era verdade. Pelo jeito com que tais palavras ecoaram dentro de si, ela tinha certeza. Ela o amava! Ela amava Blaize.
    Aproximou-se dele e redesenhou com os lbios o pequenl corao imaginrio de pouco antes. Ele tinha a pele quente.
    Aquele corpo era to diferente do seu, mas mesmo assim, uma maneira maravilhosa, preciosamente familiar.
    Desde aquele instante at o ltimo dia de sua vida ela lembraria daqueles momentos. At o dia em que morresse poderia recriar em sua mente as imagens daquela 
noite. No se esqueceria de seu gosto, do calor de sua boca, do jeito Oi que a beijara.
    Com as emoes  flor da pele, Petra percorreu com a mo a silhueta de Blaize, passando por suas costas e parando na parte lateral de sua coxa.
    - No se joga esse jogo sozinho.
    Petra engasgou quando repentinamente a mo de Blaize deslizou por seu corpo at envolver seu seio e ele murmurar em seu ouvido:
    _ Voc no teria coragem de se aproveitar de um homem adormecido, no  mesmo? - ele provocou.
    _ Eu s queria saber se tocar voc seria to bom como antes.
    Petra sentiu-o mover-se e ficar tenso como se no quisesse escutar aquelas palavras. No entanto concluiu que estava errada quando ele disse:
    - E quanto a mim?
    Enquanto falava, ele, com a ponta do dedo, brincava com o bico de seu seio.
    A descoberta chocante de como era fcil para ele deix-la excitada distraiu-a. Suas mos involuntariamente apalpavam o corpo de Blaize e seu corpo estremecia 
de desejo.
    Ela beijou-lhe a boca com paixo, emitindo um som de prazer quando conduziu a cabea dele at seu seio.
    A sensao daqueles lbios envolvendo seu mamilo fez com que ela lhe cravasse as unhas nas costas fortes. Novamente a lembrana daquele corpo dentro do seu fez 
com que Petra se arqueasse e o tocasse com uma intimidade que a teria chocado vinte e quatro horas antes.
    Com o rosto ainda colado em seu peito ele gemeu de prazer com o suave toque das mos de Petra.
    Blaize soltou-a brevemente e deitou-a de costas na cama. Ela sentiu aquelas mos fortes pegarem-na pela cintura. Lentamente inclinou a cabea de encontro aO 
corpo que sabia estar prestes a penetr-la!
    - Petra... Petra...
    Seu nome foi dito com um som seco, revelando o descontrole que o acometia, enchendo-a de satisfao.
    Com as mos ainda na cintura de Petra, ele a levantou ligeiramente, aproximando-a de si e fazendo-a estremecer com a proximidade do momento em que seus corpos 
se uniriam de novo em um s.
    Eles se moviam habilmente e com intensidade, cada vez mais rpido, at que Petra viu uma expresso de prazer agonizante espalhar-se no rosto de Blaize, seu desejo 
revelado abertamente para ela quando ele gemeu e seu corpo estremeceu em espasmos violentos, ao mesmo tempo que o prazer explodia dentro de Petra.
    Ela tremia de tal maneira que mal podia se mover, nada conseguia fazer alm de aconchegar-se a ele, que a abraou e embalou.
    - Isso no deveria ter acontecido - ouviu-o dizer com a voz rouca.
    
    - Ugh, leite de camelo! Que nojo!
    Petra obrigou-se a experimentar e sorrir para a moa que estava a sua frente durante o caf da manh.
    Normalmente, Petra teria gostado da atmosfera aconchegante preparada para os turistas no desjejum, mas quando acordou naquela manh descobriu-se sozinha em sua 
cama!
    Blaize certamente a levara enquanto dormia. Por que ele no quis que dormissem juntos?
    Agora, a euforia da noite anterior desaparecera, deixando-a com uma sensao de vazio assustadora.
    Tudo de que ela precisava agora era a presena de Blaize, seu carinho, e mais que tudo, seu amor!
    
    
    CAPTULO VIII
    
    Obrigado pela carona...
    Petra observou o jovem guia agradecer a Blaize antes de descer do carro.
    Quando todos se preparavam para deixar o resort o jipe do guia quebrou.
    Lugares foram arranjados para seus companheiros em outros veculos, mas, infelizmente, no sobrara espao suficiente para ele. Dessa forma, Blaize se prontificou 
a dar-lhe rima carona de volta ao hotel.
    Evidentemente, a presena do rapaz impediu-os de conversar sobre assuntos pessoais. No entanto, Petrasuspeitava que isso no incomodava Blaize.
    Ele provavelmente estava satisfeito por ela no poder dizer nada sobre a noite passada, Petra reconheceu com tristeza.
    Afinal, se Blaize nutrisse algum tipo de sentimento por ela, mesmo que fosse apenas um pequeno percentual do amor que.
    Petra sentia, teria se declarado na noite passada em vez de Inv-Ia ao seu quarto e trat-Ia, de manh, como se ela no significasse nada para ele!
    Ela at poderia no representar nada para ele, mas com concerteza, ele era tudo que ela queria!
    Pelo menos, disse para si com uma coragem cnica, alguma coisa tinha dado certo na noite passada.
    Rashid, com certeza, no se casaria com ela nessas condies.
    No quando descobrisse que sua pretendente passara a noite com outro homem e se entregara a ele completamente! Um homem que, alm do mais, no a ama e no a 
deseja!
    Lgrimas amargas queimavam os olhos de Petra. Haviam chegado ao hotel e, sem dar a Blaize a oportunidade de falar qualquer coisa, ela abriu a porta do carro 
e saiu.
    Afastou-se mesmo quando escutou Blaize chamar seu nome.
    Talvez fosse tarde demais para deixar de am-lo, mas no era tarde para recuperar o orgulho e a auto-estima!
    Se ela tivesse significado alguma coisa para ele... qualquer coisa... ele assim o teria dito na noite passada.
    
    Uma hora mais tarde, aps esgotar todas as razes e motivos possveis e imaginveis para o comportamento de Blaize, e reconhecer que fora apenas usada, Petra 
escutou algum bater na porta de sua sute.
    Apesar de tudo que acabara de pensar, seu corao imediatamente teve um sobressalto. Era Blaize! Tinha de ser! Ela estava enganada! Havia uma explicao racional 
para a distncia que ele criara entre ambos e ele viera explicar tudo a ela, desculpar-se por t-la magoado e dizer o quanto a queria, o quanto a amava.
    Com o corao cheio de amor e felicidade, correu at a porta.
    Porm, no era Blaize que estava l, e sim, seu primo Saud.
    Desapontada, Petra no conseguiu proferir nenhuma palavra.
    - Voc est pronta? - ele perguntou.
    - Pronta? .
    - Eu avisei a minha me que ela deveria ter ligado antes para confirmar se voc estava pronta!
    Pronta! Somente ento Petra lembrou-se de que combinara ir para a manso de sua famlia. Ficara to absorta em seus pensamentos sobre Blaize que esquecera completamente 
o que estava planejado.
    - Eu... eu estou um pouco atrasada, Saud - confessou. Afinal, no deixava de ser verdade. - Desculpe-me.
    - Tudo bem - ele garantiu calmamente. - Eu no estou com pressa. Voc aproveitou sua viagem para o deserto com Rashid? Eu vi vocs juntos no carro - ele comentou.
    Petra o fitou atordoada, totalmente imvel.
    - Rashid? - perguntou incrdula. Sentiu a boca secar e o corao bater descompassadamente. - Voc me viu com Rashid?
    - Sim, em uma das caminhonetes do hotel- Saud confirmou.
    - Mas eu no estava com... - Petra ia protestar, mas foi interrompida pelas palavras animadas do primo.
    - Minha me j est planejando o casamento. Ela acha...
    - Rashid - Petra murmurou com dificuldade enquanto tentava assimilar o que Saud acabara de lhe dizer. - Mas...
    Mas o qu? perguntou-se aturdida. Mas ela no estivera com Rashid, e sim com Blaize! Blaize no era Rashid... No poderia ser Rashid...
    - Acho que agora ele est trabalhando na Sute Presidencial -ele informou com um sorriso no rosto. - Ele j lhe mostrou a sua nova vila? A que ele acabou de 
comprar perto do osis?
    - perguntou, entusiasmado. - Ele lhe mostrou seus cavalos?
    E seus falces? Eu queria um para mim, mas meu pai disse que est fora de cogitao, especialmente se eu for estudar nos Estados Unidos.
    - Saud, eu ainda... eu ainda no estou pronta. Voc poderia voltar mais tarde, digamos, daqui a uma hora? - pediu, de repente, interrompendo-lhe a fala agitada.
    - Claro!
    
    Petra olhou a porta que se fechava sem v-la.
    Saud disse que a vira com Rashid, mas ela estivera com Blaize. O que significava que Saud estava enganado ou...
    Uma sensao de nusea invadiu seu estmago. Uma suspeita pairava sobre sua cabea.
    A Sute Presidencial ficava no ltimo andar. Com o rosto plido, Petra abriu a porta do quarto, decidida.
    O que se passava por sua cabea no podia ser verdade! Saud tinha que estar errado, e ela precisava ter certeza!
    Apenas um elevador conduzia  cobertura, e quando abriu a porta e pisou no andar da Sute Presidencial, Petra estremeceu violentamente, no sabia dizer se de 
espanto, medo ou raiva.
    Blaize no podia ser Rashid. Era completamente inconcebvel eles serem a mesma pessoa! Mas, de alguma maneira que no podia explicar, os argumentos que lhe passavam 
pela cabea no eram fortes o bastante para ela ter certeza.
    No hall em frente  sute um elegante tapete felpudo abafava-lhe os passos, mas no as batidas descompassadas de seu corao.
    O que fazia ali? Blaize era um garanho da praia, um aventureiro que vivia de favores e do dinheiro de outras pessoas, um homem sem valor moral. Rashid, pelo 
que ouvira, era um executivo bem sucedido, um homem com objetivos claros na vida, um homem que se preparava para se casar com uma mulher que no conhecia exclusivamente 
para alcanar maior prestgio.
    Eles no podiam ser a mesma pessoa. Era impensvel. Obviamente Saud cometera um engano.
    Ligeiramente mais calma, Petra tocou a campainha, esperou e a porta se abriu.
    - Sim? - atendeu uma voz masculina.
    A voz era a mesma, mas no a frieza comercial que a acompanhava.
    Sentiu-se gelar quando viu o rosto de Blaize. S que no se tratava de Blaize. Era...
    Ignorando o brao de Blaize que fechava a passagem, Petra entrou na sute.
    Obviamente atrapalhava Blaize, ou melhor, Rashid, pois notara, pela toalha presa  cintura, que ele se encontrava em meio ao banho.
    - Com voc pde? - indagou, sentindo-se sufocada. - Como teve coragem? Por que voc fez isso? Por que... Me solte- Ela tentou libertar o brao quando Rashid 
o agarrou. - Me solte! - repetiu quando Blaize, Rashid, corrigiu-se amargamente, a arrastou para a sala de estar.
    Ele no parecia surpreso com a situao.
    - No at que voc se acalme e oua meus motivos - Rashid disse tranqilo. - Sente-se aqui que eu vou lhe preparar um drinque.
    Um drinque! Petra tentou se desvencilhar, mas no conseguiu.
    - O que eu preciso - ela vociferou rangendo os dentes.-  de uma explicao de... sobre o que est acontecendo... Ou do porqu voc fingiu ser uma pessoa que 
obviamente no ...
    - Eu ia lhe contar - Rashid interrompeu. - Mas...
    - Mentiroso! - Petra gritou. - Voc est mentindo para mim. Assim como fez desde o comeo! Me largue - exigiu com raiva. - Eu no suporto que voc me toque. 
Eu...
    - No foi isso que voc me disse ontem  noite - Rashid lembrou com ironia.
    Incapaz de reagir quelas palavras, e tambm aos prprios sentimentos, Petra estremeceu.
    - Na verdade, pelo que me lembro, voc pareceu gostar muito da noite passada, no  mesmo?
    Como Petra recusou-se a responder, Rashid a provocou:
    - Quer que eu a ajude a lembrar?
    Rashid puxou-a de encontro a si e ela estremeceu ao sentir sua pele molhada. Em seu ntimo sabia que ele havia cometido um erro imperdovel, mas, no entanto, 
para o seu corpo ele ainda era seu amante, seu amor.
    _ Se eu a beijasse agora - ele murmurou com suavidade junto  boca de Petra.
    Ele parou de falar e olhou para trs quando a porta da sute se abriu de repente e um homem alto de barbas grisalhas entrou. 
    Ele certamente era uma pessoa importante, Petra pensou consigo.
    _ Nosso novo projeto nos Estados Unidos... quanto tempo voc acha... - e calou-se ao deparar-se com aquela cena de intimidade.
    Um olhar agudo e fulminante atingiu Petra.
    _ Sua Alteza, permita-me apresentar-lhe a srta. Petra Cabbot.
    Alteza!
    Petra engoliu em seco, sentindo a censura no recm-chegado quando o olhar dele ia de Rashid a Petra e voltava a Rashid.
    _ Ah, sim... Seu padrinho vai bem, srta. Cabbot? Ns estivemos juntos em Ilton - ele disse, aps uma breve pausa.
    _ Ele... Ele est na China - Petra murmurou, com a inteno de dizer que ele tambm estava com seu passaporte, do qual ela precisava muito naquele momento.
    _ Eu entendo. - A cabea do prncipe inclinou-se em sua direo. - Ele  um poltico muito eficiente, assim como seu av. Diplomatas que enxergam longe so muito 
necessrios nesses tempos turbulentos.
    Com o rosto em chamas, Petra afastou-se enquanto o prncipe conversava com Rashid.
    Apesar da educao do prncipe, Petra sentiu-se incomodada com seu olhar de desaprovao.
    No momento em que ele deixou o quarto, ela caminhou at a porta. Nesse instante Rashid apressou-se em impedi-la de sair e disse, srio:
    _ Voc sabe o que isso significa, no sabe? O que vai ter de acontecer, uma vez que o prncipe me viu aqui sozinho com voc?
    _ Foi voc que nos apresentou - Petra se defendeu, ignorando a pergunta.
    _ Porque eu no tive outra opo - Rashid disse com a voz grave. - Se eu no a tivesse apresentado, estaria admitindo que no podia fazer isso, devido a minha 
honra... por voc ser uma prostituta. Agora no h outra coisa a fazer. Voc vai ter que se casar comigo. S isso pode salvar a sua reputao e a reputao de sua 
famlia!
    Petra olhou para ele estupefata e incrdula.
    - O qu? - gaguejou. - Ns no podemos!
    - No s podemos como vamos - Rashid garantiu, sombrio.
    - Na verdade, no temos outra opo, graas a voc!
    - Graas a mim? - Petra o fitou. - Graas a mim? O que quer dizer? No fui eu quem...
    - Uma vez que o prncipe viu voc aqui no meu quarto, desacompanhada, agora no tenho outra opo seno casar-me com voc. 
    Ele certamente pensa assim.
    - O qu? Isso ... ridculo! - Petra protestou. - Por que no contou a verdade a ele?
    - Que verdade? - Rashid zombou. - Que na noite passada voc se entregou para mim? Na noite passada...
    - Pare... Pare - Petra ordenou, angustiada, antes de acus-Io: - Voc fez tudo isso de propsito, no  mesmo? S para me forar a casar-me com voc! Por motivos 
financeiros! O que voc vai ganhar com esse casamento, Rashid? - ela bradou enfurecida. - Mais que alguns camelos, eu tenho certeza! Um hotel... Dois... Um prdio 
comercial e, quem sabe, mais uma dzia de resorts espalhados por a?
    - Voc est exagerando - Rashid interrompeu-a bruscamente. - Se voc me deixasse explicar...
    - Explicar o qu? - Petra indagou, irritada. - Explicar que voc mentiu intencionalmente para mim e... me usou para realizar seu objetivo?
    - Eu... usar voc. No fui eu quem entrou no seu quarto - Rashid retrucou com frieza. - Na sua cama! Se algum  culpado da situao em que ns nos encontramos 
agora, esse algum  voc, Petra. Voc e sua curiosidade, de virgem! E, ao contrrio do que se passa por essa sua cabea infantil,  por esse motivo que no tenho 
outra opo a no ser casar-me com voc.
    - Porque eu era virgem! Isso  loucura!
    - No. Voc  louca se pensa que h alguma outra sada.Ns devemos nos casar agora. Sem falar que voc pode estar grvida.
    Petra arregalou os olhos.
    - Mas... isso  impossvel- ela gaguejou. - Voc... voc...tomou as precaues...
    Seu corpo endureceu quando escutou ele suspirar profundamente. .
    -  verdade, mas s na primeira vez! - ele confessou.- No na segunda vez, quando, alis...
    - Voc planejou isso tudo, no foi? - Petra repetiu furiosa, irritada com a expresso cnica de Rashid. - Voc mentiu para mim de propsito e...
    - Voc realmente pensa que eu gosto dessa situao? Acho que voc no est me escutando, Petra. Foi voc quem invadiu a minha cama! Foi voc quem implorou...
    Emitindo um gemido de aflio, Petra tentou conter as lgrimas que lhe saam dos olhos.
    - Quantas vezes preciso lhe dizer que se no nos casarmos, sua fama de mulher fcil ir se espalhar e seu av e toda sua famlia sero humilhados? - Rashid perguntou 
em tom cortante. - E, alm de sermoS flagrados aqui, sozinhos, em uma situao comprometedora, voc realmente acha que ningum percebeu que passamos a noite juntos? 
Voc no percebeu a forma como a olharam esta manh?
    - No! No vou mais escutar voc - ela protestou.
    Cada palavra que ele disse foi como uma punhalada em seu corao. Tinha dificuldades de assimilar o que se passava e o que ele estava dizendo. Para ela fora 
suficiente descobrir que Blaize no era quem pensava que fosse. Sem contar com o problema adicional que ele lhe apresentava!
    - Nada disso teria acontecido se voc tivesse sido honesto comigo naquele dia na praia - ela disse com mgoa. - Se voc tivesse me contado...
    - Quando voc me procurou, eu no tinha a mnima idia de quem voc era. Eu tinha acabado de voltar de uma viagem de negcios, quando descobri que um professor 
de windsurf com quem eu j tinha falado sobre seu comportamento com as turistas, foi pego na cama com a esposa de um hspede. Obviamente eu tive de demiti-lo, e 
depois fui andar na praia pra pensar.
    - Ento voc estava no lugar de uni professor - ela murmurou com pesar.
    Rashid deu de ombros.
    -  um hbito. Quando eu estudei na Califrnia, eu trabalhei como instrutor numa praia...
    - Voc podia ter dito quem era! Me impedido de... - Petra falou. - Voc pode at pensar que foi muito esperto agindo assim, mas eu no vou me casar com voc, 
Rashid.
    - Voc no tem escolha - disse-lhe severamente. - Nem eu, nem voc! No depois disso! Eu no posso...
    - Voc no pode o qu? - Petra indagou, recusando-se a escutar o que ele iria dizer. - Ento ofender a famlia real  um pecado capital? Tudo bem! Mas eu no 
vou me casar com voc para... salvar sua reputao...
    - Minha reputao? - ele a interrompeu, cnico. - Voc no escutou nada do que eu disse?  com a sua que voc deveria se preocupar! Com a sua e a de sua famlia. 
Porque o que eu no posso fazer, Petra, a no ser que me case com voc,  proteg-Ia do falatrio que est prestes a acontecer. E no somente por sua causa! Eu tenho 
muito respeito por seu av para humilh-Io publicamente no aceitando esse casamento.
    - Est certo! Ento voc est com a conscincia tranqila! Voc me pediu em casamento! E eu estou recusando!
    - Mesmo com a possibilidade de estar carregando um filho meu?
    Por um momento eles se fitaram. Petra sentia-se enfraquecer... Comeou a lembrar... Mas ento enfrentou a realidade.
    Ele havia mentido para ela. Sem o mnimo remorso, ele a enganara. .
    - Tambm  possvel que eu no esteja carregando um filho seu! Eu no vou me casar com voc, Rashid - reiterou.
    - Infelizmente, eu tenho reunies de negcios at depois de amanh e no posso cancel-las. Mas fique certa, Petra, que ento vou pedir formalmente sua mo em 
casamento.
    O sentimento de fria e frustrao era to grande dentro de Petra que ela no conseguiu falar. Encarou Rashid com raiva e caminhou at a porta.
    Para seu alvio ele no tentou impedi-Ia de sair.
    Pedir sua mo em casamento ao av. Nunca ouvira nada to antiquado! Bem, dentro em breve, ele saberia que sua proposta era inaceitvel!
    
    
    CAPTULO IX
    
    - Tia Soraya - Petra exclamou ao ver sua tia se aproximar. - Eu pensei que voc fosse passar o dia com sua amiga.
    A tia lhe contara, entusiasmada, que iria visitar uma velha amiga do colgio cuja filha ficara noiva de um riqussimo prncipe.
    Para a preocupao de Petra, contudo, a tia parecia muito angustiada, os olhos marejados de lgrimas.
    - O que foi, tia? O que aconteceu? Por favor, me diga. Aconteceu alguma coisa com a sua amiga? - Petra pediu.
    A tia balanou a cabea emocionada.
    _ Por favor - Petra indagou. - Me conte o que aconteceu.
    Aproximou-se da figura desamparada da tia num gesto protetor.
    - Petra, eu no queria falar isso - a tia murmurou tristemente. - Mas a minha amiga me telefonou cancelando o encontro. No  nada contra voc, Petra. No intencionalmente! 
Minha amiga compreende que voc no quis... Bem, ela sabe que voc teve uma criao europia. Ela disse que precisa proteger a sua filha porque a famlia de seu 
futuro genro ... muito conservadora...
    Percebeu a hesitao na voz da tia e adivinhou o que viria em seguida.
    Mesmo assim, foi um choque para Petra quando a tia confirmou seus receios.
    _ As pessoas esto falando de voc, Petra! Eu sei que deve haver uma explicao aceitvel para... para... tudo isso, mas minha amiga soube que voc esteve sozinha 
com Rashid, e que vocs dois...
    Ela se calou, tentou refrear as lgrimas e colocou a mo sobre a boca como se no quisesse dizer mais nada.
    - Eu no posso acreditar que Rashid tenha agido assim.
    Expor voc a... no ter agido como um homem honrado e...
    - Me pedido em casamento? - Petra completou, irnica. _ Para falar a verdade, tia, foi isso mesmo que ele fez. Mas eu...
    - Ele fez isso? - Soraya sorriu, aliviada, levantou-se e abraou Petra calorosamente. - Oh, Petra, estou to feliz... to orgulhosa de voc... de vocs dois. 
Ele ser um timo marido.
    Seu av vai ficar muito contente.
    - No, minha tia, voc no me entendeu - Petra tentou protestar, aflita com a interpretao da tia. Uma coisa era contar-lhe sobre o pedido, por seu prprio 
orgulho e para o conforto dela. Outra era faz-Ia pensar que estava satisfeita e disposta a aceitar a proposta.
    Entretanto, ao tirar suas prprias concluses diante das palavras de Petra, Soraya mostrou um entusiasmo imutvel!
    Rashid a pedira em casamento! Claro qU era impossvel Petra ter recusado. Todas as suas tentativas de dizer que no aceitara o pedido foram encaradas pela tia 
como brincadeiras.
    - Eu sabia que poderia confiar em Rashid. Afinal, seria uma grande tolice por parte de vocs arriscar a perder suas reputaes dessa forma, Petra. Sua me teria 
odiado saber que as pessoas estavam falando de voc por a - disse com leve reprovao.
    Sua me! Petra sentiu uma pontada no corao. Sua me certamente odiaria saber que a filha era alvo de boatos, mas nunca a condenaria pelo que aconteceu.
    - Ento voc e Rashid esto noivos - declarou com alegria.
    - Ns temos muito a fazer agora, Petra. Oh, meu bem _ disse dando outro abrao em Petra. - Eu no ia lhe contar isso, mas agora que voc tirou o peso da minha 
conscincia, posso falar. Se Rashid no a tivesse pedido em casamento, nossa famlia e nossa posio na comunidade ficariam muito prejudicadas. Os negcios de meu 
marido seriam afetados, e seu primo no conseguiria arrumar um bom casamento. E seu av... Eu no estou exagerando, Petra, mas tamanha vergonha iria mat-lo.
    Mat-lo!
    Petra permaneceu imvel quando a tia a abraou com carinho. Ela cara numa armadilha que se fechava com tanta rapidez em sua volta que talvez nunca conseguisse 
escapar. E, naquele momento, no fazia a menor diferena que fora ela prpria que se metera nessa arapuca!
    Agora no havia mais sada. Para o bem da famlia, no tinha outra escolha seno casar-se com Rashid!
    
    - Oh, Petra! Voc est to bonita - a tia suspirou de emoo. - A noiva perfeita.
    Elas estavam no quarto de Petra, na manso da famlia, esperando o av, que a acompanharia para a cerimnia civil de casamento. .
    Depois da cerimnia haveria um banquete em homenagem ao casal no salo de festas do hotel decorado especialmente para a ocasio.
    A tia de Petra passara os trs ltimos dias organizando todos os detalhes, mas apesar de seus insistentes pedidos Petra recusou-se a ver o local da festa.
    Sabia que seria impossvel tentar contar  tia que no queria casar-se com Rashid. Soraya sentia uma ridcula admirao por ele e, simplesmente, no iria aceitar 
o fato de que ela o desprezava.
    Rashid, no entanto, sabia, pois ela se certificara de contar-lhe quando ele fora  casa de sua famlia formalizar o pedido ao av.
    Incapaz de escapar  situao, Petra teve de se contentar em desferir-lhe um olhar frio e hostil quando o av a chamou para ouvir o pedido.
    - Eu estou satisfeito por voc ter percebido que no havia outra sada para nenhum de ns - Rashid sussurrou para ela de maneira que ringum mais ouvisse.
    E como se no bastasse, ela teve de enfrentar a humilhao de fingir que queria aceitar seu pedido!
    No entanto, quando ele se inclinou para beij-la, conseguiu se esquivar de seu beijo.
    Com o rosto colado ao dela, ele a provocou:
    - Quanta timidez! Uma noiva pudica! Mas eu sei muito bem como voc pode ser ardente!
    No havia escapatria.
    Suas ajudantes, algumas garotas da famlia de sua tia e de Rashid, j tinham ido para o hotel vestidas em seus estonteantes trajes e, dentro em breve, Petra 
iria partir com seu av.
    Quando a porta de seu quarto se abriu e o av entrou, ela estremeceu. 
    Aps dar os ltimos retoques no vu, a tia saiu e deixou-os a ss.
    - Voc  igual a sua me - ele suspirou, os olhos brilhando de emoo. - A cada dia que se passa, eu vejo mais dela em voc. Eu gostaria que voc usasse uma 
coisa hoje - disse repentinamente tirando um maravilhoso colar de diamantes de um estojo.
    - Isso  para voc. Vou ficar muito orgulhoso se voc us-lo hoje.
    Petra sentiu as mos do av tremerem quando ele ps o colar em seu pescoo. A jia ficou to bem que parecia ter sido feita para ela.
    - Era de sua me - ele contou. - O meu ltimo presente para ela. Ela deixou-o aqui. Ela ficaria orgulhosa de voc, Petra.
    Os dois, seu pai e sua me, e com razo.
    Orgulhosos dela? Por ela aceitar um casamento sem amor?
    Petra foi invadida por uma onda de pnico. No podia se casar com Rashid. No o faria! Virou-se para o av, mas antes que pudesse falar a tia entrou no quarto.
    - Est na hora de vocs irem - avisou.
    O av caminhou at a escada e quando Petra quis segui-lo sua tia a impediu.
    - Voc no est usando o presente de Rashid - ela a repreendeu.
    Petra a encarou.
    - O perfume que ele lhe mandou. Foi feito especialmente para voc. - A tia caminhou depressa at a cmoda onde encontrou o frasco de cristal.
    - No... eu no quero usar isso... - protestou, mas a tia no a ouviu.
    Petra ficou imvel quando sentiu a tia colocar algumas gotas da frgrncia em seu corpo. .
    -  perfeito para voc - a tia constatou. -  uma essncia que combina a ingenuidade de uma adolescente com a maturidade de uma mulher. Rashid escolheu bem. 
E o colar de sua me ficou perfeito em voc, Petra. Seu av nunca deixou de am-la, voc sabe.
    - Se ele a amava tanto, por que no foi ao enterro? - Petra retrucou, antes que seus olhos se enchessem de lgrimas. - Mesmo que no pudesse ir ele poderia ter 
mandado Um telegrama... uma mensagem... qualquer coisa...
    Sua voz encerrava toda a dor que sentira naquele dia to triste, quando ningum da famlia de sua me estava l.
    A tia suspirou.
    _ Petra, ele quis ir, mas sofreu um ataque do corao quando soube da sua me. Alm disso, quando seu padrinho escreveu dizendo que no achava uma boa idia 
voc se mudar para c, que voc tinha a sua vida e seus amigos na Inglaterra, seu orgulho o impediu de enfrentar uma segunda rejeio.
    Petra a encarou. Ela sabia que o av lhe oferecera um lar, de modo tardio e relutante, segundo ela, mas no sabia que no comparecera ao enterro por causa de 
um infarto.
    _ Um ataque do corao? - ela vacilou. - Eu...
    _ Foi o seu segundo - a tia contou, constrangida, como se tivesse dito algo indevido.
    _ O segundo? - Petra desconhecia esses fatos. - Ento...quando... quando ele teve o primeiro? - indagou, intrigada.
    Soraya ficava cada vez mais agitada.
    _ Petra, eu no deveria ter lhe contado. Seu av nunca quis...
    Ele pediu que ns guardssemos segredo porque no queria que sua me se sentisse...
    - Minha me?
    Olhou a tia com determinao. .
    _ Eu no vou sair deste quarto at voc me contar tudo disse com firmeza.
    _ Petra, voc vai se atrasar. O carro est esperando e seu av...
    _ Eu no vou dar nem um passo - avisou.
    _ Oh, meu bem, eu no deveria... Muito bem, ento. Eu acho que no tem mal nenhum voc saber... Armal, foi a sua me quem seu av quis proteger. Ele a amava 
muito, Petra... Ele ama seus filhos,  claro, mas nutria um amor especial por sua filha. De acordo com meu marido ele a mimou muito. Quando ela partiu daquela maneira, 
seu av sentiu muita... raiva...e desespero. Ele tinha planejado tanta coisa para ela...
    _ Seu tio, meu marido, o encontrou cado sobre a mesa, segurando uma fotografia de sua me. O mdico pensou que ele no fosse sobreviver. Ele ficou doente por 
muito, muito tempo. Oh... Eu no deveria ter lhe contado, no hoje - Soraya, censurou-se, ao perceber que Petra empalidecera.
    - Todos esses anos perdidos - Petra murmurou. - Eles' poderiam ter ficado juntos, todos ns poderamos ter ficado juntos como uma famlia!
    - Ele sofreu muito com isso.
    - Mas meu pai lhe escreveu cartas, enviou fotografias...
    A tia suspirou.
    - Voc precisa entender, Petra. Seu av  um homem muito orgulhoso. Ele no suportava receber nada de seu pai. Mas ele queria... precisava saber que sua me 
ainda o amava.
    - Ela sempre pensou que ele nunca a perdoaria - Petra sacudiu a cabea soluando.
    - Quando seu av soube do acidente... - A tia fez uma " pausa. - Foi muito dificil para ele, Petra. Ele no conseguia acreditar. No conseguia aceitar que a 
tinha perdido. Quando teve o segundo infarto, achamos que no queria mais viver.
    Mas, graas a Deus, ele se recuperou. Ele queria muito que voc viesse para c, mas seu padrinho, quem sabe at com razo, decidiu que seria melhor voc ficar 
com ele. Mas seu av nunca perdeu as esperanas. Quando seu tio foi visitar seu padrinho, seu av implorou para que ele a convencesse a vir at aqui. Voc tem da:do 
muitas alegrias a ele, Petra. Eu lhe desejo muita felicidade, minha querida, porque voc, com certeza, merece.
    A tia a abraou e seus olhos se encheram de lgrimas.
    Como um relmpago Petra correu at o carro que a esperava.
    A partir daquele instante ela passou a ver o av com outros olhos. Com olhos apaixonados. Tomou-lhe a mo ao sentar ao seu lado e ele respondeu ao afeto de imediato.
    
    - Voc pode beijar a noiva!
    O corpo de Petra enrijeceu-se. Incapaz de mover-se, sentiu a sombra fria do rosto de Rashid quando ele se inclinou em sua direo.
    Esperou at o ltimo segundo possvel para virar a cabea para que os lbios respeitosos de Rashid no pudessem tocar sua boca. Para sua surpresa, porm, como 
se ele j previsse sua inteno, ele ergueu a mo e segurou o rosto de Petra.
    Dessa forma, os convidados ficariam encantados com o belo gesto de um homem que no contm suas emoes e beija a noiva com ardor.
    Somente ela sabia que ele apenas a impedira de virar o rosto, que ele s queria reafirmar seus direitos de marido.
    Os lbios de ambos se tocaram e ela estremeceu de raiva.
    Tinha acreditado e confiado nele, sentido amor por ele, mas durante todo esse tempo ele a enganara. Como poderia confiar nele novamente?
    Rashid se moveu, o pequeno gesto de roar seu nariz no dela como que querendo oferecer conforto e segurana. Outra mentira... Outra dissimulao... Apesar disso, 
tomada pela emoo do momento, desejou que tudo fosse verdade!
    De repente, Petra foi invadida por um medo intenso. Em sua ingenuidade acreditara que seria fcil deixar de am-lo, mas, para seu espanto, naquele momento no 
tinha certeza de seus sentimentos!
    Ela o odiava pelo que fizera, tinha certeza disso! Ento por que ele ainda tinha o poder de mexer com as emoes dela? De fazer com que o desejasse?
    O que se passava por sua cabea? Estava louca? Ela no o desejava. Nem um pouco! Com fora tentou se afastar e, para seu alvio, ele a soltou imediatamente.
    A cerimnia estava acabada. Eles eram marido e mulher!
    
    _ Eu nunca soube que Blaize era o segundo nome de Rashid _ Saud comentou, evidentemente orgulhoso com a nova relao com seu heri.
    _ Petra, minha querida, seu pai teria ficado to feliz se estivesse hoje aqui.
    Surpreendida, Petra sorriu automaticamente para o embaixador americano.
    _ Petra, voc est muito bonita - sua esposa elogiou com um sorriso simptico. - No  mesmo, Rashid? - Um arrepio subiu pela espinha de Petra quando ele a encarou.
    _ Ela  tudo o que eu desejo - Rashid confessou em voz baixa sem desviar o olhar.
    _ Petra, tire-o daqui antes que eu desmaie! Que garota de sorte - ela brincou.
    _ Fui eu quem teve sorte - Rashid corrigiu a mulher.
    _ Com certeza - Petra reafirmou com sotaque ingls. - Hoje ele est ganhando bem mais do que apenas uma esposa, no  mesmo, Rashid? Ele est ganhando a oportunidade 
de projetar um novo hotel multimilionrio e...
    - Eu certamente vou precisar de algum dinheiro se quiser tratar voc do mesmo jeito que seu av faz. - Contornando a situao, Rashid interrompeu a fala irada 
de Petra com um olhar de advertncia que somente ela notou. - S esse colar que voc est usando, meu bem,  um exemplo.
    - Sim,  maravilhoso - um dos convidados se aproximou.
    A mo de Rashid em seu cotovelo a incomodava.
    - Eu no sei por que voc est to determinado em representar o papel de marido apaixonado.
    - Sim, acho mesmo que voc no sabe - ele concordou.
    - Por que voc no me contou que seu segundo nome era Blaize?
    Ele deu de ombros.
    - Isso importa? Rashid ou Blaize, eu ainda sou o mesmo homem, Petra. O homem que...
    - O homem que se deitou comigo e depois me apunhalou pelas costas - Petra alfinetou.
    Pelo canto dos olhos Petra viu a boca dele se comprimir.
    - Ns estamos casados agora, Petra, e...
    - Na alegria e na tristeza... No precisa me lembrar... Ns dois sabemos bem como vai ser, no  mesmo?
    - Olhe, Petra, no precisa ser assim. Afinal, ns dois temos algo em comum...
    - Do que voc est falando? Do seu novo hotel? De dinheiro?  s nisso que voc pensa?
    Petra enrijeceu quando ele a tomou pelo brao e disse com uma suavidade ameaadora:
    - Eu achei que j tinha mostrado que no  nisso que eu penso. Ms se voc quiser que eu lhe mostre de novo...
    Petra se desvencilhou daquela mo como se ela a queimasse.
    - Se voc alguma vez tentar me forar a... aceit-lo fisicamente como esposa eu...
    - Forar voc?
    Por um instante ele pareceu chocado, mas ento sua expresso endureceu.
    - Agora voc est sendo ridcula - ele replicou, rspido. No h a mnima possibilidade de eu fazer isso. Mesmo porque...
    - Mesmo porque... - Petra o desafiou com raiva. - Mesmo porque pela lei voc tem o direito?
    Sentia uma profunda angstia por no conseguir manter-se indiferente a ele.
    Com o final da cerimnia, Petra se via obrigada a enfrentar a sua primeira noite de casada. Rashid era um homem muito sensual, ela j sabia disso! Se ele quisesse 
consumar o casamento, teria foras para rejeit-Io?
    - Rashid, seu tio est procurando por voc...
    Petra respirou aliviada quando ele se afastou.
    
    Muitas horas depois, exausta e infeliz, o olhar de Petra fixava o vazio, enquanto ela desejava ser outra pessoa e estar bem longe dali.
    Seu padrinho no pudera comparecer.
    Seu casamento com Rashid fora anunciado no jornal como o romance do ano, mas no deixou se influenciar. Odiava Rashid como ningum mais poderia fazer, decidiu 
com tristeza, e nunca, nunca iria perdo-Io pelo que tinha feito.
    Finalmente a festa terminara e suas ajudantes vieram busc-la e acompanh-la at a sute reservada para que se trocasse.
    _ Para onde Rashid vai levar voc na lua-de-mel? Voc sabe?
    _ quis saber uma das garotas, uma sobrinha casada de sua tia, arrancando risadinhas das outras meninas mais jovens. .
    Petra sentiu vontade de dizer que no sabia e no se importava, mas suas boas maneiras no permitiram.
    - Eu no sei - respondeu.
    -  um segredo. Oh, que romntico! - uma das moas exclamou com uma ponta de inveja.
    Uma outra foi mais prtica:
    _ Mas como voc vai fazer a sua mala se no sabe para onde vai?
    - Ela est em lua-de-mel, sua boba - uma terceira interveio. - Roupas no...
    _ Parem vocs todas - a mais velha interrompeu. - V ocs tm que ajudar Petra, e no ficar fazendo piadinhas. Voc no precisa se preocupar. Um homem experiente 
como Rashid vai saber o que fazer! - disse, tentando acalmar Petra. - Eu me lembro de como fiquei nervosa na noite de meu casamento. Eu no tinha idia do que iria 
acontecer, e fiquei muito agitada.
    Eu deveria ter confiado mais nele... ou na minha me. - Ela sorriu. - Ela me garantiu que eu estava com as roupas certas, e disso Sayeed no entendia muito.
    Roupas! Elas falavam em roupas! Petra no sabia se ria ou se chorava!
    Enfim ficou pronta, vestindo o simples terninho creme que comprara em Zuran. Tirou os brincos de prolas que haviam pertencido  me, e substituiu-os por outros 
maiores, um doa muitos presentes de Rashid. Sentia vontade de destru-los, mas, evidentemente, no seria possvel, pois suas criadas de quarto no se cansavam de 
comentar o brilho e perfeio das pedras, obviamente escolhidas para combinar com os brilhantes das alianas de noivado e de casamento.
    Elas passaram novamente em Petra o perfume que Rashid lhe dera e lhe entregaram as minsculas peas de seda e renda que a tia teve a bondade de chamar de roupa 
ntima. Seus ps e mos foram checados minuciosamente pela ajudante mais velha, que garantiu a ela que as unhas eram um detalhe imprescindvel. Agora ela estava 
pronta para ser entregue ao seu marido como se fosse um pedao de carne fresca a ser degustado, ou descartado, se ele assim quisesse!
    - Venha, est na hora. Rashid est esperando - a moa mais velha anunciou em tom pomposo.
    Quando Petra olhou para a porta de sua sute as risadinhas ao seu lado cessaram.
    - Seja feliz - a mais velha desejou, beijando-lhe a face.
    - Que sua vida seja cercada com o riso de seus filhos e com o amor de seu marido - outra garota sussurrou, e assim, uma por uma, todas lhe desejaram felicidade 
e a abraaram com timidez.
    Do lado de fora, o barulho estava se tornando ensurdecedor.
    - Se no abrirmos a porta agora Rashid vai arromb-la _ uma delas riu e houve um instantneo furor por parte das meninas  
    quando elas abriram a porta e Petra foi conduzida para fora.
    Os convidados do casamento reunidos em frente  sute vibraram quando ela apareceu, mas Petra mal notou-Ihes o entusiasmo. No exguo espao reservado a sua passagem 
seu olhar amargo encontrou-se com o de Rashid.
    Assim como ela, ele vestia roupas ocidentais. Estilistas do mundo inteiro pagariam uma fortuna para Rashid usar sua marca, Petra concluiu com desgosto, tentando 
evitar admir-Io.
    Em qualquer lugar do mundo ele seria considerado um homem de bom gosto e estilo. Homens ricos e finos como Rashid tm algo em comum, no importa a nacionalidade, 
Silenciosamente ele estendeu-lhe a mo.
    As pessoas comearam a dar vivas. Por um instante, Petra hesitou, e seu olhar procurou desesperadamente as janelas como que em busca de liberdade. Mas algum 
lhe deu um pequeno empurro e Rashid pde segurar sua mo.
    Como numa cena bblica, o grupo se afastou liberando a passagem. A enorme porta que dava para o jardim se abriu e quando eles saram lindos fogos de artificio 
espocaram no cu. Ao mesmo tempo que eram cobertos por uma chuva de ptalas de rosa, o ar era perfumado por uma fumaa com essncia de morango. Havia msica e festa. 
Sem se deter, Rashid a conduziu at a sada.
    _ Sua tia queria que partssemos montados em um cavalo rabe, exatamente nos moldes da cultura local, mas eu consegui dissuadi-Ia - Rashid lhe sussurrou ao ouvido 
quando segurou seu brao para que pudessem acenar para os convidados.
    _ Como num conto de fadas rabe? Com todos os apetrechos medievais, incluindo seu falco? - Petra replicou, virando-se automaticamente para fit-Io, surpresa 
como o tom de humor em sua voz.
    _ Eu acredito que ela no pensou nos falces. Ainda bem, porque eu no iria expor meus bichos a essa multido.
    Ao olhar para ele, Petra sentiu um sobressalto em seu corao.
    Como se uma janela se abrisse repentinamente a sua frente, e trouxesse  luz algo que no podia enxergar direito, ela reconheceu dentro de si uma intolervel 
e dolorosa verdade!
    Ao acreditar que a lgica, a realidade, a raiva eram suficientes para destruir seu amor por Rashid, ela se enganava de uma maneira mais cruel do que ele havia 
feito com ela.
    Teria se casado com Rashid porque secretamente ainda o queria? Ainda o amava? Petra encheu-se de raiva. Seu orgulho no aceitava essa idia!
    Acreditara que seu maior inimigo se encontrava fora de seu corao, mas se enganara. Seu maior inimigo estava dentro dela, dentro de seu prprio corao, e se 
manifestava em forma de amor.
    Mas Rashid nunca saberia disso. Ela precisava estar sempre em guarda para proteger seus sentimentos. Eles deveriam se transformar numa fortaleza em que Rashid 
nunca teria a permisso de entrar!
    
    _ Bem-vinda a sua nova casa!
    Pela primeira vez desde que deixaram o hotel, Rashid quebrou o silncio entre eles. Poucos segundos antes haviam cruzado o porto de entrada da residncia de 
Rashid. A discreta iluminao do jardim realava o tom creme das paredes., Petra tinha o corpo rgido pelo esforo em no deixar baixar a guarda e, de tanta tenso, 
sua garganta ficara seca e ela no conseguia falar!
    Dentro da casa ela no conseguiu relaxar, pelo contrrio.
    - J  tarde e ns tivemos um dia muito longo - Rashid disse calmamente. - Eu sugiro que ns dois tenhamos uma boa noite de sono antes que voc comece mais uma 
rodada de agresses. Providenciei uma sute s para voc. No  a maneira mais comum de se terminar uma noite de casamento, mas... _ ele deu de ombros enquanto Petra 
lutava para assimilar um sentimento que no era propriamente de alvio! - Tudo isso tem sido muito estressante, e talvez voc precise pensar um pouco e se preparar 
para essa nova realidade. Apesar de seus comentrios de hoje, posso garantir que de maneira alguma pretendo... forar nada entre ns, Petra!
    Petra o encarou. Ele parecia to controlado, to calmo e seguro de si. E seu comentrio sobre arrumar um quarto separado para ela, no era bem isso que esperava!
    Desde o momento em que ele a pedira formalmente em casamento, aquela noite invadia sua imaginao. O momento em que estariam a ss como marido e mulher. Com 
determinao, dizia a si mesma que, no importava o tipo de presso que ele fizesse, ela no permitiria que ele a tocasse!
    E ainda por cima era ele quem falava que no a queria!
    Um misto de sensaes invadiu seu corpo. Choque, desnimo, humilhao... E...
    Desapontamento? Com certeza, no! Alvio, era isso que sentia. Quem sabe um pouco de desnimo por ele ter lhe roubado a oportunidade de dizer que era ela quem 
no o queria. Mas no final das contas o que realmente importava era o fato de que eles iriam dormir separados. Dormir em sua prpria cama e no na dele... como se 
eles no fossem casados. Era isso que ela queria. 
    Exatamente isso!
    O que a machucava, Petra confessou para si mesma enquanto rolava na enorme cama, era a impossibilidade de confiar no homem que amava. Porque sem essa confiana, 
sem a possibilidade de ser francos um com o outro, como poderiam compartilhar algo chamado amor?
    
    
    CAPTULO X
    
    Petra observou as demais mulheres que se encontravam no recinto exclusivo do hipdromo com certa apreenso.
    Era o incio da temporada de corridas e suspeitava que agora, um ms aps o casamento, deveria estar familiarizada com o ambiente agitado e sofisticado dos eventos 
sociais de que deveria participar como mulher de Rashid.
    No curto perodo de tempo em que estavam casados j haviam assistido aos campeonatos de tnis e a um famoso torneio de golfe, alm de uma srie de eventos comerciais 
patrocinados pela famlia real nos quais Rashid, um de seus arquitetos favoritos e parceiro de negcios, representava um papel de importncia primordial.
    E agora, dentro de alguns dias, ocorreria o mais prestigioso acontecimento do calendrio social de Zuran, o Grande Prmio de Zuran, uma das corridas de cavalos 
mais glamourosa do mundo.
    Cavalos, treinadores, jqueis, proprietrios e suas mulheres elegantes vinham chegando a Zuran durante todo o ms. Toda a cidade se encontrava num estado de 
animada expectativa por causa da corrida e seu possvel vencedor.
    Rashid inscrevera seu cavalo, um animal americano de trs anos, treinado na Irlanda e que ficava nos estbulos, prximo  pista de corridas. Juntamente com poucos 
proprietrios favorecidos, Rashid teve a permisso de usar a pista para treinamento.
    Petra e Rashid deveriam entreter um grupo de empresrios europeus que ficariam hospedados em seu hotel durante a semana das competies.
    Diferente das outras mulheres, Petra no considerou necessrio viajar at Paris ou Milo para comprar algum traje especial para o evento. Em vez disso, preferiu 
ficar na cidade e acompanhar a chegada de um famoso estilista que lhe fez o chapu ideal para assistir s corridas.
    O casal recepcionou diversos polticos, esportistas e empresrios do mundo inteiro na estonteante vila que Rashid projetou e em seu osis privativo. Em nenhuma 
dessas situaes ele deixou de representar o papel de marido devotado.
    No entanto, em particular eles agiam de maneira bem diferente. Dormiam em quartos separados e quando no participavam de reunies sociais eles mal se viam.
    Rashid trabalhava em um de seus empreendimentos espalhados pelo mundo ou, quando se encontrava em casa, visitava os estbulos para conferir o desempenho de seus 
cavalos juntamente com seu treinador particular.
    Evidentemente, Petra tinha seus prprios compromissos. Fora convidada a entrar no Clube das Senhoras de Zuran, presidido pela princesa. Nos almoos e eventos 
beneficentes de que participava fez amizade com a moa que fora a principal ajudante em seu casamento, uma parente de sua tia.
    O bom senso lhe dizia para encarar o fato de no estar grvida como uma boa coisa. Em vez disso, contudo, passava a noite chorando silenciosamente em seu quarto. 
Se tivesse um fIlho, ao menos teria a oportunidade de possuir algo dele que pudesse amar publicamente.
    E essa era a dor que aos poucos a consumia.
    Entretanto, aos olhos das outras pessoas ela certamente parecia algum bastante feliz, Petra pensou consigo enquanto se, admirava em frente ao espelho.
    Rashid, que ficaria ausente pelos prximos dois dias em viagem de negcios, havia mantido sua ,promessa e no tentou toc-Ia. 
    Alm disso, ele demonstrava ser extremamente fcil manter sua palavra, sua postura fria e educada enchia Petra de aflio enquanto lutava consigo mesma para 
conter a fria de seus desejos e emoes.
    Como era possvel quer-lo tanto, quando era evidente que ele no a desejava? Petra passava as noites em seu leito ansiando por ele, desejando-o, pensando nele, 
criando fantasias a seu respeito e, pela manh, despertava invadida por tal sensao de desespero que chegava a sentir desprezo por si mesma.
    Ele a tratava como a uma visita em sua casa, uma estranha com a qual ele devia ser educado. Petra no tinha a mnima idia do que Rashid pensava sobre o casamento 
ou at mesmo sobre ela, e isso intensificava sua solido. No era certo viver daquele jeito, e seu corpo, sua mente e seu corao rebelavam-se.
    Gostaria de poder partilhar toda a sua vida com o homem que amava, mas como faz-Io se esse homem era Rashid, um homem que no a amava! Um homem em quem no 
podia confiar?
    Enquanto arrumava uma pequena mala para passar a semana de competies no hotel, um leve estremecimento de antecipao a invadiu diante da possibilidade de poder 
ficar perto de Rashid. Afastou a idia com raiva e procurou lembrar-se de que deveria conversar com o treinador sobre os arranjos a serem feitos para a visita dos 
convidados de Rashid aos estbulos.
    Apesar de estarem somente no ms de maro, a temperatura chegava a mais de trinta graus e Petra vestiu apenas uma cala jeans, uma camiseta de mangas curtas 
e um chapu para proteger-se do sol.
    O jovem motorista abriu-lhe a porta do carro com um sorriso.
    Petra programou sua sada para que coincidisse com o final do treino matutino dos cavalos e chegou ao haras no momento em que os cavalos voltavam s cocheiras.
    O administrador de Rashid conversava com o treinador quando Petra chegou. Alguns grupos de pessoas passeavam pelo estbulo.
    Petra se aproximou sorrindo quando viu que um garoto corria pelo terreno diretamente na direo do jovem e arredio cavalo que era conduzido por um jovem rapaz.
    Quando o cavalo empinou, assustado, Petra instintivamente pulou para frente empurrando o garoto para longe das patas do animal.
    Petra ouviu um tumulto ao seu redor: o relinchar de medo do cavalo, o grito de pavor da criana, o desespero do condutor, as vozes dos visitantes, quando sentiu 
a respirao faltar-lhe e uma exploso de dor em seu peito seguida de uma terrvel sensao de vazio ao atingir o solo.
    
    Ainda zonza, Petra abriu os olhos.
    - Ah, que bom, voc finalmente recuperou a conscincia.
    A enfermeira sorriu para ela. Petra tentou se mover e sentiu uma dor intensa no ombro.
    - No se preocupe, no  grave.  s uma luxao, nada demais - a enfermeira a confortou, calma. - Voc teve sorte, e o garoto que salvou teve mais sorte ainda.
    A criana! Ansiosamente Petra conseguiu sentar-se apesar da dor intensa em seu ombro.
    - Voc tem certeza de que ele est bem? - indagou.
    - Ele est bem. Na verdade eu acho que o pai dele ficou com mais medo que o menino. Eles so parentes da famlia real. Primos, eu acho. O pai do garoto no sabe 
como lhe agradecer. Ele acha que o cavalo poderia t-Io matado se voc no o tivesse empurrado.
    - No foi culpa do cavalo! - Petra protestou. - O estbulo estava cheio, e o animal ficou nervoso... Ai! - ela gemeu quando a enfermeira ajustou a atadura em 
seu brao.
    - No se preocupe, eu s estou conferindo se voc parou de sangrar.
    - Sangrar? - Petra franziu a testa.
    - O casco do cavalo tambm atingiu seu brao e arranhou sua pele. Mas parece bom agora.
    - Certo, nesse caso eu posso me vestir e ir para casa _ Petra disse.
    - No at que o mdico lhe. d alta - a enfermeira avisou.
    Meia hora mais tarde Petra conversava com o mdico.
    - Veja, eu no posso passar a noite aqui - disse com firmeza. - Ns estamos a menos de uma semana da corrida e eu preciso fazer vrias coisas. Voc mesmo disse 
que h noventa e nove por cento de chance de eu no precisar engessar e...
    - Eu ainda acho melhor voc passar a noite aqui, s para garantir - o doutor insistiu.
    - No vai ser preciso. Estou me sentindo muito bem.
    - Ns devemos pelo menos avisar o seu marido sobre o que aconteceu - o mdico persistiu.
    Rashid, Petra estremeceu. No momento ele se achava em Londres resolvendo um problema referente  compra de um novo hotel. Ele s poderia voltar dali a dois dias 
e ficaria extremamente aborrecido por ter de voltar e auxiliar a esposa que nada significava para ele!
    Com determinao Petra convenceu o mdico de que no havia necessidade de atrapalhar Rashid com esse pequeno acidente, pois ele voltaria dentro de poucos dias.
    Foi bem mais difcil convencer o doutor a deix-la ir para casa, ele apenas consentiu quando Petra lhe garantiu que haveria algum em casa para fazer-lhe companhia.
    Uma hora mais tarde estava a caminho de casa cerrando os dentes com a intensa e inesperada dor que lhe percorria o ombro, enquanto o jovem e ansioso motorista 
dirigia devagar e com cuidado para a vila.
    Uma vez l, os cuidados exagerados dos empregados de Rashid quase a exasperaram e ela teve que insistir para que no a tratassem como uma frgil pea de porcelana.
    No perodo de uma hora recebeu inmeras ligaes preocupadas e o grande ha.ll de entrada ficou repleto de flores, incluindo um enorme arranjo enviado pela famlia 
real agradecendolhe por ter salvado um de seus membros.
    Ignorando a dor persistente que mesmo os fortes analgsicos que tomara no hospital no conseguiam debelar, Petra entrou em seu escritrio para examinar algumas 
sugestes de cardpios que recebera do chef do hotel.
    Seus convidados iriam jantar em uma sala privativa do hotel e Petra trabalhou noite adentro, estudando meticulosamente as caractersticas dos hspedes e a melhor 
combinao de pratos para eles. Fez uma breve pausa quando a governanta da casa trouxe-lhe uma refeio leve e quis confirmar mais uma vez se estava tudo bem.  
meia noite, Petra guardou seus papis e dirigiu-se ao seu quarto.
    Os empregados que viviam na vila tinham aposentos separados da casa principal. Petra ignorava o que a governanta achava de dois recm-casados que dormiam em 
quartos separados, mas soubera que Rashid havia redecorado toda a sute antes do casamento, mesmo a casa sendo totalmente nova.
    A vila combinava o melhor das culturas oriental e ocidental, e possua um ar limpo, quase minimalista que lhe lembrava certas casas exclusivas da costa oeste 
americana pertencentes a amigos de seus pais e em que a simplicidade era amenizada com intrigantes peas antigas. Na vila de Rashid o toque de uma decorao moura 
e tradicional realmente agradava a Petra. At mesmo as cores que ele escolhera eram agradveis aos olhos: leves tons de areia, suaves terracotas, delicados verde 
azulados aqui e ali quebravam o tom neutro das cores naturais.
    Esculturas fantsticas e peas de arte mostravam sutilmente a riqueza e o bom gosto de Rashid. Os tecidos eram delicados ao toque e aos olhos, mas ainda assim 
a casa parecia um lugar estranho e hostil para Petra.
    Apesar de sua elegncia e conforto, faltava algo essencial.
    Era uma casa destituda de amor que no se podia chamar de lar.
    Petra soltou um leve gemido quando removeu a atadura do ombro e verificou com alvio que o ferimento estava com bom aspecto e j no sangrava. Debaixo do jato 
morno do chuveiro ela fez uma careta. O mdico a alertara de que a dor a acompanharia ainda por alguns dias.
    Livrando-se da toalha, deslizou nua para baixo dos lenis.
    A cama se encontrava agradavelmente fresca e naquele dia estava coberta com lenis de linho imaculados. Petra virou de lado no leito enorme e sentiu-se tristemente 
consciente. do fato que, apesar de casada, ainda vivia a vida de uma mulher solteira. 
    A vida de uma mulher cujo marido no a queria, no a desejava, no a amava. Enquanto ela...
    No se passara uma noite sequer sem que Petra ansiasse pela presena de Rashid ao seu lado, sem que quisesse reviver as horas passadas em seus braos no osis. 
Cansada, fechou os olhos e lutou contra as lgrimas que insistiam em deslizar-lhe pela face.
    
    Abruptamente, Petra abriu os olhos, estremecendo ao tentar mover o ombro.
    - Petra, est tudo bem?
    Soltou um pequeno grito de surpresa quando viu Rashid sentado na borda de sua cama.
    - Rashid!
    Ignorando a dor constante, puxou os lenis e com o corao aos saltos ela sentou-se na cama.
    - Voc no estava trabalhando? O que est fazendo aqui?
    - O que voc acha que eu estou fazendo aqui? - ele devolveu com ironia. - Eu recebi um recado dizendo que voc tinha sofrido um acidente e estava machucada. 
Naturalmente eu peguei o primeiro vo para casa.
    - Voc no precisava ter feito isso - Petra protestou. Eu estou bem...  s um ombro machucado - acrescentou.
    Enquanto falava, Rashid acendeu a luz do abajur ao lado de sua cama.
    Petra respirou fundo quando pde enxerg-lo com clareza.
    Nunca o vira com o semblante to preocupado.
    - Desculpe por ter feito voc voltar - comeou a dizer.
    - O que voc est dizendo? - Rashid interrompeu. - Por acaso estar casada comigo  to insuportvel que voc prefere se atirar em baixo das patas de um cavalo?
    Petra o encarou, espantada com a mgoa contida em sua voz.
    - No foi isso que aconteceu - ela protestou. - Havia uma criana... Eu simplesmente agi por instinto, como qualquer um teria feito.
    Ele franziu a testa.
    - Eu no sabia sobre a criana, s que voc tinha sofrido um srio acidente e que insistiu em deixar o hospital contra a vontade do mdico.
    - Mas eu s tive uma luxao no ombro - Petra garantiu, feliz com a evidente preocupao.
    - Quando telefonei para o hospital, o mdico disse que estava preocupado com uma possvel complicao em seu ferimento.
    - Voc voltou por causa disso? - Petra indagou, incrdula.
    - Ele me avisou que voc no deveria ficar sozinha - Rashid respondeu com secura.
    - O mdico me disse que a chance de uma complicao era mnima e que eu ficaria bem. E eu no estou sozinha com esse monte de empregados - ela comeou a dizer.
    - Eles no sabem cuidar de voc - Rashid a interrompeu.
    - Mas eu, sim.
    Enquanto ele falava, Petra percebeu o quanto parecia cansado.
    - Rashid, eu estou bem. Escute, por que voc no vai at a sua cama e...
    - Eu vou ficar aqui.
    - No precisa. - Ela suspirou. - Seno estivesse bem eu teria ficado no hospital. 
    - Eu s vou sair daqui quando tiver certeza de que voc est bem.
    - Faa como achar melhor, Rashid, mas no h necessidade de voc ficar aqui.
    - Volte a dormir - ele pediu simplesmente, estendendo a mo para apagar a luz.
    
    Petra moveu a cabea devagar. Ouvia a respirao de Rashid, mas no conseguia v-lo sentado na cadeira ao seu lado.
    E, ento, viu-o deitado de costas na cama, profundamente adormecido.
    A lua cheia lanava alguns raios prateados atravs da cortina de seda. Apoiando-se sobre o cotovelo, Petra observou Rashid. 
    V-lo dormindo e parecendo to vulnervel encheu seu peito de ternura.
    Ele havia desabotoado a camisa azul-clara que contrastava com a pele morena. O cansao estava evidente no seu semblante. Os sentidos de Petra foram aguados 
por aquela figura mscula. Antes que pudesse se conter, estendia a mo para tocarlhe o queixo levemente e sentiu a ternura dar lugar a um ardente desejo.
    Como seus dedos tremiam, ela afastou a mo, mas no conseguiu parar de admir-lo; seu olhar correu lentamente pela boca, pela garganta e por fim parou no peito 
nu.
    Agora no eram somente seus dedos que tremiam, mas sim todo o seu corpo! Podia sentir dentro dela uma onda de desejo que cresceu rapidamente e a inundou.
    Atormentada, ela murmurou seu nome, e em seguida contraiu-se quando percebeu que ele acordava.
    Quando ele abriu os olhos, Petra se encontrava encolhida na cama, e fingia que domia.
    - Petra? - Ela percebeu o tom ansioso na voz sonolenta de Rashid. - Petra, acorde - ele ordenou.
    - Rashid, est tudo bem, a dor est diminuindo - ela o tranqilizou, fitando-o, enquanto ele estendia a mo na direo dela.
    De repente, ele ficou imvel, a mo no pescoo de Petra, o olhar fixo nos seios dela.
    Ela soube instintivamente que Rashid a queria, mas sabia tambm que ele no quebraria a promessa de no tocar em seu corpo.
    Tudo o que precisava fazer era puxar os lenis e afastar-se dele. Se era isso que queria...
    E se no fosse? Absorvendo com dificuldade o que se passava por sua cabea, ela o encarou. Podia sentir que ele a olhava com avidez e paixo. Desejando ser tocada, 
seus mamilos endureceram e um arrepio percorreu-lhe a espinha.
    Alcanou com a mo o brao de Rashid e o acariciou lentamente.
    Sentiu-o estremecer com o toque. O que ele pensava? O que sentia? Um impulso de excitao dominou seu corpo quando seus olhares se encontraram.
    _ Rashid, me abrace - pediu com ousadia e ele a envolveu fortemente com os braos, seus corpos ficando colados como se fossem um s.
    _ Faa amor comigo! - ela suspirou com ardor em seu ouvido.
    Petra ouviu e sentiu o som rouco que escapou da garganta dele! Frustrao? Desejo?
    Seu corpo reagiu de imediato, e seus lbios entreabriram-se diante do prazer selvagem do beijo de Rashid.
    Num mpeto irracional sua mo pressionou a cabea de Rashid contra a sua para que ele aumentasse a intensidade do beijo.
    Petra sabia que deveria estar horrorizada e desprezar seu comportamento, que deveria controlar seus instintos. Em vez disso, porm, seu corao batia com fora 
dentro do peito e seu desejo explodiu dentro dela. Esperara tanto por aquele momento, precisara tanto dele!
    _ Petra - ouviu a voz rouca de Rashid. - Isso no ...
    Ele moveu-se e sua mo roou acidentalmente o seio de Petra, fazendo-a estremecer. Na escurido percebeu como ele admirava seus seios na luz prateada da lua.
    _ Petra? - Rashid murmurou, dessa vez com a voz carregada de sensualidade.
    Sentia o poder que esse desejo lhe dava. Sentia-se a tentao em pessoa, prendendo a respirao enquanto desejava que ele a tomasse, j antecipando o prazer 
que a esperava.
    Muito devagar, a mo dele se moveu sobre seu seio. Petra suspirou, trmula, fechou os olhos quando ele lhe acariciava com toques delicados, to leves que pareciam 
uma simples brisa, mas to sensuais que seus seios pareciam arder de paixo.
    - Petra...
    Seu nome foi murmurado em meio a beijos demorados que ele espalhava ao redor de seu pescoo como se fossem um colar.
    Um colar que lhe caa por entre os seios e deslizava na direo de seu ventre.
    Petra comeou a tremer. Pequenos e secretos tremores, de inicio, mas quando Rashid tomou-lhe um seio nas mos enquanto descrevia pequenos crculos com a lngua 
ao redor do mamilo rosado do outro, eles se transformaram em estremecimentos incontrolveis de prazer mudo. E depois no mais to mudos, quando ela se viu obrigada 
a morder o lbio inferior para impedir-se de soltar um alto grito de prazer.
    Rashid, ao perceber-lhe a reao, abandonou seu mamilo para observ-la e deslizou um dos dedos em sua boca, libertou-lhe o lbio e pediu, rouco:
    - Morda-me, Petra.
    Todo o corpo de Petra reagiu s palavras dele, envolvido em um desejo que ardia em seus olhos.
    - Sim, sim - ele pediu, com selvageria, sentindo a fome silenciosa do corpo dela, vendo o desejo em seus olhos. _ Sim - Rashid repetiu com mais suavidade. - 
Tudo o que voc quiser, Petra, at que terminemos juntos o nosso tormento.
    Ele falava e a beijava ao mesmo tempo. Minsculos beijos torturantes, enquanto suas mos lhe contornavam o corpo, incansavelmente.
    Petra gritou numa recusa chocada quando a lngua dele tocou-lhe o sexo e mais uma vez, um grito rouco, baixo e gutural diante do prazer que ele lhe oferecia. 
Quando, porm, ele gemeu em resposta e colocou a mo dela no corpo dele, a reao de Petra o fez erguer a cabea e exigir:
    - Acha que s voc tem prazer com o que eu fao, quando sinto voc, seu corpo, seu calor? Estava ansioso por esse momento, Petra... ansioso em possu-la.
    Rashid parou de falar e beijou-lhe o interior da coxa. Petra estremeceu e gemeu quando ele a beijou mais uma vez, com maior intimidade. De repente, ele estava 
ali, onde ela mais o queria, enchendo-a de poderosas e incessantes sensaes de xtase inigualvel.
    Ela no queria que aquilo terminasse, porm sabia que morreria se no atingisse o clmax. Petra achava que j conhecia a sensao, o prazer, a emoo, mas quando 
os espasmos comearam e ela sentiu o prprio Rashid realizar-se .em seu ntimo, soube que tudo que conhecera antes era apenas uma plida sombra do verdadeiro prazer.
    
    
    CAPTULO XI
    
    - Petra, voc est bem mesmo?
    - Estou tima, vov - Petra murmurou, virando-se para que ele no visse suas lgrimas.
    Ele chegara inesperadamente naquela manh, logo aps Rashid ter ido at os estbulos, ansioso para verificar ele mesmo como estava a neta.
    - No  verdade - ele insistiu, aproximando-se e virando-a. - Voc est chorando. O que h de errado? - ele indagou, srio.
    Petra mordeu o lbio. Ainda estava magoada e envergonhada com as lembranas da noite anterior, e no tinha motivos para culpar Rashid. Fora ela que provocara 
os fatos, mesmo que tenha sido ele a agir e levar ambos a um ponto... um lugar...que jamais imaginara existir.
    Estava furiosa consigo mesma por sua fraqueza, incapaz de aceitar o prprio comportamento. Como pudera ceder  tentao? Por que no conseguia deixar de am-lo, 
principalmente quando sabia que no havia futuro para eles, que no podia confiar nele? 
    Rashid no a amava. Ele retomara cedo da viagem de negcios, fizera amor com ela na noite passada... at esperou que adormecesse, mas nunca procurara conversar 
com ela, dizer-lhe que...
    Dizer o qu? Que a amava? Mas Petra j sabia que no havia amor... Ela j sabia que ele fora obrigado a casar-se com ela.
    Encontravam-se presos a um casamento que s poderia trazer tristezas a ambos. E agora, graas ao seu comportamento na noite passada, poderia haver ainda mais 
complicaes. E se dessa vez ela tivesse engravidado?
    - Voc no est feliz - o av insistia. - Est magra...plida demais. No foi isso que imaginei quando vocs se casaram. Vocs combinam to bem... - O semblante 
dele tornou-se ainda mais grave.
    Petra o fitou. Combinar bem! Como ele podia pensar isso?
    -  o que voc pensa - tornou ela, pesarosa. - A verdade  que nunca deveramos ter casado. Rashid no sente nada por mim. Ele no me ama e...
    - Petra, que bobagem  essa? - o av a interrompeu. -  claro que ele a ama, no h dvida sobre isso. Os sentimentos dele esto claros quando fala de voc, 
nas coisas que faz para voc.
    - No! Voc est enganado. Como pode dizer que ele me ama? Ele s se casou comigo porque... precisava.
    - Precisava?
    Consternada, Petra ouviu a risada do av.
    - De onde tirou essa idia? Claro que no foi nada disso.  verdade que se esperava que casassem, j que passaram tanto tempo juntos sozinhos, mas posso lhe 
assegurar que Rashid s se casou porque quis. E posso afirmar que essa vontade foi provocada pelo amor que sente por voc. - Ele balanou a cabea.
    - E, alm disso, Rashid nunca se envolveria numa situao to comprometedora se no estivesse loucamente apaixonado.
    Petra ficou estarrecida diante de tamanha convico.
    - H somente um motivo para que Rashid se casasse com voc, Petra - ele repetiu. - O amor que sente por voc.
    - Se isso  verdade, por que ele nunca se declarou? - ela indagou, exaltada, relutante em acreditar no que ouvia.
    - Voc lhe disse que o amava? - o av a desafiou com delicadeza.
    Mordendo o lbio, Petra confessou que nada dissera.
    - Mas voc o ama, no ? - ele insistiu.
    Petra no conseguiu responder e percebeu o cenho franzido do av. .
    - Voc precisa me contar se me enganei em relao aos seus sentimentos - ouviu-o dizer com firmeza. - Por mais que eu goste e respeite Rashid, voc  minha neta. 
Se descobriu que no o ama, se  infeliz, volte para casa comigo. Se quiser, posso falar com seu marido.
    Uma sombra de emoo anuviou o olhar de Petra.
    - Estou to confusa. H tanta coisa em que acreditava... que pensava... - Ela parou e respirou fundo. - Pensava que Rashid havia se casado comigo por causa dos 
beneficios financeiros que o casamento lhe traria - confessou, explodindo em lgrimas.
    - Beneficios fmanceiros? - o av repetiu, divertido. - Petra - ele comeou, sendo interrompido pela torrente de palavras da neta.
    - Saud me contou tudo, vov. No se zangue com ele. Ele no sabia que eu desconhecia o plano para que Rashid e eu nos casssemos, quer eu quisesse quer no. 
Saud o idolatra de tal modo que imaginou que eu ficaria feliz e impressionada. Eu sei de tudo... At meu padrinho pensou que fosse uma boa idia.
    Tanto que me abandonou aqui sem meu passaporte para que eu no pudesse partir.
    - Petra, minha querida menina... Por favor! Voc est se angustiando  toa.
    Petra se calou ao sentir a dor na voz do av.
    - Venha, sente-se ao meu lado - ele ordenou com suavidade.
    Petra obedeceu, relutante.
    -  verdade que algum sugeriu que vocs se conhecessem e achou que ambos tinham muito em comum. Mas voc precisa entender que tudo no passou de uma sugesto 
feita em tom de brincadeira. Parece que Saud ouviu essa conversa e tirou suas concluses... erradas. - Seu olhar ficou srio. - Pode ter certeza de que vou ter uma 
conversa sria com ele sobre esse comportamento e por ter lhe contado suas suposies totalmente infundadas. Como voc mesma disse, ele admira muito Rashid, mas 
posso lhe garantir que seu marido rejeitou a sugesto imediatamente. Rashid  orgulhoso e independente demais, assim como voc, para permitir que algum tome esse 
tipo de deciso por ele - o av garantiu, pesaroso. - Quanto ao seu padrinho - ele continuou, dando de ombros -, ele  um poltico e um diplomata, quem sabe o que 
passa pela cabea de homens como ele? As intrigas fazem parte de seu dia-a-dia. Se no existem, eles as criam.
    Petra teve de reconhecer que havia um fundo de verdade no que o av dizia sobre seu padrinho, mesmo que sua descrio fosse um tanto cnica demais.
    - Depois de perder Mirna, eu no quis repetir o erro que cometi com ela - ele prosseguiu, balanando a cabea. - S houve um motivo para que eu a quisesse aqui 
em Zuran. Voc  minha neta e eu estava morrendo de saudade.
    - Vov, sei que voc e Rashid tm negcios juntos, e que ele depende do patrocnio da famlia real - Petra insistiu. Sei que houve razes diplomticas...
    Petra olhou para o av quando ele desatou a rir.
    - Por que voc est rindo? - ela quis saber, ofendida.
    - Petra, Rashid  multimilionrio por causa da herana deixada pelo pai. Temos interesses comerciais em comum,  verdade e, naturalmente, a famlia real  grande 
admiradora de seu trabalho. Mas Rashid no depende do patrocnio de ningum.
    Balanando a cabea, ele acrescentou:
    - Petra, magoei muito a sua me e vou passar o resto de minha vida pagando o preo por isso. No h um dia sequer em que no me lembre dela ou que no lamente 
sua perda.
    Petra piscou, os olhos midos por novas lgrimas. Ela sabia que o av estava dizendo a verdade. 
    - Ainda est infeliz? Quer voltar para casa comigo? - ele indagou. - Se quiser, falo com Rashid. A deciso est em suas mos, mas acho uma pena que duas pessoas 
que combinam to bem se separem por mera questo de orgulho, falta de comunicao e confiana.
    Seu av fazia tudo parecer to fcil...
    - No, no quero que converse com Rashid... Eu mesma falo com ele... - Petra respondeu, corando diante do sorriso do av.
    - Sei que no devo interferir, mas voc  IDinha neta. Parece-me que voc e Rashid formam um belo par. Vocs dois so determinados, orgulhosos e independentes. 
So qualidades boas, mas que, s vezes, podem levar a uma auto-suficincia exagerada, no porque a pessoa queira, mas para se proteger. Talvez voc e Rashid no 
queiram admitir o grande amor que sentem um pelo outro com receio de serem vistos como fracos e carentes.
    Petra ficou atordoada ante a capacidade do av de desvendar seus sentimentos mais profundos e secretos.
    O medo da intensidade do amor que sentia por Rashid fora parte do motivo que a fizera resistir a ele. Ser que Rashid sentia a mesma coisa?
    Reconhecia que ainda tentava aceitar o fato de que cometera um erro de julgamento quanto s razes que o levaram a se casar com ela, mas, por outro lado, ele 
no procurou se defender.
    Teria sido por orgulho? Ou porque ele no se importava com o que Petra pensava e a enganava sobre quem realmente era?
    - A vida s vezes nos testa em nossos pontos mais vulnerveis - continuou o av. - H muitas formas de mostrar nossa fora, vrias razes para sermos orgulhosos. 
S voc pode decidir se vale a pena lutar pelo amor de Rashid, se vale a pena arriscar-se e aproximar-se dele, aberta e honestamente. Rashid j assumiu esse risco. 
Lembre-se de que ele se casou de livre e espontnea vontade. Talvez agora seja o momento de voc se arriscar.
    Petra assimilou aquelas palavras em silncio. Seu av lhe mostrava um retrato da mente e do corao do marido que no conseguira enxergar, e as possibilidades 
que se revelavam a partir da criavam para ela uma imagem deliciosa, inebriante e irresistvel do que poderiam partilhar juntos.
    - E tambm me pediram para lhe dar isso - o av continuou, mudando de assunto. Ele lhe entregou um pacote oval ricamente embrulhado.
    - O que ? - Petra indagou, intrigada.
    - Abra e veja - ele retrucou com um sorriso.
    Ela obedeceu, hesitante, o olhar demorando-se sobre a carta que acompanhava o pacote antes de voltar a ateno ao presente e desembrulh-lo.
    -  uma carta do pai do garotinho, aquele dos estbulos ela esclareceu. - Ele escreveu para agradecer e... - O som de sua voz diminuiu e ela sufocou um grito 
ao se deparar com o contedo do pacote.
    -  um certificado de propriedade de... um cavalo... um filhote de um ano...
    - Criao dos estbulos da realeza - o av explicou. - Eles lhe so muito gratos pelo que fez, Petra. Voc salvou a vida de uma criana muito especial arriscando 
a prpria.
    - Mas um cavalo!
    - No  um cavalo qualquer, mas um potro que algum dia poder lhe conquistar uma vitria no campeonato de Zuran o av corrigiu com um Sorriso.
    
    Da sacada da sute presidencial, Petra podia observar a praia. A semana de competies e todo o entusiasmo que a acompanhava tinham passado. Ela e Rashid haviam 
se despedido dos ltimos convidados e deixariam o hotel pela manh, com destino  vila.
    O cavalo de Rashid conquistara um respeitvel quarto lugar e o av dela provocou-o, dizendo-lhe que em breve o cavalo da esposa poderia estar competindo com 
o dele.
    No houve oportunidade para que ficassem a ss desde a noite em que Rashid fizera amor com ela, ou para que Petra tocasse no assunto que a deixava to ansiosa.
    Segundo seu av, Rashid a amava!
    Seguindo um impulso repentino, Petra deixou a sute e correu para o elevador.
    Anoitecia, as cadeiras  beira da piscina encontravam-se vazias e a praia, fora uma ou outra figura solitria, estava deserta.
    Mas de repente avistou Rashid, o que tomou-a de surpresa e deixou-a sem flego. Sua inteno fora descer e refletir um pouco, mas talvez o destino resolvera 
interferir nos acontecimentos.
    A areia abafava-lhe os passos, porm mesmo assim algo pareceu alertar Rashid de sua presena, pois ele se virou e a fitou em silncio.
    Ele se livrara das roupas formais e vestia jeans e camiseta.
    Tentando controlar o nervosismo, Petra caminhou at ele. O silncio dele a amedrontava, e ela umedeceu os lbios com a lngua, o rosto enrubescendo quando o 
olhar de Rashid flagrou o movimento revelador.
    - Tenho uma... proposta a lhe fazer - ela comeou, cruzando os dedos atrs das costas, supersticiosa.
    Como ele reagiria? Iria se afastar? Iria ignor-Ia ou lhe daria ateno? Petra sabia muito bem que reao gostaria que ele tivesse.
    - Uma proposta?
    Bem, pelo menos ele estava respondendo, apesar de ela perceber uma ponta de cinismo em sua voz.
    - Que tipo de proposta?
    - Eu tenho um problema e acho que voc  a pessoa ideal para me ajudar.
    Felizmente a noite cara por completo e Rashid no podia ver-lhe o rosto, embora ela suspeitasse que ele conseguia sentir-lhe a ansiedade e a incerteza na voz. 
Se ficara nervosa na primeira vez que lhe fizera uma proposta, agora sentia-se muito pior. 
    Naquela poca, era sua liberdade que estava em jogo, agora, era toda a sua vida, seu amor... tudo!
    - Preciso que me ajude a descobrir se o homem que amo tambm me ama. At hoje, achava que no, mas parece que estava enganada.
    - O homem que voc ama? - ele indagou, a voz com um qu diferente que fez o sangue de Petra correr mais rpido nas veias.
    - Sim. Eu o amo tanto que at tenho medo de admitir, at mesmo para mim, e pensei que...
    - Sim?
    Ele se movera to rpida e silenciosamente, e Petra estava de tal modo ansiosa que sua proximidade repentina a pegara desprevenida.
    - Acho que voc pode me mostrar como agir com ele... ela murmurou, a voz rouca.
    - Ah, voc acha, no  mesmo? E como pretendia pagar por minha cooperao? - Rashid retrucou, a voz rouca tambm, o que fez Petra relaxar um pouco.
    - Bem... - ela murmurou, fingindo refletir. - Eu estava pensando num pagamento em espcie...
    - Ora, ora...
    Seria aquela sua nica resposta? Nada mais positivo e encorajador? A incerteza tomou conta de seu ser.
    - Se voc no est interessado...
    - Eu no disse isso - Rashid replicou, aproximando-se ainda mais.
    - No - ela admitiu. - Mas...
    - Se voc realmente quiser provar que o ama, acho que este seria um timo lugar para comear. Bem aqui, nos braos dele, assim...
    Os braos dele a envolveram com fora, e uma sensao de alvio a invadiu.
    - Assim?
    Aquela voz trmula era realmente dela?
    - Sim... E ento voc pode mostrar a ele que est gostando colocando os braos ao redor de seu pescoo, olhando-o nos olhos e...
    - Desse jeito, voc quer dizer? - Petra sussurrou.
    - Mais ou menos... Voc est no caminho certo, mas seria ainda melhor se fizesse isso... - Rashid continuou, mostrando o que queria dizer, roando os lbios 
levemente na boca de Petra.
    - Hum... E se eu quiser dar-lhe um beijo de verdade?
    - Bem, ento eu acho que deve ir em frente. Mas saiba que ento ele poder querer...
    s vezes, os gestos so muito mais eloqentes do que as palavras, e Petra silenciou as instrues de Rashid com a leve presso de sua boca contra a dele.
    Passou-se muito tempo antes que quisessem falar novamente, porm, quando conseguiram parar de beijar-se, Rashid sugeriu:
    - Acho que nossas negociaes seriam mais bem-conduzidas em um lugar mais... reservado.
    - Ah... - Petra murmurou com um olhar malicioso. - Voc pensou em algum lugar em especial? S eu estou hospedada no hotel.
    - Eu pensei... - Rashid respondeu com suavidade, o erotismo em sua voz despertando-lhe ainda mais a excitao - numa cama muito grande, de preferncia num quarto 
 prova de som para que ningum, alm de mim, possa ouvir seus gritos de prazer...
    Como ele entremeava cada palavra com uma torrente de beijos em seu pescoo e um leve roar de lbios em sua boca, Petra no se via em condies de se concentrar 
em detalhes, embora as palavras cama e prazer tivessem conseguido penetrar na estonteante nvoa de euforia que a dominava.
    Quando os lbios de Rashid subiram-lhe pelo pescoo e atingiram o lbulo da orelha, ela perguntou, a voz rouca:
    - Ento,  verdade, voc me ama?
    Rashid soltou-a bruscamente, deixando Petra atnita. Por um instante, viu-se invadida pelo medo, porm ento notou-lhe a expresso do olhar.
    - Me apaixonei por voc aqui nesta praia, na noite em que me fez a proposta - ele contou, tranqilo. - At aquele momento, voc era apenas um nome que estava 
ligado ao seu av, algum com antecedentes semelhantes aos meus. - Rashid deu de ombros, fingindo indiferena. - E ento voc me abordou aqui e me contou a louca 
histria sobre ser forada a se casar com um homem que eu mesmo, admito, comecei a desprezar, depois da descrio que fez dele. E eu pensei que Saud gostava de mim 
- ele concluiu, divertido.
    - Meu av me disse que entendi tudo errado e que Saud compreendeu mal o que ouvira - ela se desculpou com um olhar envergonhado.
    - Um comentrio sem importncia entre parceiros de negcios que nunca deveria ter sido levado a srio. Por causa da preocupao de sua famlia com a sade de 
seu av e o efeito que sua visita teria nele, me ofereci para mostrar tudo a voc.
    Mas em nenhum momento fiz isso com a inteno de verificar se seria uma esposa adequada.
    - Voc se apaixonou mesmo por mim naquela noite?
    - Quando perguntei que tipo de homem queria e voc me disse... - ele fez uma pausa e desviou o olhar por um instante. - Sou um homem muito rico, Petra e,  claro, 
fui perseguido por mulheres que enxergam no homem apenas os benefcios financeiros que podem conseguir dele. Quando voc falou to apaixonadamente de seus sentimentos 
e opinies, do que esperava da vida e do amor, vi que eles eram iguais aos meus e que no poderia deixar voc partir. E ento a beijei.
    - E ento voc soube...
    Petra sentiu a voz tremer e soube que Rashid podia perceber claramente sua alegria e incredulidade, mas no mais via necessidade de ocultar os sentimentos ou 
de envergonhar-se deles.
    - Sim - Rashid admitiu. - Eu soube e estava determinado a cortejar e conquistar voc, mas infelizmente no contei com sua teimosa determinao em no se apaixonar 
pelo homem que imaginava que eu era. Comecei a entrar em pnico e tive medo de perd-la. Ento, voc descobriu quem eu era e acreditei que tudo estava perdido. No 
podia deixar isso acontecer, principalmente quando sabia como as coisas podiam ser maravilhosas entre ns.
    - Ento voc ps na cabea que eu o amava, certo? - Petra indagou, lanando-lhe um olhar divertido.
    - Porque eu simplesmente no poderia suportar uma vida sem seu amor.
    Aquela confisso desfez todas as suspeitas quanto  falta de respeito por seus sentimentos, e Petra fitou-o com suavidade.
    - E eu esperava, sobretudo depois de voc se entregar a mim com tanta paixo e ardor, que voc realmente me amasse. Mas eu sabia que meu tempo estava se esgotando, 
que no poderia ficar viajando a negcios para sempre. Ento, viemos para o deserto.
    _ Onde voc no conseguiu tirar os olhos da danarina do ventre - Petra lembrou, desafiadora.
    - Eu a conheo, ela  uma funcionria do hotel e sabia quem eu era. Tive medo de que ela acabasse me denunciando sem querer. E ento voc me procurou... em minha 
cama... e eu soube que tinha que arriscar e encontrar um meio de mant-la na minha vida para sempre. Quando voc foi at a sute do hotel para me enfrentar, vi a 
oportunidade de pedi-Ia em casamento.
    _ Mas voc no disse nada, Rashid... Voc foi to frio, to indiferente...
    _  verdade, eu me sentia culpado. Levei voc a um casamento para conseguir o que queria, e sabia que no deveria ter agido assim.
    _ H muitas coisas que no deveria ter feito. Principalmente me colocar numa sute separada e me atormentar com a idia de que no se importava comigo.
    _ Mas agora voc sabe que eu me importo - Rashid sussurrou. _ Voc  o osis de minha vida, Petra, a gua fresca no deserto escaldante. S voc tem o poder de 
fazer meu corao florescer.
    Petra o ouvia, enlevada.
    _ Quero ir para casa, Rashid - ela pediu, trmula.
    _ Para casa? - Ele no tentou ocultar a aspereza da voz e a dor profunda no olhar. - Voc quer me deixar... Depois de tudo o que fiz, eu acho que mereo, mas 
no posso deixar voc ir. Por favor, s me d uma chance de lhe mostrar o quanto quero faz-la feliz, o quanto a amo. Se voc no  feliz em Zuran, podemos viver 
em outro lugar, qualquer lugar que voc escolher, contanto que me deixe estar com voc.
    Petra percebeu que ele entendera mal o que dissera, mas sua reao era a prova que poderia querer do imenso amor que sentia por ela.
    _ Eu quis dizer ir para casa com voc, a sua casa - ela corrigiu. _ Para nossa casa, nosso quarto, nossa cama... Ir para casa junto de voc, Rashid. Voc  meu 
lar e s serei feliz onde voc estiver. Eu te amo! - ela confessou, sincera.
    Quando ele a abraou e recomeou a beij-la com intensa paixo, Petra pde sentir o leve estremecer do corpo dele.
    _ Voc sabe que nunca, nunca vou deixar voc partir, no ? _ Rashid murmurou ao seu ouvido. - Voc  minha, Petra. Minha mulher, meu amor, minha vida!
    
    FIM
    
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